sábado, 30 de abril de 2011

Novos modelos SONY VAIO – do notebook 3D ao leve-poderoso

Dia 27 de abril a SONY fez o anúncio e demonstração para jornalistas da nova linha de notebooks VAIO no Brasil. Mais que uma demonstração, as pessoas presentes também puderam “degustar” cada uma das máquinas. A SONY tem uma segmentação de mercado bastante clara. E este lançamento contemplou cada uma das três linhas:

Série “S” – focada em mobilidade, portabilidade e desempenho

Série “C” – focada em praticidade, estilo e desempenho

Série “F” – topo de tecnologia, entretenimento e alta performance.


A SONY investe no mercado que vem crescendo de forma robusta desde 2007. Já era de se prever que o mercado de notebooks no Brasil iria deslanchar e alcançar os desktops. Afinal no mundo isso já aconteceu há pelo menos dois anos.

De acordo com o IDC, cerca de 7,7 milhões de notebooks serão vendidos no Brasil em 2011. Em 2014, esse número já deve chegar a 10,6 milhões de peças. A procura por portabilidade, preços mais acessíveis e o lançamento de novas tecnologias são os grandes impulsos para esta expansão de mercado.O momento favorável do câmbio também é fator importante.

A SONY iniciou a venda de VAIO no Brasil em 2006 com foco exclusivo em produtos “high-end”. Mas já em 2007 e 2008 começou a explorar os outros segmentos do mercado. A receptividade para a linha VAIO só faz crescer e segundos os dados da SONY. Seus resultados são expressivos  desde 2007 no mercado brasileiro:

2007 – linha VAIO cresceu 400% enquanto o mercado de notebooks cresceu 108%
2008 – linha VAIO cresceu 100% enquanto o mercado de notebooks cresceu 19%
2009 – linha VAIO cresceu 100% enquanto o mercado de notebooks cresceu 62%
2010 – linha VAIO cresceu 100% enquanto o mercado de notebooks cresceu 23%


OS MODELOS LANÇADOS

VPC-F215FB - Tecnologia e Entretenimento. Modelo da série “F”. Voltado ao público que gosta de alta tecnologia e acesso às últimas tendências, é o primeiro notebook 3D da Sony, lançado recentemente no mercado internacional.


O produto conta com tela Full HD 3D (1980x1080) de 16 polegadas e acompanha óculos para que o consumidor assista aos conteúdos em três dimensões. Ideal para assistir a filmes em Blu-ray (drive incluído com capacidade de leitura e gravação de Blu-ray), ver fotos, jogos e vídeos feitos com a Cyber-shot ou para passar conteúdo direto para o televisor Bravia 3D.  Possui também a tecnologia S-Force, que oferece uma qualidade de som envolvente com efeito surround para aumentar a sensação de imersão dentro de um filme.

O processador é de última geração, Intel geração Sandy Bridge Core i7, modelo i7-2630QM (2.0 Ghz com Turbo Boost até 2.9 Ghz) de quatro núcleos (mais tecnologia hyper theading). Dispõe da nova versão de USB 3.0 para transmissão de dados de forma muito mais rápida (são 2 USB 3.0 e 1 USB 2.0). Traz uma placa de vídeo discreta NVIDIA GeForce GT 540M GPU de 1GB de memória dedicada e webcam de alta definição (1280x1024) com tecnologia Exmor, para maior nitidez mesmo em ambientes com pouca luz. A tecnologia Exmor é a mesma usada em lentes das câmeras fotográficas da linha Cyber-shot.

Seu disco rígido tem 750 GB e a memória é de 6 GB. Disponível na cor preta, vem com Windows 7 Home Premium. Para assistir as imagens em 2D, basta acionar um botão do aparelho que alterna a forma de visualização imediatamente.  Seu sistema operacional é o Windows 7 Professional 64 bits.

O preço sugerido para este modelo é R$ 9.999,00.

VPC–SB15GB – Desempenho e Portabilidade – Modelo da Série “S”. Visa usuários que necessitam de alta performance e ao mesmo tempo de portabilidade e eficiência no consumo de energia. Com apenas 1.72 kg e autonomia de bateria de até 6,5 horas, traz também um design inovador.


Tem chassi de alumínio e estrutura resistente de magnésio. Vem com tela de 13.3 polegadas (1366x768), leitor biométrico de impressão digital e proteção no disco rígido, que tem 500 GB. Seu sistema operacional é o Windows 7 Home Premium 64 bits. A memória do equipamento é de 4GB. O SB15 conta com sensor de luminosidade, que ajusta automaticamente o brilho da tela e ativa o teclado retro iluminado para mais conforto na digitação, inclusive em ambientes com pouca luz.

Utiliza o novo processador Intel Sandy Bridge Core i5 modelo i5-2410M (2.3 Ghz com Turbo Boost até 2.9 Ghz) com dois núcleos (mais tecnologia hyper threading). Também conta com USB 3.0 (1 USB 3.0 e 2 USB 2.0).

Sua p
laca de vídeo é híbrida. Assim é possível estender a duração da bateria usando a placa gráfica padrão na função Stamina (Intel HD Graphics) ou maximizar o potencial das imagens gráficas com AMD Radeon™  HD 6470M com 512MB de memória dedicada na função Speed, indicada para trabalhar com programas pesados e conteúdo em alta definição.

Permite o uso da tecnologia WiDi (Intel Wireless Display), desenvolvida pela Intel. Com esta função, é possível transmitir dados para uma TV de forma simples e eficiente. Basta o consumidor conectar um roteador Push 2 TV da Netgear a uma TV por meio de cabo HDMI e acionar a função no notebook, para que ele transmita os dados sem o uso de fios. Desta forma, a tela da TV pode reproduzir exatamente o que for executado no VAIO. Por exemplo, o usuário pode reproduzir um vídeo do YouTube no notebook com este recurso e conectá-lo à TV pelo WiDi para que todos possam assistir ao filme.
O preço sugerido deste novo notebook da série S é R$ 3.499,00.


VPC-CA15FB – Estilo e Praticidade – Modelo da Série “C”. Visa usuários que necessitam de alta performance, com praticidade e estilo. Como o VPC-SB15GB dispõe de sistema híbrido de placa gráfica, que detecta a potência necessária para a atividade que o usuário está exercendo, fazendo com que não gaste bateria desnecessariamente. Conta com o sensor de luminosidade, que ajusta automaticamente o brilho da tela e ativa a retro iluminação do teclado em ambientes com pouca luz.


Traz drive para reprodução de Blu-ray (inclusive 3D, mas assistido em uma TV Bravia 3D por meio da saída HDMI). Tem teclas para acesso rápido à internet (tecla WEB, que acessa a internet mesmo com o VAIO desligado), à Central de Soluções VAIO Care (tecla ASSIST) e ao Media Gallery (tecla VAIO). Tem tela com tecnologia LED de 14 polegadas com resolução de 1600 x 900.

O VPC-CA15 pesa 2,45 kg, tem autonomia de bateria de até 4,5 horas e USB 3.0 (1 USB 3.0 e 3 USB 2.0). A placa de vídeo AMD Radeon HD 6470M possui 512 MB de memória dedicada. Seu sistema operacional é o Windows 7 Home Premium 64 bits e o disco rígido tem 500 GB de capacidade e sua memória é de 4 GB.

Com design diferenciado, esta linha conta com as cores preta, laranja e verde, para agradar aos mais diversos tipos de consumidores.

O VPC-CA15 tem preço sugerido de R$ 3.499,00.


ALGUNS PONTOS EM COMUM

A SONY traz em todos os seus notebooks um conjunto de softwares bastante extenso. Incluindo inúmeros softwares de produtividade da SONY os modelos trazem também:

- Picture Motion Browser (controla mídia por gestos na frente da Webcam)
- Adobe Photoshop Elements (edição de imagens)
- Adobre Premiere Elements (edição de vídeo)
- Microsoft Office 2010 Starter (Word e Excel)
- VAIO Media Gallery
- VAIO Help and Support
- VAIO Care
- VAIO Gate
- VAIO Update
- VAIO Control Center
- VAIO Media Plus
- Roxio Easy Media Creator
- Adobe Reader
- Norton Internet Security 2011 (30 dias)

Além disso todos dispõem de rede sem fio padrão “n” (até 300 Mbps) e rede Ethernet 10/100/1000 Mpbs e áudio de alta definição e podem expandir sua memória até 8 GB.

Eu apenas experimentei as máquinas no dia da apresentação. Não realizei testes com nenhuma delas, embora já tenha registrado minha intenção junto à SONY de testar os equipamentos para escrever um texto mais completo e detalhado.

Mas nesta “degustação” eu consegui extrair algumas informações além das especificações de cada um destes modelos.

- Série “F” – o processador Core i7 quad core deixa o notebook muito rápido. O efeito de 3D (com óculos – mesmo usado nas TVs Bravia 3D) é sensacional. Não é um notebook pequeno e por isso não indicado para quem precisa transportá-lo amiúde. O vídeo é muito rápido (Nvidia GForce GT540M) com índice de performance do Windows de 6.5. Ter leitor e gravador Blu-Ray é algo de destaque.

- Série “C” – o processador Core i5 dual core também deixa este notebook bem ágil e sua tela de 14 polegadas (1600x900) é ótima. A placa de vídeo dual (Intel HD e Radeon 6470M) o leva a índice de desempenho do Windows para vídeo de 6.2                 que é excelente. Seu tamanho equilibrado e grande velocidade, drive que reproduz Bru-Ray, boa resolução de tela, 4 saídas USB (uma 3.0) faz deste VAIO o mais adequado ao meu especial modelo de uso.

- Série “S” – tem o mesmo processador do  Série “C” o Core i5 que também lhe confere um desempenho excelente. Com tem tela de 13.3 polegadas e perfil bem mais fino, seu peso é muito baixo (1.72 Kg) que o torna um notebook muito bom para quem precisa carregar seu equipamento todo dia e não quer abrir mão de desempenho.

Agora me resta aguardar a oportunidade de fazer os testes e poder dissecar estes novos modelos VAIO para confirmar o sucesso destas especificações e impressões iniciais.

Todos os modelos podem ser adquiridos pelo www.sonystyle.com.br, nas lojas Sony Style ou nas principais redes varejistas do país a partir do final deste mês de abril e disponibilidade plena no começo de maio.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

AMD 6950 e HIS 6950 – a verdade revelada – teste refeito

Não é incomum um teste provocar alguma polêmica. Ainda mais quando versa sobre placas de vídeo e feito por mim. E foi o que aconteceu na minha última coluna publicada “HIS Radeon 6950 – superando muito a AMD 6950”. Porém não foi alguma polêmica e sim uma imensa polêmica. E cabem alguns comentários preliminares.  A aparente confusão não foi causada pelo último teste, da ótima HIS 6950 e sim da versão da AMD desta mesma placa que testei meses atrás. 

Publiquei no final de dezembro passado, quase quatro meses atrás aqui e no FORUMPCsTeste AMD Radeon 6950 – ótimas impressões” , que foi sucedido em meados de janeiro (três meses atrás) pelo texto “AMD 6950 – destroçando definitivamente o DIRT2”.

O que aconteceu? Apesar de eu ter feito um primeiro teste muito completo, surgiram críticas pelo fato de eu não ter testado nenhum jogo que usasse o DirectX 11. Foi feita vossa vontade e eu dediquei uma publicação inteira para a AMD 6950 com o jogo DIRT2. Missão cumprida, eu apresentei a nova placa, testei mais de 60 cenários distintos. Os textos foram bastante lidos (milhares de visitas) , twittados, votados, comentados... Assunto encerrado. Na verdade não. Uma surpresa estava reservada para meados de abril de 2011!!

Quando elaborei o texto sobre a HIS 6950, enquanto iniciava os testes, eu me lembrei da AMD 6950 e achei que seria pertinente compará-las. Afinal eram duas soluções distintas. A placa da AMD era um modelo “referência” da empresa, uma placa não comercial, usada para dar para os fabricantes um “caminho a seguir”. Já a HIS é uma placa que sofreu uma evolução de engenharia e que prometia desempenho melhor. Eu imaginava que poderia haver diferenças pequenas, entre 5% e 10% no máximo. Mas conforme os testes com a HIS foram sendo concluídos, ao compilar os dados vi diferenças muito grandes, bem acima do que imaginava.



Eu tinha dois caminhos a seguir. Publicar os resultados apenas da HIS e os leitores que fizessem cada um suas comparações ou “dar a cara para bater” e publicar comparativamente os resultados. Preferi o caminho honesto que era colocar lado a lado os resultados e ver se alguém mais compartilhava desta situação ou se poderia ajudar a explicar o porquê destas diferenças. Esperava ajuda, discussão e debate. Mas não foi só isso que aconteceu. Recebi uma saraivada de críticas muitas delas inconformadas e não muito educadas. A título de exemplo mostro alguns destes comentários:

“paulochm - Os dois testes foram feitos utilizando os mesmos drivers? Pois só assim para explicar tamanha diferença entre produtos quase iguais.

“pclock - ...
Somente 40MHz de diferença no clock não justifica um ganho tão alto. Afinal, onde está a mágica? Cochilo de uma versus mágica da outra? Vai saber neh....

“soul_keeper -
Tem algo muito errado aí nesse teste. Ou a sua HD 6950 de referência veio com problemas ou algo pode ter ocorrido nos teste. Afirmo que é impossível essa diferença de performance, mesmo a HIS caprichando em seus componentes. Formata e refaça todos os testes e de preferência use outra placa se o caso persistir.

“nightdemon - coloca a mesma bios nas duas, seta o mesmo clock e refaz os testes
essa diferença é absurda

“soul_keeper -
Acho bom você revisar isso muito bem pq ta feio o negócio. Isso está virando piada onde eu posto. Mico total.Soul_Keeper você republica os texto do FXREVIEW em outro local?? Bom saber!! Você cita a fonte, FXREVIEW e autor??

“montagner - Nossa! Assim como a galera fiquei bastante surpreso e desconfiado do resultado. Espero ansioso pelos testes refeitos.

“malkv - Realmente nada explica uma diferença tão gritante de performance a não ser alguma falha na análise... No todo gostei da revisão, o único contra foi essa discrepância enorme de valores que tira a credibilidade do teste

E por fim que me deu a luz para o caminho correto, a abordagem para resolver a situação foi o leitor eOno com seu sensato comentário:



Resumindo, abonou a metodologia , a forma que foi feito o teste e sugeriu que apenas alguns testes mais discrepantes fossem refeitos.

O curioso é que ninguém contestou os dados obtidos no teste da HIS e sim os dados do teste de 3 a 4 meses atrás da AMD 6950. Fico consternado com isso. Como ninguém reclamou destes valores antes?? A coisa mais fácil do mundo teria sido algum leitor mais interessado ter comparado o meu teste com dados obtidos no TOM’s Hardware ou algum outro site de renome. Mas ninguém fez isso na ocasião. Só agora, com os dados da HIS 6950.

Mas consternação, mágoa e emoções à parte, como os fabricantes ainda não tinham retirado as placas, eu parti para o mais sensato que era REPETIR alguns testes. Não seria possível refazer os 228 cenários apresentados originalmente, mas segui o seguinte roteiro:

3DMARK 03 – 1024x768, 1280x800, 1680x1050
3DMARK 06 – 1024x768, 1280xX800, 1680x1050
3DMARK VANTAGE – 1024x768, 1280x800, 1680x1050
3DMARK 11 – 1024x768, 1280x800, 1920x1080

CRYSIS – 1024x768 sem AA qualidades VERY HIGH e LOW
CRYSIS – 1024x768 AA 8x qualidades VERY HIGH e LOW
CRYSIS – 1280x800 sem AA qualidades VERY HIGH e LOW
CRYSIS – 1280x800 AA 8x qualidades VERY HIGH e LOW
CRYSIS – 1680x1050 sem AA qualidades VERY HIGH e LOW
CRYSIS – 1680x1050 AA 8x qualidades VERY HIGH e LOW

DIRT2 – 1024x768 sem AA qualidades VERY HIGH e VERY LOW
DIRT2 – 1024x768 AA 8x qualidades VERY HIGH e VERY LOW
DIRT2 – 1280x800 sem AA qualidades VERY HIGH e VERY LOW
DIRT2 – 1280x800 AA 8x qualidades VERY HIGH e VERY LOW
DIRT2 – 1680x1050 sem AA qualidades VERY HIGH e VERY LOW
DIRT2 – 1680x1050 AA 8x qualidades VERY HIGH e VERY LOW

No total refiz os testes de 36 cenários, para AMBAS as placas, totalizando 72 cenários distintos. Bem menos que os 228 originais, mas foram significativos para ajudar a elucidar o mistério.

Apresento agora os valores obtidos no “re-teste”, com os valores originais e os novos dados em destaque. A seguir eu farei meus comentários.


TESTANDO DE NOVO

Nas figuras abaixo, as linhas em fundo amarelo são as que correspondem aos novos testes. As linhas em fundo branco são as que contêm os dados originais do texto anterior que gerou a polêmica.

Convém ressaltar que a oscilação dos valores obtidos pela HIS em TODOS OS TESTES foram mínimos, realmente desprezíveis enquanto as oscilações dos números da AMD 6950 foram bem mais amplos.

As linhas em fundo amarelo são as que correspondem aos novos testes. A tabela acima resume 24 cenários que foram testados de novo. As linhas em fundo branco são as que contêm os dados originais do texto anterior que gerou a polêmica.


3DMARK 03,06, VANTAGE E 11

A tabela acima resume 24 cenários que foram testados de novo.



Veja que no 3DMARK03 praticamente não houve diferenças, com as vantagens da HIS oscilando entre 6% e 10%, sendo que no novo teste as diferenças a favor da HIS foram entre 6% e 8%.

No 3DMARK06 houve uma diferença dramática. A AMD recuperou neste teste quase toda a diferença na ordem de 55% que fora constatada no primeiro teste. Mas na especial resolução de 1280x800 ainda se observou 35% de diferença, enquanto em 1024x768 e 1680x1050 não passou de 1%.

No 3DMARK VANTAGE as diferenças que chegavam a 117% despencaram para valores 2%, 10%  e 59%.  Ainda em uma das resoluções (desta vez em 1024x768) um valor excessivamente alto (os 59%).

No 3DMARK11 o teste apontou para valores totalmente “civilizados”, com diferenças oscilando entre 6% e 7% enquanto no primeiro teste oscilavam entre 30% e 51%

E NO CRYSIS??



Aqui as coisas voltam a ficar complicadas!! Se nos testes originais as diferenças em todas as resoluções ficaram entre 7% e 13% para 1680x1050 e 1280x800, nos novos testes a AMD 6950 ficou PIOR!!! As diferenças para a HIS subiram para 36% (onde antes era 9%)! Em 1024x768 as coisas ficaram ainda mais confusas! Diferenças que eram antes entre 15% e 38% nos novos testes ficaram entre 1% e 41%!!

E NO DIRT2?



De forma geral ao fazer de novo os testes em todos os casos os números obtidos pela AMD 6950 melhoraram em relação aos primeiros testes. Se antes havia variação entre 59% a 174%, agora obtive diferenças entre 37% e 60% e um único caso que a diferença foi de 140%.


CONCLUSÕES

Antes de formular minha conclusão (cristalina aos meus olhos) eu quero relembrar alguns pontos importantes do teste feito pela segunda vez. Antes que seja apontada a metodologia como responsável quero frisar que os dados obtidos pela segunda vez da placa HIS 6950 foram praticamente idênticos ao do primeiro teste. Nos 3DMARK as diferenças nos índices nunca chegaram a míseros 10 ou20 pontos (em índices representados por números de alguns milhares) enquanto nos testes dos jogos, os “frames por segundo” (fps) variaram 2 ou 3 para cima ou para baixo no máximo. Assim a forma de coletar estes dados não justifica as variações da placa da AMD.

Os números obtidos pela AMD 6950 foram CLARAMENTE ERRÁTICOS, ou seja, apresentaram variações para mais (em alguns casos) e para menos (em outros casos) de uma forma aparentemente sem sentido. Isso denota um comportamento variado da placa na mesma situação. A HIS se comportou exatamente ao contrário, ou seja, apresentou variações mínimas (desprezíveis nos dois testes). A AMD 6950 foi mais rápida em vários testes e mais lenta em outros testes.

Assim eu atribuo como causa da POLÊMICA e dos resultados divergentes, em ambos os testes, a um DEFEITO DE FABRICAÇÃO deste exemplar da AMD 6950 que me foi emprestada para testes. E eu NÃO TIVE como perceber isso no primeiro teste, pois não tinha base de comparação. Exatamente o primeiro teste que teve dezenas de comentários elogiando a placa, elogiando o teste, vários retwetts, etc.

Quando se tem base de comparação fica tudo mais claro. O teste da HIS 6950 que foi tão crucificado, zombado, que chegou a estar em certo momento com -6 votos (saldo de 6 votos negativos) está comprovadamente correto. Nada a mudar nos dados da HIS 6950.

Vocês não sabiam, mas eu DEVOLVI uma placa HIS 6970 para o fabricante, pois eu ia originalmente o teste comparando HIS 6950 e HIS 6970. Assim os leitores poderiam comparar diferença de desempenho e diferença de preço entre placas  “próximas”  e saber qual seria mais adequada para seus bolsos. Porém a HIS 6970 estava sendo EM TODOS OS TESTES mais LENTA que a HIS 6950. Se já foi o fuzuê que foi com esta comparação com a AMD 6950, imaginem a REVOLUÇÃO que ocorreria se eu publicasse testes com a 6970 mais lenta... E foi este meu azar. Tivesse dado certo o teste das duas placas da HIS esta polêmica não teria acontecido.

E a CONCLUSÃO da CONCLUSÃO é que houve TRÊS grandes responsáveis pela fuzarca que aconteceu neste teste : a AMD 6950 que está definitivamente com problema de hardware, EU MESMO por não ter percebido isso e não ter feito a infeliz comparação e por fim TODOS OS LEITORES que aplaudiram e concordaram com os resultados do primeiro teste, pois se lá atrás isso tivesse sido descoberto (por mim ou pelos leitores) a polêmica teria sido evitada.

Mas querem saber... No final até que foi bom. Gerou confusão , divergência, “tiroteio”, ofensas para lá e para cá e me fez RETESTAR as placas de escrever este segundo texto com o “mea culpa”, mas divindo com a placa e com os leitores!

domingo, 17 de abril de 2011

HIS RADEON 6950 – superando bastante a AMD 6950

Não faz muito tempo que eu testei a placa AMD Radeon 6950 e agora recebi a HIS 6950 e obviamente quis confrontá-las. A saber, o modelo já testado da AMD era uma placa “referência”, ou seja, era um modelo que praticamente serviria para ensinar para aos fabricantes como fazer uma boa placa de vídeo com a nova GPU. Por sua vez a competente fabricante HIS parece que aprendeu a lição e superou o mestre com louvor. 

Eu já tinha ficado impressionado com os resultados da AMD 6950 por seu desempenho tanto em benchmarks sintéticos como nos jogos (ótimos fps – frames por segundo).  Não esperava diferenças de desempenho muito significativas, mas não foi isso que ocorreu.

CONHECENDO MELHOR A HIS 6950

Mas antes de mergulhar nos resultados dos testes, vamos conhecer um pouco mais a HIS 6950. Por ser uma placa de video “top” ela é de “corpo duplo”, ou seja, ocupa o espaço de duas placas (tendo como referência os encaixes da placa mãe e no gabinete do PC).





Ambas (AMD e HIS) foram testadas na versão com 2 GB RAM DDR5. Convém também chamar a atenção para o fato da HIS 6950 (como a AMD 6950) precisarem de dupla alimentação de energia. São necessários dois “rabichos” de fonte PCI-e para suprir a energia por ela demandada. Aliás, energia é assunto com o qual eu me preocupo particularmente. Esta placa consome no pico de utilização até 225 W. É um valor alto, afinal para entregar o desempenho “estelar” que ela proporciona, muitos watts são requeridos. Mas duas observações devem ser feitas. E relação a placas “top” de gerações anteriores tem havido sensível redução de consumo.  Não raro era ver placas consumindo 300, 400 watts ou até mais. Outro ponto de destaque é que quando não exigida seu consumo cai para 20 a 25 watts apenas. Dessa forma tem-se o melhor dos dois mundos, economia quando em uso quotidiano e desempenho e consumo mais elevado apenas quando solicitada a fundo.



As características técnicas da HIS 6950 são muito semelhantes à AMD 6950 já testada. Cabe destacar sua GPU de 800/840 Mhz,  arquitetura dos shaders VLIW4, 1408 stream processors, 88 texture units, que são capazes de entregar 2.25 TFLOPs de capacidade de processamento.



O conjunto vem completo. Manual, CD com drivers, dois adaptadores para fonte (para alimentar os conectores de energia PCI-e), um adaptador DVI-VGA e cabo para realizar crossfire (conectar duas placas). Oferece dois conectores DVI (resolução até 2560x1600), um conector HDMI e dois conectores Display Port 1.2.



Também convém ressaltar que a 6950 está pronta para usar a tecnologia AMD Eyefinity que permite conectar até 4 monitores ao mesmo tempo, montando uma única visão bem ampliada.

Também conta com a tecnologia HD3D que transmite ao mesmo tempo duas imagens separadas para cada um dos seus olhos à uma resolução acima de 1080p. Com suporte para óculos HD3D esta inovadora tecnologia vem com Stereo 3D gaming, Blu-rayTM 3D, 3rd Party Stereo 3D middleware software e suporte para a Série 6900.


E O DESEMPENHO??

Esperávamos ter recebido da HIS o modelo IceQ das placas 6950 e 6970, mas vieram as placas “normais”. Os modelos IceQ da HIS são variações das placas que contam com sistema de refrigeração ainda mais sofisticado e que permitem ao usuário explorar overclok da GPU e assim obter ainda mais desempenho das placas. Mas mesmo não sendo a versão IceQ as placas testadas brilharam em todos os testes. A começar pelo nível de ruído que é incrivelmente baixo. Praticamente não se ouve a placa trabalhando, mesmo em situação de alta demanda.

Este teste também contemplaria a HIS modelo 6970, mas o exemplar recebido não estava em perfeito funcionamento e será trocado para novo teste em outra ocasião.

Foram feitos “poucos” testes. Mas exploraram a fundo as variações e alternativas. Foram usados os benchmarks sintéticos :
- 3DMARK03
- 3DMARK06
- 3DMARK VANTAGE
- 3DMARK11 (testa capacidade DirectX11)


Estes programas foram usados nas resoluções 1024x768, 1280x800 e 1680x1050 e para cada um deles obtido um índice 3DMARK. Limitou-se a 1680x1050 pois esta é a resolução máxima do monitor disponível (curiosamente apesar disso o teste 3DMARK11 pode ser feito na resolução 1920x1080).

E foram testados também dois jogos :

- Crysis
- DIRT2


Estes jogos foram testadas em TODAS suas possibilidades de resoluções, qualidades e uso ou  não de AA (anti aliasing – filtro gráfico que melhora o visual pelo aprimoramento das bordas das figuras). Foram 96 testes no Crysis e 120 testes no DIRT2 (contando as duas 6950). No total foram 216 cenários distintos para as duas placas. As medidas tomadas foram em “frames por segundo” (fps) usando o programa FRAPS sempre no mesmo local e momento dos respectivos jogos.


TESTES 3DMARK 03, 06, Vantage e 11



As surpresas (positivas) a favor da HIS 6950 começaram aqui. Programa mais antigo, que explora menos as placas, o 3DMARK03 apresentou diferenças entre 6% e 10% entre as duas placas nas resoluções testadas. Já no 3DMARK06 estas diferenças subiram para valores perto de 55% a favor da HIS 6950. No 3DMARK Vantage a oscilação a favor da HIS foi entre 35% e 117%!! Por fim no 3DMARK11 a diferença a favor da HIS foi grande nas baixas resoluções (51%) e mínima na máxima resolução (2%).

Confesso que imaginava, antes de iniciar os testes, que seria até monótono e previsível o ato de constatar diferenças sempre entre 5% ou 10%, mas não foi nada disso que aconteceu como provado nos números obtidos e compartilhados com os leitores.

Mas e com jogos, em um cenário REAL?? Como se comportariam estas duas placas?? A vantagem seria nas mesmas proporções??


TESTANDO O CRYSIS

Ok, eu sei que o CRYSIS já não é mais o MEGA VILÃO entre os jogos, aquele que mais consome recursos. Mas ainda é PARA MIM um excelente “termômetro” e base de comparação. E ainda assim é necessário ter uma ótima placa para rodar este jogo com plena desenvoltura. Tanto que NENHUMA solução de video “onboard” (na placa ou no processador) permite boa experiência com este jogo. As qualidades testadas foram LOW, MEDIUM, HIGH e VERY HIGH com AA (anti aliasing) 8x, 4x, 2x e sem AA nas resoluções 1024x678, 1280x800 e 1680x1050.







No “mundo real” as diferenças ficaram mais “civilizadas”. Em 1024x768 a vantagem da HIS foi entre 15% e 30%. Na resolução 1280x800 a vantagem da HIS foi entre 11% e 32%. E finalmente na resolução 1680x1050 a vantagem da HIS foi entre 8% e 16%.

Se eu esperava antes de testá-la uma vantagem entre 5% e 10% da 6950 HIS sobre a 6950 referência da AMD, em um jogo como CRYSIS a vantagem pode ser considerada sensível. Parabéns aos engenheiros da HIS que conseguiram obter mais com a mesma GPU.

TESTANDO O DIRT2



A escolha pelo DIRT2 se deveu a dois fortes motivos. É também um jogo razoavelmente pesado. Mas também pelo fato de ser um jogo que utiliza DirectX 11. As qualidades testadas foram ULTRA LOW, LOW, MEDIUM, HIGH e ULTRA HIGH com AA (anti aliasing) 8x, 4x, 2x e sem AA nas resoluções 1024x678, 1280x800 e 1680x1050.






O que aconteceu aqui foi dramático. As diferenças em quaisquer resoluções e níveis de qualidade foram muito grandes, oscilando entre 59% e 170%!!! A 6950 AMD já tinha um nível de desempenho ótimo em todos os casos. A HIS 6950 superou todas as expectativas neste teste. Veja por exemplo na resolução máxima testada (1680x1050) que o desempenho oscilou entre 242 fps e 101 fps, dependendo do nível de qualidade e AA utilizado. Há quem diga que acima de 30 fps já é uma experiência muito boa, acima de 60 fps algo fabuloso!  Este nível de desempenho mostra o quanto o “motor” da HIS 6950 está até sobrando para este jogo. Isto sugere que em resoluções ainda maiores (que não puderam ser testadas) o desempenho também será bastante adequado.


CONCLUSÃO



Como mencionado a placa AMD 6950 é um modelo referência para orientar os fabricantes na fabricação de suas soluções. É inegável o progresso feito pela engenharia da HIS ao aprimorar a solução “padrão”. E isso deve trazer para todos os consumidores um alerta, algo que não era muito considerado por mim mesmo anteriormente. Se três ou quatro fabricantes produzem uma placa de vídeo com o mesmo chip (no caso a GPU AMD 6950), pode haver diferenças consideráveis entre as distintas soluções e o consumidor deve estar ciente e alerta para isso. Cada fabricante ao tomar decisões relativas a detalhes do projeto pode impactar custo e desempenho de uma maneira mais sensível do que se poderia imaginar. Usando o programa GPUz que detalha informações da GPU, descobri que  HIS roda a 840 Mhz enquanto a AMD 6950 roda a GPU a 800 Mhz. Isso explica parte da diferença de desempenho. Trata-se de um “overclock oficial de fábrica” (com garantia do fabricante).




Diferenças em relação à AMD 6950 à parte, a HIS 6950 chamou minha atenção por vários aspectos. É muito silenciosa, quase não se percebe seu funcionamento. Foi muito robusta, sem apresentar instabilidades mesmo após horas de funcionamento ininterrupto sendo bem exigida.  Seu consumo de energia é bastante adequado pois durante os testes acresceu entre 120 W e 190 W (não chegou aos 225 W nominais divulgado pelo fabricante). É muito bem construída e bem acabada!!

A HIS disponibiliza duas versões desta placa, com 1 Gb DDR5 e 2 Gb DDR5, sendo a primeira um pouco mais barata. A HIS não informou o preço “sugerido”, mas pesquisando por ofertas desta placa descobri que ele vem sendo vendida no mercado por valores entre R$ 990 e R$ 1200.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

A incrível tecnologia da F1


Este texto foi escrito e publicado há algum tempo, mas quero resgatá-lo por causa da incrível velocidade com a qual evoluem as necessidades e recursos de Formula 1. Seja a demanda de hardware, seja a demanda por comunicação ou a montanha de dados que são analisados. E este texto confronta em certo momento a sensibilidade da máquina versus a sensibilidade do ser humano.
 

Os apreciadores da velocidade como eu, sempre se questionam se as corridas eram mais emocionantes quando a plataforma tecnológica não era tão evoluída. Eram tempos que o piloto tinha maior importância. Mas será que é isso mesmo? Eu era um pirralho na época que Emerson Fittipaldi foi bi-campeão de fórmula 1 e desde então acompanho estes gladiadores em seus cavalos mecânicos de tempos modernos.


Eu estive na quinta feira que antecedeu o 34º GP Brasil de Formula 1 em uma visita aos boxes da equipe Ferrari, por convite da empresa AMD que é patrocinadora da Ferrari há alguns anos. Interessante esta parceria com esportes por parte da AMD. Ela também patrocina o mega campeão de ciclismo Lance Armstrong , vencedor consecutivo de 7 edições do “Tour de France” (o Schumacher do ciclismo). Mas ao contrário do que poderia parecer o patrocínio não se limita à exibição do logotipo da AMD em troca de polpudos punhados de dólares para as respectivas equipes. No caso concreto da equipe Ferrari, que eu pude conferir de perto, o patrocínio se dá pelo uso da tecnologia AMD em seu mais alto grau nos bastidores.

Parte do conjunto de workstatations de apoio à telemetria
A Ferrari não vive o melhor de seus anos por conta de mudança recente dos regulamentos. Quem se adaptou melhor e mais rápido está na frente como a Renault que com Fernando Alonso fez o campeão do mundo mais novo da história com apenas 24 anos. Mas com certeza se não é um grande ano para a Ferrari isso não se deve nem ao seu staff técnico nem à retaguarda tecnológica. Preciso confessar uma coisa. Eu sabia que os times da F1 eram super profissionais, mas o que vi nesta 5ª feira me surpreendeu sobremaneira.

Eram dezenas de pessoas em atividade frenética, em um dia que sequer um carro iria à pista. Estudavam dados de telemetria de edições anteriores de GP Brasil bem como os dados da última corrida em busca de alguma informação perdida, um desvio do comportamento do motor, uma atividade incomum na suspensão etc. Tudo isso sendo feito por um batalhão de mecânicos (??) cada um com seu notebook, comandados pelo brilhante estategista o sul africano Ross Braun.



Análise de telemetria em tempo real
A sala de telemetria por si é um show à parte. Contei 12 workstations AMD Opteron 64 de alta capacidade. Estas workstations (foto acima) são embutidas em tipos de conteiners para facilitar o transporte pelo mundo todo (são 19 corridas neste ano). Uma montagem prática e engenhosa. Veja nas fotos abaixo um técnico da AMD realizando tarefas de manutenção em uma parte destas workstations.



Manutenção da fortaleza de informações

Pelo que entendi cada uma delas é responsável pela aquisição e análise preliminar de conjuntos de variáveis que são estudadas em cada carro. Nem vale a pena dissertar sobre elas, pois seria uma quantidade muito grande e um assunto muito técnico, mas somente para ilustrar vamos pensar em aceleração, freio, velocidade, força G, inclinação da suspensão etc. Além dos sensores que transferem dados por sistemas de rádio surpreendi-me ao ver que há também sensores que são montados no chão nos pontos de parada no box.

Mas o ponto alto da visita, além de todos os momentos de tietagem explícita nos boxes foi a conversa com Dieter Gundel responsável por toda área de TI da equipe Ferrari. Foi uma conversa deliciosa com um grupo de sete jornalistas em um ambiente super informal e descontraído, no fundo dos boxes. Dieter Gundel tem uma longa experiência. Trabalha na Ferrari há dez anos e, portanto acompanhou a ascensão da equipe e viveu todos os seus dias de glória, os seis títulos de construtores e os cinco títulos de pilotos com Michael Schumacher.


Dieter Gundel-chefe de TI da Ferrari

Gundel comentou que em uma corrida são coletados de 2 a 4 Gbytes de dados de cada carro. Isso parece muito! Ainda mais se levarmos em conta que são dados exclusivamente numéricos. Esta montanha de dados é avaliada em tempo real pela equipe durante a corrida visando antecipar algum problema. Além disso, fornecem aos pilotos subsídios que os permitem durante uma corrida ou durante uma volta voadora na sessão de qualificação efetuar ajustes finos feitos pelos próprios pilotos dentro do carro. Não sei se já repararam, mas o volante de um carro de Formula 1 tem uma quantidade enorme de botões e ajustes. São cerca de vinte regulagens que podem ser feitas, fruto de sua própria sensibilidade ou por orientação dos boxes. Seja para alterar o comportamento do carro de uma curva para outra em função das diferenças intrínsecas do circuito ou para atenuar ao longo da corrida os efeitos do desgaste dos pneus alterando características de reação de suspensão etc. Todos estes dados são armazenados para estudo futuro. Serão úteis no caso de uma nova pista ser incluída no calendário que tenha características semelhantes ou mesmo para avaliar e comparar os dados em uma única curva parecida de outro circuito.

Perguntei para Gundel se Interlagos pelas características de relevo, subidas, descidas apresentava problemas com a aquisição de dados de telemetria. Ele respondeu que é exatamente o contrário disso, a pista tem grande facilidade de recepção de dados e é das melhores neste aspecto, ao contrário de outras como, por exemplo, Hockenhein na Alemanha, quando pista ainda tinha quase sete quilômetros, Floresta Negra adentro.

Não resisti e perguntei para Dieter Gundel como fica a sensibilidade do piloto com toda essa quantidade imensa de dados : “Sr. Gundel, conta-se que Ayrton Senna tinha uma sensibilidade tão aguçada em relação às reações do carro que por vezes Ayrton ficava quase uma hora descrevendo detalhadamente uma única volta,suas impressões do carro, curva a curva, reta a reta. Como se aproveita esse talento junto com os dados frios e matemáticos da telemetria?”

A resposta de Dieter Gundel foi memorável : ” Ele frequentemente gastava mais tempo do que isso! Eu trabalhei com Senna na Mclaren de 1990 a 1993. Foi uma experiência incrível e dois títulos mundiais.Os dados de telemetria são extremamente importantes mas são na essência uma massa gigante de dados. Sem análise não tem serventia. Por isso atualmente contamos com nossa parceira AMD para sermos capazes de digerir esta montanha de números e fazermos isso se transformar em melhor desempenho. É muito útil por exemplo confrontarmos os dados dos dois pilotos da equipepois conseguimos mostrar para eles onde podem ser mais rápidos se comparado com o outro. No caso de pilotos tão talentosos e sensíveis como era Senna e como são Michael e Rubens a percepção deles é fundamental em caso de dúvidas na interpretação dos dados. Eles têm a palavra final, afinal são eles que sentam no cockpit, são extremamente profissionais e são capazes de perceber reações como nenhum sensor pode sentir. É de fato um trabalho de equipe, cada um dando a sua contribuição naquilo que pode. Hoje em dia seria impensável dispensar a tecnologia. Não há retorno. Assim como procuramos ter também os melhores pilotos temos que ter a melhor tecnologia. ”

Senna-mais de uma hora descrevendo uma única volta-segundo Dieter Gundel
Dieter Gundel explicou um pouco melhor que os recursos tecnológicos são usados além da função óbvia da telemetria. Computadores muito poderosos estão disponíveis na sede da Ferrari onde têm aplicações vitais no estudo da aerodinâmica do carro. Após estudos em túneis de vento uma porção gigante de dados precisa ser interpretada. A função CFD (Computacional Fluid Dynamics) visa modelar o comportamento do fluxo de ar pelo perfil dos carros e mesmo antes de testá-lo no túnel de vento. Assim podem simular as reações de uma modificação proposta em um componente do carro (um aerofólio, uma aleta, um defletor etc.) e com isso ter maior agilidade no processo, só submetendo a caros e complicados testes de túnel de vento aquilo que já foi bem testado pelos supercomputadores da Ferrari. Há também modelos matemáticos que visam simular o funcionamento dos motores em diversas condições como pressões atmosféricas e relevos distintos, variações na composição da gasolina e diferentes ajustes intrínsecos do mesmo. É inimaginável a quantidade de operações matemáticas necessárias para este tipo de simulação.

Para ilustrar esta complexidade temos um exemplo. A equipe Sauber, que também usa motores Ferrari recém concluiu a implantação de seu super computador, o qual foi batizado de ALBERT. O Albert conta com 530 processadores AMD Opteron 64, pesa 18 toneladas e é capaz de efetuar 2.3 trilhões de operações por segundo. Seu uso primordial é assim como na Ferrari, o estudo fluidodinâmico visando evoluções na aerodinâmica de seus carros. A Sauber apesar de usar motores Ferrari não teve o mesmo grau de sucesso que a mesma. Em 2006 sob a grife BMW (que comprou a equipe), com novo motor (BMW-claro), com um também novo túnel de vento e com a ajuda de ALBERT quem sabe possa se tornar uma grande equipe.

O super computador ALBERT da Sauber-530 processadores AMD Opteron
Foi uma experiência única esta visita nos bastidores da Ferrari. Estive em Interlagos no domingo e assisti o grande prêmio. Foi interessante, divertido e até emocionante em alguns momentos. Mas muitas vezes ficava imaginando aquele exército de competentes engenheiros, mecânicos e técnicos em frenética atividade “engolindo” os vários gigabytes de dados dos carros procurando impulsionar um pouco mais as Ferraris de Schumacher e Barrichello!

Além da AMD a gigante INTEL ingressou em 2005 como patrocinadora da equipe Toyota de formula 1. Não tive a oportunidade e felicidade de visitar os bastidores da Toyota como fiz na Ferrari. Acredito que tirando o tempo (a AMD acompanha a Ferrari há vários anos), a estrutura, competência e dedicação semelhantes devem existir por parte da INTEL com a Toyota. Com o acirramento e aumento da competitividade destas equipes será interessante acompanharmos a “corrida” destes dois competentes fabricantes de processadores, que já têm ampliado seu embate neste mercado. Nada como um pouco de gasolina de F1 para por fogo nessa sempre interessante disputa!!

PS : este texto foi originalmente publicado em minha sessão de colunas no site FORUMPCs

Uma criança feliz em um playground tecnológico e de alta velocidade

domingo, 10 de abril de 2011

Placa mãe ASUS P8P67 DELUXE – turbinando o Sandy Bridge

A recém lançada nova plataforma da Intel, codinome Sandy Bridge, chegou no começo do ano trazendo a segunda geração de processadores de 32 nm. Os novos  Core i3, Core i5 e Core i7 exigem a utilização de uma nova placa mãe.  Testei há algumas semanas o processador topo de linha desta geração e relatei no texto “Intel Core i7 Sandy Bridge pulverizando recordes”. Estes novos processadores clamam por uma placa de boa qualidade.

A ASUS nos emprestou para testes seu modelo P8P67 DELUXE, uma placa que nos surpreendeu em vários aspectos. Aliás, parece que há uma tendência no mercado. Não só esta placa topo de linha da ASUS, mas outros fabricantes estão primando pela aparência da placa. A P8P67 DELUXE é linda, se é que se pode dizer isso de uma placa, mas é minha opinião. E a beleza não é apenas estética. É também ligada ao uso de materiais nobres, componentes diferenciados e de alta qualidade.





Especificações Técnicas :

CPU :
·         Soquete LGA1155 para a  segunda geração de processadores Core i7/i5/ i3
·         Suporte a CPU de 32 nm
·         Suporte à tecnologia Intel Turbo Boost  2.0   

Chipset :
·         Intel® P67 Express Chipset 

Memória:
·         4 x DIMM, max. 32GB, DDR3 2200(O.C.)/2133(O.C.)/1866(O.C.)/1600/1333/1066 MHz, non-ECC, un-buffered memory
·         Dual channel memory architecture
·         Supports Intel Extreme Memory Profile (XMP)

Slots de expansão :
·         2 x PCI Express 2.0 x16 slots (single at x16 or dual at x8/x8 mode)
·         1 x PCI Express 2.0 x16 slot [Black] (at x4 mode, compatible with PCIe x1 and x4 devices)
·         2 x PCI Express 2.0 x1 slots
·         2 x PCI slots

Suporte a multi GPU :
·         Supports ATI Quad-GPU CrossFireX Technology
·         Supports NVIDIA Quad-GPU SLI Technology

Armazenamento :
·         Intel P67 Express Chipset
o    2 x SATA 6.0 Gb/s ports (gray)
o    4 x SATA 3.0 Gb/s ports (blue)
o    Intel Rapid Storage Technology supports RAID 0, 1, 5 and 10
  • Marvell PCIe 9128 SATA 6Gb/s controller with HyperDuo function
o    2 x SATA 6.0 Gb/s ports (navy blue)
    • JMicron JMB362 SATA controller
    • 2 x eSATA 3.0 Gb/s port

BlueTooth
·         Bluetooth v2.1 + EDR
·         ASUS BT GO! Utility

Áudio :
·         Realtek ALC892 8-Channel High Definition Audio CODEC
o   Absolute Pitch 192khz/24bit True BD Lossless Sound
o    BD Audio Layer Content Protection
o    DTS Surround Sensation UltraPC
o    Supports Jack-Detection, Multi-streaming and Front Panel Jack-Retasking
o    Coaxial/Optical S/PDIF out ports at back I/O
IEE 1394 :
·         VIA 6315N controller supports 2 x IEEE 1394a ports (one at mid-board; one at back panel)
USB :
·         2 x NEC USB 3.0 controllers
o    2 x USB 3.0 portas no painel traseiro
o    2 x USB 3.0 portas na caixa de expansão
·         Intel P67 Express Chipset
o   12 x USB 2.0 ports 4 ports at mid-board, 8 ports at back panel
REDE :
·         2 x Gigabit LAN Controller




Alguns recursos eram esperados como, por exemplo, a presença de portas USB 3.0 (que começam a sobressair nas placas mais novas). Há também 4 conectores SATA 6 para instalação de HDs SATA com alta velocidade de transferências de dados (são 8 conectores SATA no total). Há também duas convenientes portas eSATA para conexão de HDs externos que usem este tipo de conector.

Há também 3 slots PCI-Express para uso de múltiplas placas de vídeo, da seguinte forma : 1 PCIe 16x ou 2 PCIe 8x ou 3 PCIe operando a 8x/8x e 4x.



Mas entre os recursos que chamaram a atenção um deles capturou minha atenção. É o suporte a Blutooth!! Inicialmente achei muito estranho, mas rapidamente percebi que faz muito sentido. Os notebooks quase todos hoje suportam esta forma de comunicação que permite a troca de informações entre o PC, telefones celulares, smartphones, reprodutores de MP3, etc. Porque não te o mesmo nível de integração e comunicação com o desktop?

Há também os botões de comandos na própria placa para LIGA/DESLIGA e para RESET. São recursos muito úteis principalmente para os usuários que ainda em uma bancada estão realizando testes ou fazendo overclock da mesma. Também útil para quem está explorando a placa mais a fundo é o painel de informações que apresenta com dois dígitos  os códigos de controle que informam o estágio do processo de “boot”. Também podem sinalizar algum erro (ou em que estágio travou o processo em caso de overclock).

Outra boa surpresa foi a tela de configuração da BIOS em modo gráfico e com suporte a uso de mouse. Eu confesso que vinha me aborrecendo com as telas de configuração que têm a mesma aparência desde meados dos anos 80, isso não é exagero. Na figura abaixo, na parte inferior há os desenhos de dois HDs e um drive de DVD. Para forçar o boot pelo DVD basta usar o mouse e arrastar o desenho do DVD para o começo, fácil assim. Este é o chamado EASY SETUP que contém quase todas as possibilidades de configuração. Caso o usuário se sinta mais a vontade com a tela tradicional, a qual abre algumas opções mais avançadas, esta pode ser acessada pelo “Advanced Mode”.



A ASUS tem recursos próprios entre eles o “DUAL INTELLIGENT PROCESSORS 2”. Trata-se de chips especializados presentes na placa mãe que trazem recursos adicionais. Um dos componentes críticos em uma placa mãe é o responsável pelo ajuste de voltagem, chamado de VRM. Nesta linha de produtos a ASUS mudou o VRM para uma versão digital, a qual oferece melhor precisão e menor retardo (delay) nos chaveamentos. É o novo DIGI+ VRM que permite controle amplo pela BIOS ou pelo Windows. São ajustes sensíveis e críticos para quem faz overclock com 16+2 “power phase”.

O segundo elemento presente é o EPU. Trata-se de um recurso de auto ajuste que visa desacelerar dinamicamente o sistema para economia de energia, identificando momentos de ociosidade.  Este recurso pode ser habilitado pela BIOS ou por uma chave na placa.  Analogamente o TPU é um micro processador especializado que ajuda a obter overclock de forma mais simples e estável auxiliado por um módulo de programa da ASUS chamado TurboV presente no ASUS Suite.


Testes de Desempenho

Tenho por hábito submeter as placas a um conjunto de testes que procuram estressar a plataforma, com programas que demandam intensamente os recursos, placa e processador. A configuração usada para o teste foi:

Placa mãe : ASUS P8P67 DELUXE
Processador : Intel Core i5 2500k – 3.3 Ghz (32 nm Sandy Bridge)
Vídeo : AMD Radeon 6950
HD : Seagate 500 Gb 7200 rpm
Memória : 4 Gb DDR3 1333 Mhz
Sistema Operacional : Windows 7 Professional 64 bits

IEW : índice  de experiência do Windows. O mais simples dos testes, nativo no Windows 7, apresentou resultado de 7.5 (máximo de 7.9) para processador e 7.6 para o vídeo (Radeon 6950) e também 7.6 para tempo de acesso à memória. Acabou no cômputo geral limitado a 5.7 por causa do desempenho do HD (5.7)


PCMARK Vantage : é um benchmark sintético que explora diversos aspectos do PC. Neste teste obteve índice 8686 que é substancialmente alto, graças à dupla placa+processador. PCs com índices acima de 4000 já são considerados bem velozes.



PASSMARK Performance Test : também é um benchmark sintético que analisa diversos aspectos do PC como o PCMARK Vantage. Neste teste obteve índice  1957, valor bastante expressivo pois se aproxima do máximo já obtido pelo processar Core i7 (um pouco acima de 2000 pontos).



SisSANDRA Artithmetic  :  é um teste específico de poder computacional em operações de ponto flutuante. Este teste utiliza todos os núcleos do processador. Obteve valor final de 63 GOPs, que é um resultado mais alto do que um processador Quad Core de geração anterior que obteve pouco mais de 50 GOPs.



SUPERPI mod 1.5  :  é um tradicional referencial entre os usuários entusiastas. Este programa usa apenas um núcleo do processador. Mas é um teste de grande valia, pois o processador usado tem o recurso TurboBoost, que acelera o clock do processador quando demandado e outros núcleos estão inativos. Foram medidas todas as possibilidades de cálculo de PI entre 16 mil e 32 milhões de casas decimais. Tomando os casos de 1 milhão de casas, 11 segundos, e 4 milhões de casas, 56 segundos, são valores muito expressivos, muito rápido e eficiente.



WPRIME  :  também é um tradicional programa de testes  entre os usuários entusiastas que ao contrário do SUPERPI, usa todos os núcleos do processador para efetuar cálculos complexos de raízes quadradas por um algoritmo que usa números primos. O cálculo mais complexo (1024 M) levou 333 segundos, comparando com o mesmo processador Quad Core de geração anterior, este foi cerca de 150 segundos mais lento.



CONCLUSÃO

A placa P8P67 DELUXE da ASUS vem ao mercado para suprir a demanda por placas de qualidade para uso com a plataforma Sandy Bridge. Não obtive o preço “oficial” com a ASUS, mas procurando no mercado achei locais onde a placa é vendida entre R$ 890 e R$ 960. Isso evidencia o nicho de mercado que pertence a P8P67 DELUXE aliado ao conjunto de ricos recursos da mesma. A ASUS tem uma versão ligeiramente mais simples desta placa que é a P8P67 com apenas 2 slots PCI-Express, não tem o módulo externo com duas USB 3.0 a mais e não tem os 2 conectores eSATA.

Nos testes feitos a robustez foi destaque. Para o tipo de PC é o mais importante, pois quem opta por um desktop mais sofisticado tem necessidade de maior poder de processamento. Os recursos Dual Lan, suporte Blutooth,  novo gerenciamento de voltagem (VRM) que facilita usuários sofisticados a configurar oveclock,  uma nova tela gráfica de configuração de BIOS e recursos para overclock dinâmico simplificado são destaques que não podem passar em branco.  Isso tudo graças a postura de mercado mais agressiva da ASUS ao trazer para o Brasil bons e evoluídos produtos. O mercado agradece.

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