Xandó: A forma
“clássica” de comercialização é pelo número de caixas postais contratadas, não
é?
Eduardo: Sim, mas há
planos diversos como E1, E2, E3 e agora tem novidades para micro e médios empresários.
Já tinha oferta para este público, mas há mudanças.
Xandó: Quem sabe
eu mesmo não migro meus e-mails... Eu hospedo meus próprios e-mails e usava
para isso um Exchange 2003. Eu tenho os meus próprios servidores de
virtualização, minhas máquinas virtuais, para poder aprender a aplicar isso nas
empresas. Mas já migrei há pouco tempo para um Exchange 2010.
Eduardo: Não
acredito!! Só agora há pouco saiu do Exchange 2003?
Xandó: Vou te
confessar uma coisa. Estou convencido de que migrar meus e-mails para a nuvem é
urgente. Muitas empresa estão fazendo e também preciso ter esta experiência. E
confesso que quando falha meu link de Internet fico em pânico, pois sei que
e-mails serão perdidos. É bom tem seu próprio servidor, tem um monte de coisas
que dá para fazer sozinho, mas...
Eduardo: O movimento
que está acontecendo agora é importante. O que aconteceu há mais de 20 anos
quando a Microsoft reuniu 4 produtos isolados para formar o Office está
caminhando hoje para agregar vários componentes e oferecer o software em um
formato de assinatura, tanto no lado do usuário final como o servidor de
e-mails e muito mais além. A Microsoft está redefinindo o conceito de
colaboração pelo uso dos recursos de comunicação usando os serviços da nuvem.
Xandó: Mas o que
está mudando?
Eduardo: A começar
pelos dispositivos. Veja meu smartphone, um Windows Phone. Eu tenho tudo aqui,
minha vida toda. Praticamente não precisaria usar outro tipo de equipamento.
Tela grande, como se fosse meu Phablet
(smartphone + tablet). Diferentes dispositivos, diferentes plataformas, uma
multiplicidade gigante até 2016. E por fim as pessoas. Temos agora 3 gerações
afetadas pelo avanço da tecnologia interagindo: os Baby Boomers, a geração X e a geração Y. Isso traz um desafio de integrar de maneira simples
todas as ferramentas, redes sociais, twitter, horários flexíveis, colaboração,
reuniões remotas... Usar no campo profissional recursos que uso na vida pessoal
e vice-versa, trabalhar a hora que eu quiser e onde eu quiser. Que tipo de
ferramentas temos que colocar à disposição das pessoas para que elas possam ter
isso na empresa? E a nuvem encaixa muito bem no conceito de pagar estes
serviços pelo uso. Hoje temos condição de oferecer estes recursos. Temos
condição de entregar esta visão hoje em dia dentro da plataforma do Office 365.
Xandó: Mas quais as
semelhanças do Office 365 “pessoal”, este vendido no varejo e o adquirido como
substituição ao e-mail interno?
Eduardo: Ambos incluem
o Office versão Desktop para ser instalado nas máquinas. Há versão online. Mas
o mais legal é a tecnologia de instalação que é super moderna. Eu fui instalar
pela primeira vez na minha casa e achei que ele ia ficar fazendo um longo
download. Mas em dois minutos o aplicativo que eu tinha disparado já abriu e o
resto da instalação ficou sendo feita em “background”. Existe também a versão
online (Webapps). No desktop podem ser instalados em 5 dispositivos diferentes
(PCs ou Macs).
Xandó: e a versão
Corporativa, quais as diferenças? E as novidades?
Eduardo: essencialmente
é o que você já implantou, mas com componentes renovados. Exchange, Sharepoint (colaboração),
Lync (mensagem instantânea), vários serviços e o Office novo, na modalidade
serviço. Há coisas interessantes como uso de tecnologias de rede social usadas
em ambiente corporativo, uso intenso de nuvem, BYOD (bring your own device), ou
seja, a consumerização de tecnologia que está se espalhando trazendo um pouco
de medo aos CIOs, mas é algo meio que irreversível. As pessoas querem trazer e
usar os seus próprios dispositivos. Também a simplificação da área de TI. A
empresa não é mais ou menos competitiva porque não aplica os patches do
Exchange ou porque administra bem as caixas de correio. Ela será competitiva
por causa dos resultados e produtividade alcançados pelo uso correto da
tecnologia.
Xandó: Isso afeta
o perfil do funcionário de TI de alguma forma?
Eduardo: Muito! Tradicionalmente
o profissional de TI era formado em processamento de dados, análise de
sistemas, administração ou algo parecido. Agora o gestor de TI tem que ser
quase que um piloto de avião. Ele voa no automático e ele é bom no momento da
crise. Como ele identifica SLAs, como ele atua em caso de contingência, como
ele atua em um cenário no qual ele não tem total controle do serviço que ele
está recebendo, mas ao mesmo tempo ele é o responsável pela qualidade daquele
serviço perante as áreas de negócio dentro da empresa. Saber atuar em crises,
habilidades de governança e comunicação bem mais desenvolvidas, gestão de
mudanças. Menos importante os bit e bytes. Mas tem que avaliar quando é caso de
ter serviços “on premise” (dentro de casa) e quando contratar fora na nuvem.
Xandó: Olhando
outro lado, ao usar a solução Office 365 na nuvem, por exemplo, o SharePoint.
Já existe o produto há um bom tempo. Mas o grau de uso não é tão intenso.
Provavelmente porque para uso efetivo a empresa tem que montar um pequeno projeto,
montar um ambiente de colaboração que faça sentido para ela... Mas com o 365
online já existe um ambiente pronto, configurado que com pouca intervenção já
pode ser usado. É isso mesmo? Existe esta vantagem?
Eduardo: Isso mesmo,
você poupa muitas etapas e já recebe um ambiente muito preparado. Em menos de
10 minutos você já tem um ambiente de EPM (Enterprise Project Management),
gerenciamento de projetos, simples de usar, baseado em “templates” (modelos pré
elaborados) reduzindo a necessidade de conhecimento técnico para implementar.
Um profissional de TI, um parceiro da Microsoft, vai ajudar muito mais para
entender o que se deseja fazer e entregar projetos que trazem valor para o
negócio. Esse conceito vale para todas as áreas. Pode ser usar o SharePoint
para um projeto de Balanced
Scorecard, ou para um projeto de Workflow ou mesmo um projeto para usar o SharePoint
com Office para facilitar reuniões de trabalho. Assim você muda completamente a
conversa que você tem com uma área de negócios.
Xandó: estou
vendo este resumo que mostra Office versão Business do varejo (caixinha), que
visa atender empresas de até 10 funcionário, e as versões online Small Business,
Small Business Premiu, Midsize e Enterprise. Isso já existia na oferta anterior
do Office 365?
Eduardo: Não, é
exatamente isso que estamos lançado agora. É uma forma nova de segmentar este
serviço com a oferta de versões adequadas ao porte da empresa, tanto no custo
como nas funcionalidades. As versões iniciais partem do princípio que menos intervenção
da área de TI será necessária para administração enquanto as versões Enterprise
tem muitas funcionalidades que demandam um pouco mais de administração. E estas
versões mais avançadas praticamente igualam os recursos da versão online com os
recursos de uma implantação “on premise” (na infraestrutura da empresa). E há
outra novidade interessante. A versão Midsize Business está disponível no
Brasil em contrato OPEN. Isso significa que mais um canal de mais de 15.000
revendas poderão comercializar este produto.
Xandó: Parece que a versão
Enterprise tem integração com o servidor da empresa. É isso?
Eduardo: A
versão Enterprise tem integração com o AD (Active Directory). Isso significa
que o cliente ao entrar no aplicativo na Web não precisa se autenticar. É como
se fosse um aplicativo da Intranet “de casa”. Isso favorece segurança, gestão de
TI e simplifica para o usuário com “single sign-on”.
Xandó: Como é o
uso e a integração com o Skydrive? Eu vi que essa é uma novidade? É uma versão diferente?
Eduardo: Nesta versão
existe o Skydrive PRO. Cada usuário tem seu espaço pessoal de armazenamento para
uso com os arquivos da empresa. Na versão anterior do Office 365 não havia este
espaço para cada usuário. E a diferença principal, é uma área “pessoal”, mas
gerenciada. Se o funcionário sair da empresa o administrador pode intervir e
atuar naqueles arquivos movendo, apagando, etc.
Xandó: a versão “caixinha”
do Office permite que seja instalada em até 5 dispositivos. Como é no Office
365 empresarial?
Eduardo: Também pode
ser instalado em até 5 dispositivos pessoais. Computador desktop na empresa,
notebook, MAC, smartphone e tablet. O acesso é único, a caixa postal é a mesma,
mas a licença garante o direito de ter o aplicativo do Office nos seus
diferentes dispositivos.
Xandó: Mas e se
seu tablet cai no chão, quebra, perde, você pode reaproveitar aquela licença ou
ela é perdida?
Eduardo: uma nova
licença pode ser obtida no site ou via suporte.
Xandó: Esta forma
de comprar como serviço traz custos diferenciados e interessantes. Mesmo para o
cliente final, certo?
Eduardo: Veja só o
Office 365 Home Premium (varejo) custa R$ 159 para até cinco dispositivos por
ano. Para universitários e faculdades o preço é o mesmo, mas esta licença é
válida por 4 anos, pelos mesmos R$ 159. Costumo dizer que pelo preço de uma
balada dá para ter o Office por 4 anos! Temos uma campanha que faz a pergunta “o
que você faria por R$ 0,50 por dia?”. É o que custa o Office 365 Home Premium
(varejo) para aqueles 5 usuários!! E se durante o período de vigência da
assinatura o Office for atualizado ele terá direito à nova versão.
Xandó: Estamos
falando agora um pouco mais do Office 365 varejo que não inclui os “servidores”
(e-mail, SharePoint, etc.), mas tem o mesmo conceito de compra por assinatura
para o Office propriamente dito.
Eduardo: Isso mesmo! E
veja uma coisa. Enquanto conversamos estou te mostrando este arquivo Power
Point. Veja agora que ele está rodando no browser, ou seja, é a versão nuvem,
do Office com idêntica experiências para o usuário. Imagine o impacto disso no
dia a dia e na produtividade. Como usamos intensamente o standard HTML5 há compatibilidade
com grande variedade de navegadores como Safari, Chrome... acesso os arquivos
que preciso pelo Skydrive Posso usar a partir de qualquer lugar e com a possibilidade
de compartilhar arquivos com as pessoas da minha rede.
Xandó: Existe um
lado do Office 365 que eu não vi e não entendi. Como é esse lado de “rede
social dentro da empresa”?
Eduardo: Isso é bem
interessante. Por exemplo, veja minha página pessoal dentro da empresa. Eu
listo as habilidade que eu tenho, sobre o que eu gostaria de falar e começo a
interagir com as pessoas dentro da companhia. E posso também criar comunidades
internas tanto para projetos (assim que se conectam as várias gerações) ... Eu
tenho uma comunidade chamada Microsoft Scuba Dive para interagir com pessoas de
mesmos interesses. As páginas ou comunidades podem ter debates ligados ou não a
projetos internos. Isso tudo dentro do meu próprio portal. Como eu tenho uma
identidade corporativa e outra identidade pessoal no Office 365 eu posso
transitar entre uma e outra a cada momento com seus respectivos conteúdos
facilmente, memória dos últimos arquivos trabalhados em cada ambiente.
Xandó: Nos
trabalhos em grupo há como os documentos serem abertos e trabalhados por mais
de uma pessoa ao mesmo tempo?
Eduardo: Sim este é um
recurso dos arquivos no SharePoint que chamamos de coautoria. Por exemplo eu abro os PPTs de apresentação de
resultados junto com a minha equipe. O tempo que nós gastamos para fazer isso
agora é muito menor. Outro exemplo, usamos o OneNote para tomarmos notas em
reuniões de forma compartilhada. Assim fazer a ata daquela reunião é muito
simples e rápido e depois todos recebem a versão final. Outro caso legal, eu
fui para o Japão ver o jogo do Corinthians em 2012 e fiz todo o planejamento da
viagem, logística, informações, deslocamentos, hotéis, horários, etc. no
OneNote. Ao chegar lá consegui um chip para meu Windows Phone e acessei todas
as informações ali na palma da mão que estavam na nuvem. Imagem do ingresso,
frases úteis em japonês, dicas de locais enviadas por amigos, e-mails, mapa das
cidades, mapa do estádio, tudo foi impresso no OneNote e acessado pela nuvem no
smartphone.
Xandó: Não querendo
ser, mas já sendo um pouco provocativo, como você compara a solução da
Microsoft com a solução de ambiente de nuvem do Google? Eu vejo que eles têm um
bom serviço, boas soluções também, têm bons produtos...
Eduardo: A diferença
para o Google é, sendo também um pouco provocativo, é que eles plugaram um
monte de serviços separados em um serviço único. Nós montamos um serviço que é
todo integrado desde o seu desenho (projeto). Eu nem preciso abrir janelas a
mais, não preciso ficar autenticando toda hora. Não peguei um Youtube que está
aqui Google Docs ali... A começar pela integração com o Active Directory e uma
interface consistente e homogênea entre os aplicativos e serviços, e-mail,
calendário, site, projetos, um ambiente único e funcional e não um monte de
janelas que vão se acumulando. E quando você complementa com o Office que está
dentro da máquina (desktop, notebook, tablet) fica ainda melhor porque você tem
o aplicativo no PC e a informação fluindo pela nuvem e também em outros
dispositivos que o usuário tenha. É uma proposta bem diferente a da Microsoft
quando comparado com o serviço do Google.
Xandó: Lá atrás o
próprio Office começou a partir de produtos independentes, nem mesmo todos
desenvolvidos originalmente pela Microsoft. Que eu me lembre tanto Excel como
Access foram comprados de terceiros e posteriormente integrados.
Eduardo: Com
o tempo eles foram sendo entrosados e integrados e não “juntados”.
Xandó: E vejo
outro lado. O Google Docs pressupõe uso de tudo online. Você até tem o Google
Drive que deixa os arquivos off-line no seu computador, mas se não tem Internet
como você usa os aplicativos.
Eduardo: É uma questão de
opção de projeto. É impossível desprezar o poder de processamento local e a
riqueza dos dispositivos diversos que temos.
Xandó: Eu me
lembro que há 12 anos mais ou menos alguém tinha esta visão de uso de nuvem e
nem tinha este nome. Era o Scott
McNealy, ex CEO da Sun que falava que “a rede é o computador”, lembra
disso?
Eduardo: Sim era isso
mesmo, mas tinha aspectos particulares aquela solução, pois rodava apenas nos
dispositivos deles, na plataforma deles. Mas a visão era correta, algo que de
uma outra forma temos hoje. Já o Bill Gates tinha a visão do “Information at
your fingertips” que evoluiu em nossa plataforma para tudo isso que temos hoje.
Xandó: Não vejo
como uma empresa não venha usar uma solução em nuvem hoje em dia para seus
e-mails e produtividade. A começar pelo custo. Apenas caixas postais e Exchange
online, o serviço básico do Office 365 custa US$ 4 por mês por usuário,
crescendo em função do serviço. Você tem alguns dados deste mercado de como
está adoção deste tipo de tecnologia?
Eduardo: Eu
vou te falar um dado que é totalmente chocante!! No Brasil 60% das pequenas, médias
e grandes empresas ainda usam POP3 Mail para baixar seus e-mails, pagando por
serviços de hospedagem que “dão” o e-mail para eles. E-mail é função crítica
para o mundo corporativo. Ainda há um bom caminho a ser percorrido por estas
empresas. Veja que por exemplo a Cia Athletica migrou para Office 365 (descrevi
este caso na parte 1 deste texto) da mesma forma tantos outros casos de
sucesso.
Xandó: Eduardo
muito obrigado por todas estas informações, tanta coisa nova. Agora é observar
a reação do mercado a todas estas novidades. Foi uma ótima conversa!
Eduardo: Com certeza!
Apenas quero te lembrar que existe uma forma de testar o Office 365. Pelo
próprio site a empresa cria uma
conta de demonstração, cria suas caixas postais, acessa as telas
administrativas. Enfim, terá toda a experiência do cliente efetivo do serviço
durante 30 dias.