quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rede Definida por Software (SDN) afinal o que é isso?

A HP divulgou neste dia 10 de setembro a disponibilidade de mais uma camada de sua solução de SDN, ou seja, Software Defined Network. Não apenas isto, mas também a parceria com empresas brasileiras e a equipe de P&D da HP para a criação de aplicações para esta nova arquitetura de infraestrutura convergente. O tema é estimulante e desperta muita curiosidade. Mas acho justificável investir um tempo no aprofundamento deste conceito. Afinal o que é uma Rede Definida por Software?? Confesso que eu como profissional de TI ainda não tinha consolidado este conhecimento até então.  

Obviamente o conceito de SDN se opõe à rede vista puramente como um conjunto de equipamentos ou elementos de hardware. Mas a magia do SDN passa exatamente pelo aspecto de “esconder” muitas das complexidades do ambiente e automação de processos muito importantes. Mas para compreender estes benefícios preciso explicar um pouco das características e necessidades de uma rede física. Será feito da forma menos técnica possível.


Imagine um Data Center com centenas ou milhares de servidores todos conectados a uma rede por um meio físico como cabos Ethernet (ou mesmo ópticos). Um dos imensos desafios em termos de configuração de uma rede grande assim é isolar pedaços de rede ou sub-redes como são chamadas. Por que isolar trechos de rede? Inicialmente porque com certeza há dezenas de aplicações distintas e muitas vezes (no caso de Data Centers) até mesmo existem muitas empresas diferentes compartilhando a estrutura. Quando o meio físico é o mesmo qualquer mensagem que trafega na rede é “escutada” por todos os dispositivos. Quando são 50 ou 100 é uma coisa, mas quando são milhares, muitas vezes o meio físico fica bem congestionado e ocorrem o que são chamadas de “colisões de dados”.

Quando dados colidem pacotes de informação são perdidos e os dados precisam ser retransmitidos que resulta em perda de fluência e velocidade na rede. Algumas aplicações como, por exemplo, consumo de mídia (som, vídeo e mesmo telefonia IP) são extremamente prejudicados quando uma rede tem altas taxas de retransmissão. Em uma rede física os competentes administradores conseguem dividir uma rede física em muitas VLANs (redes virtuais) e resolvem facilmente o problema. Facilmente em termos, pois se o ambiente é muito grande dezenas de switches (ou mais) precisam ser programados um a um para realizar este tipo de divisão e separação de tráfego.

Separação de tráfego de redes também é essencial pelo aspecto de segurança. Em um grande Data Center não há porque dados de uma empresa trafegarem na mesma rede de outras empresas. Faz sentido, não faz?

Mas esta descrição é apenas um breve exemplo de situação na qual a intervenções de operadores e administradores de rede são necessárias. Mas há algo ainda mais nobre, algo que apenas o conceito de SDN pode proporcionar que é a rede ser sensível ao tipo de aplicação que a utiliza. Tudo começa pela interoperabilidade entre diversos tipos de equipamentos incluído diferentes fabricantes (não apenas HP). Um padrão definido pelo mercado chamado OPENFLOW garante que esta gama de dispositivos serão capazes de interagir entre si. No caso da HP atualmente cerca de 40 de seus switches já têm a capacidade de entender esta linguagem OpenFlow. Mesmo switches que já estão no mercado e instalados nas empresas, muitos deles podem ter seu software atualizado sem custo para incorporar esta capacidade.

A figura 01 mostra brevemente as diversas camadas que compõem a solução. Tudo começa pela camada física (de baixo para cima) onde estão os dispositivos de hardware como switches, NICs (placas de rede), etc. A segunda camada contém os elementos de controle. A terceira camada residem as aplicações que serão capazes de usufruir de recursos da rede e na última camada os recursos de gerenciamento em larga escala.


figura 01 – Arquitetura da Solução SDN da HP


Isso tudo ainda é um pouco abstrato, eu reconheço. Mas um dos exemplos divulgados pela HP é muito esclarecedor. A Microsoft dispõe de uma solução de comunicação corporativa chamada LYNC. É resumidamente um sistema de mensagens instantâneas empresarial. Há também recursos de voz e vídeo que podem ser usados com esta ferramenta. Em uma rede grande é tarefa bem complexa programar todos os switches para disponibilizarem prioridade no tráfego isócrono (dados que são dependentes de tempo sincronizado – áudio e vídeo por exemplo). E mesmo assim por ser tarefa manual é simples deixar de contemplar vários dos equipamentos por isso ter comportamento heterogêneo na rede.

Mas e se o LYNC ao ser executado no ambiente da rede tivesse a capacidade de solicitar o tipo de prioridade que ele precisa para que seu tráfego flua da melhor maneira possível? E se isso fosse dinâmico? E melhor! Ao receber a solicitação é o controlador da rede que entrega a qualidade necessária sob demanda programando de forma automática todos os dispositivos necessários e devolve os recursos alocados para a rede (se assim definido) tão logo acabe aquela demanda. Este é o “filet-mignon” da aplicação de Rede Definida  por Software (SDN).

Este é apenas um exemplo. Aplicações diversas ligadas a muitas áreas estão sendo desenvolvidas relacionadas com acesso a dados, ERP, consumo de mídia, etc. A HP vem trabalhando fortemente as parcerias com empresas que têm esta expertise para fazer chegar ao ecossistema todo este valor agregado. Segurança é outro aspecto fundamental uma vez que a rede pode ter inteligência para detectar comportamentos anômalos e isolar pontos com atividades suspeitas melhorando ainda mais as contra medidas defensivas implementadas por outros elementos da rede como Firewalls, IPSs, etc.

Mas a despeito das “aplicações inteligentes” o conceito de SDN usado no gerenciamento do ambiente de rede atual traz uma grande capacidade de gestão nos recursos. Falando claramente a HP tornará disponível no começo de outubro a camada de “controle” (a segunda de baixo para cima na figura 01). Aplicações que usem a fundo a inteligência da SDN existem ainda em provas de conceito (como o exemplo do LYNC), mas já operacionais. Mas será no começo de 2014 que chegarão em maior quantidade ao mercado estas novas aplicações que saberão usar a rede de forma muito mais inteligente e dinâmica.

Isso tudo tem potencial para transformar a maneira como os processos de negócio interagirão com a infraestrutura da empresa. De forma bem mais ágil e beneficiando o objeto fim de cada corporação que é o seu “core business”. Os administradores de rede terão que conciliar as necessidades das aplicações gerenciando políticas de acesso e requisição de recursos de forma que umas não subtraiam recursos da outras. Terão que incorporar a visão do negócio para saberem como gerar os resultados com as aplicações dos usuários. Programar dezenas de switches e roteadores não será mais parte de sua atribuição uma vez que “A REDE” será um elemento “vivo” que ele terá que coordenar de uma outra forma. Dias melhores virão para as empresa e os tutores de suas redes.



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Conheça os 10 sintomas mais comuns de uma infecção no computador - Kaspersky Labs

Dias atrás eu falei sobre a evolução das ameaças desde seus primórdios. No aspecto localizar o malware ou vírus era algo bem mais fácil porque os malignos programas eram espalhafatosos e gostavam de se mostrar. As diferentes "tribos" de cyber malfeitores se gabava por conseguir espalhar seu vírus mais que a outra tribo. Mas na medida que as ameaças passaram a focar em ganhos financeiros, roubo de informações, escravizar o computador, tudo ficou mais complicado.

Ao contrário dos primeiros vírus hoje em dia a discrição é a regra. O que menos os malfeitores digitais querem é dar ciência de sua presença a fim de que levem ao limite sua bisbilhotice. Mas mesmo assim pessoas preparadas com as informações certas (qualquer pessoa e não apenas nerds de computador) podem conseguir captar alguns sinais que indiquem a existência de alguma coisa errada e assim poderem tomar suas medidas defensivas. A Kaspersky Labs preparou um interessante documento com estas dicas. São pontos que devem ser observados. Segue abaixo o referido texto o qual recomendo fortemente a leitura.

Flavio Xandó 





Kaspersky Lab: conheça os 10 sintomas mais comuns de uma infecção no computador


São Paulo, 09 de setembro de 2013 - Mesmo que as regras mais básicas para garantir a segurança do PC sejam cumpridas com rigor, como atualizar com regularidade o sistema operacional, evitar clicar em links suspeitos e ter uma solução antivírus instalada e atualizada; existe o risco de o sistema ser infectado por malware. Porém, nem sempre é fácil saber se o computador está infectado ou não.

A Kaspersky Lab elaborou uma lista com os dez sintomas mais comuns que indicam que algo malicioso está ocorrendo no computador:

  1. Bloqueios inesperados: se alguma vez isto lhe aconteceu, provavelmente já sabe que a tão temida tela azul é sinônimo de que algo vai mal no sistema. Por esse motivo, não perca tempo e analise a plataforma em busca de possíveis infecções.
  2. Sistema lento: se o sistema não está executando aplicações que consomem recursos, mas mesmo assim está muito lento, então é possível que esteja infectado com um vírus.
  3. Atividade elevada do disco rígido: se a atividade do seu disco é mais alta do que o normal quando o computador está em descanso, é sinal de uma possível infecção.
  4. Janelas estranhas: se durante o processo de boot, aparecem janelas estranhas que alertam para problemas no acesso a diferentes discos no sistema, pode ser que o computador esteja infectado por malware.
  5. Mensagens estranhas: quando o sistema está em execução, e aparecem janelas avisando que arquivos ou programas não podem ser abertos fique atento, esse é outro sinal para um possível ataque de malware.
  6. Atividade indevida dos programas: se os programas não respondem, abrem automaticamente ou mostram uma notificação de que uma aplicação está tentando acessar a Internet sem o seu consentimento; então, é possível que um malware esteja atacando a sua máquina.
  7. Atividade aleatória de rede: se o roteador piscar constantemente, indicando uma atividade elevada da rede quando não está executando algum programa ou não está acessando altos volumes de dados na Internet, parta do princípio que existe algo errado com o equipamento.
  8. Mensagens de e-mail instáveis: os seus e-mails não saem da pasta ao enviar? Os seus contatos recebem mensagens estranhas que você não se recorda de ter enviado? Infelizmente, o seu sistema está comprometido ou alguém roubou sua senha de acesso ao e-mail.
  9. Endereço IP na lista negra: se receber uma notificação dizendo que seu endereço IP está numa lista negra, existem fortes possibilidades de que seu sistema tenha caído nas mãos de criminosos e que passou a fazer parte de uma botnet de spam.
  10. Desativação inesperada do antivírus: existem muitos programas maliciosos desenhados especificamente para desativar o antivírus, se encarregue de eliminá-los. Se o seu software de segurança for desativado por auto reconstrução, pode ser um pequeno sintoma de que algo de errado está acontecendo.

A forma mais segura para saber se o seu sistema está infectado ou não é analisá-lo. Para isso, recorra a uma solução antivírus. Se não tiver um antivírus instalado e desconfiar que o seu equipamento está com problemas de segurança, utilize a ferramenta gratuita Kaspersky Security Scan.


Mercado Livre em novo patamar

Quem puxar pela memória vai se lembrar de que ao surgir, o site Mercado Livre era um local tipicamente frequentado por pessoas físicas. Eu, você e tantos que queriam vender seus objetos usados (ou eventualmente novos) usando a “novidade” que era este meio de comunicação chamado Internet. Era essencialmente um espaço frequentado por “camelôs virtuais”, exagerando um pouco a comparação, como aquelas praças das grandes cidades lotadas de pequenos comerciantes.


Por isso o começo foi a fase mais difícil. Era quase que um golpe de sorte encontrar o comerciante certo. Não que o problema fosse a correção ou honestidade do comerciante. O problema era mesmo o amadorismo, natural nesta fase inicial. Prazos nem sempre eram respeitados... E infelizmente vez por outra algum mais “esperto” se valia do ambiente virtual para se locupletar em cima dos incautos, fosse ele comprador ou vendedor. Mas como toda nova forma de negócio as regras foram se aprimorando e trazendo ordem e bom funcionamento para o sistema.

Falo por mim mesmo. Lembro-me de quando meus filhos deixaram de ser bebês eu vendi todos os apetrechos no Mercado Livre. E se bem me lembro o modelo mais usado à época ainda era do “leilão” no qual um preço mínimo era definido e as pessoas faziam seus lances até o final de prazo determinado. Ainda existe esta modalidade hoje em dia porém há momentos que o comprador necessita de agilidade para obter a mercadoria desejada. Por isso a alternativa de venda direta cresceu bastante no site e é dominante hoje em dia.

Mas muitos outros aperfeiçoamentos apareceram. Vendedores mais que eventuais, aqueles que têm vários produtos oferecidos ao mesmo tempo acumulam pontos de reputação em maior quantidade e esta informação traz segurança para compradores que não conhecem este lojista. Há alguns anos o Mercado Livre trouxe para seus clientes a alternativa do MERCADO PAGO. Trata-se de uma forma de realizar o pagamento tendo o Mercado Livre como intermediário. Assim o comprador realiza o pagamento, seja por cartão de crédito ou débito ou boleto e este crédito só vai para o vendedor assim que houver a confirmação da entrega da mercadoria. E a efetiva entrega só é feita após o site registra seu pagamento. Resumidamente é isto. Assim o vendedor tem a garantia de receber o seu crédito e o comprador de receber sua mercadoria.


Mas tudo isso descrito acima já é história. Apenas quis rememorar para ter certeza de que o leitor está familiarizado com estes conceitos todos. Lembro que no modelo de negócio do Mercado Livre suas fontes de receita vêm basicamente da comissão existente em cada venda e da receita da propaganda, pois seus vendedores podem dar algum destaque ou muito destaque aos seu produtos. Assim todo o interesse do site é aumentar bastante o volume de transações realizadas.

Minha ideia de escrever a respeito do Mercado Livre se deve a minha participação no começo de setembro na Conferência de Desenvolvedores. Sim isso mesmo! Também tive reação de estranheza inicial ao saber desta iniciativa. Precisava conferir para entender. Já há algum tempo o site proporciona para seus vendedores frequentes ferramentas bem interessantes para gerenciar seu relacionamento com compradores. Um vendedor eventual como eu não tem 1% da necessidade de organização de informação que tem o lojista profissional do Mercado Livre. Assim grande esforço de desenvolvimento tem sido feito pelo site para prover ferramentas que ajudem estes lojistas a se organizarem. Afinal, como disse antes, quanto mais transações o site realizar maior será a receita ambos.

Porém a tarefa de desenvolver todas as ferramentas e mesmo antecipar as necessidades destes vendedores começou a ficar bastante extensa. Assim o Mercado Livre decidiu criar uma plataforma aberta para que outras pessoas e empresas possam desenvolver softwares e aplicativos para sua plataforma. Assim as empresas que vendem produtos e que tenham expertise em TI e desenvolvimento podem fazer um sem número de aplicações de apoio.

Ainda melhor é a oportunidade para empresas de software profissionais para desenvolverem produtos prontos para os mesmos lojistas. Afinal é mais natural que as lojas não tenham recursos de TI para fazerem desenvolvimento. A integração do Mercado Livre com os aplicativos se faz por meio das APIs (Application Program Interface) que abrem para o desenvolvedor todas as funcionalidades do site em linhas de programação. Assim tanto as tarefas rotineiras da loja, necessárias para o fluxo diário de operações como ações de integração com os sistemas de informática como ERP, CRM, etc.

A conferência que tive oportunidade de participar estava em sua segunda edição e fiquei bastante impressionado com a quantidade de participantes. Informalmente eu contei mais de 400 pessoas naquele auditório o que mostra o interesse do mercado por este nicho de soluções. Também denota qualidade das ferramentas disponíveis (APIs) uma vez que se fosse algo complicadíssimo e inacessível haveria 10 ou 15 pessoas naquela sala.

Um dos destaques na Conferência foi a possibilidade de automatização dos processos do MERCADO ENVIO, recurso anunciado no primeiro semestre. Trata-se de um recurso que coloca o serviço de frete no site com muitas vantagens. O lojista usa as opções pelo próprio Mercado Livre, já emite a etiqueta pré-paga para o tipo de frete escolhido pelo seu cliente e pela quantidade de postagens concentradas pelo Mercado Livre há bons descontos no preço tornando assim o frete mais barato do que pelas vias convencionais. E tudo isso também pode ser acessado pelas APIs para os desenvolvedores criarem rotinas e processos mais aderentes às práticas das lojas.


Segundo o Mercado Livre tanto Mercado Pago como Mercado Envios são serviços oferecidos para a base de clientes, mas que não são “áreas fim de negócio”. Ou seja, a intenção da empresa é prover estes meios para agilizar as transações dos clientes e não ter lucros com elas.

Aqueles primeiros dias de “camelódromo virtual” estão muito longe. Grande profissionalização aconteceu no site, principalmente em relação aos vendedores. Estão hoje municiados de muitas ferramentas e agora com uma base de desenvolvedores para suportar novas e inovadoras aplicações. Segundo palavras do Mercado Livre eles visam se tornar na grande e dominante plataforma de negócios eletrônicos.

Como o mundo não é perfeito, nem o real nem o virtual, erros podem acontecer no sistema. Dois amigos tiveram sua conta no sistema invadidas e o usurpador aplicou golpes em seus nomes. Eu tive uma venda cancelada pelo sistema e fui quase expulso por conta de um erro de digitação do texto de meu anúncio. Contei esta história em um texto chamado “Cancelado no Mercado Livre – quase expulso”. Foi um excesso de rigor, algo desmedido, mas havia alguma razão por parte do Mercado Livre. E ainda existem vendedores que insistem em vender apenas via transferência bancária e que são um convite a levar um golpe.

Se insisto em contabilizar estas imperfeições é para fazer o contraponto para a situação atual bastante diferente, evoluída, avançada mesmo. Penso que a ambição do Mercado Livre ser tornar a grande referência de “Market Place” já é realidade fruto das decisões que vem sendo tomadas nos últimos anos.

Aliás, eu ia me esquecendo de citar as soluções de mobilidade para todos os tipos de smartphones. Estas permitem que consumidores chequem preços e condições a qualquer momento ao visitarem uma loja em um Shopping por exemplo. É  mais um interessante serviço a favor do consumidor. Se descobrir que o mesmo produto da loja “X” pode ser adquirido mais barato no Mercado Livre, a loja real perde uma venda e o Mercado Livre ganha uma venda. Ousada e inteligente ação como tantas outras apresentadas.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Autodesk realiza maratona para portar aplicações para sua loja

A empresa Autodesk tem passado por grande processo de transformação nos últimos anos. Falei sobre isso no texto “Autodeskapps, da engenharia aos usuários finais” e pensei que o assunto aplicativos tinha sido bastante explorado. Mas em conversa recente que tive com executivo da empresa percebi que existe um outro lado, outro mundo de aplicativos dentro da Autodesk e todo seu ecossistema.



Eu ignorara o lado mais óbvio da equação, ou seja, os aplicativos relacionados ao mundo do AUTOCAD e por fim outros produtos sofisticados que empresa tem. Resumidamente esta área atua com desenvolvedores independentes há 27 anos, ou seja, algo mais do que maduro. Porém com a tendência atual de prover acesso dos clientes aos aplicativos na forma de uma loja centralizada a Autodesk realizará algo interessante. Tive conversa a este respeito com Silvio Guido que é Senior Manager da Autodesk Developer Network. Seguem abaixo os pontos centrais da conversa que tive com ele a este respeito.



 
figura 01 – Silvio Guido - Senior Manager da Autodesk Developer Network

Xandó : Silvio por favor fale um pouco sobre como é que se relaciona a área de Desenvolvedores, os produtos e sobre este lado da Autodesk...

Silvio : Este ano a empresa completou 31 anos e há 27 ela lançou um programa para desenvolvedores. Todos os softwares da Autodesk têm APIs externas (API – Application Program Interface – meio para que programas diferentes possam se comunicar) que permitem serem customizados. Nós sempre tivemos uma ideia de transformar nossos softwares em plataformas. Quando isso foi lançado para o Autocad fez um super sucesso. Hoje em dia há mais de 4000 empresas trabalhando em torno do Autocad.

Xandó : E como isso se relaciona ou se compara com a área de desenvolvimento da própria Autodesk para o produto Autocad?

Silvio : nossa estimativa é que temos mais de 3 vezes o número de pessoas desenvolvendo para Autocad fora da empresa do que dentro da Autodesk. Isso nos levou para um monte de mercados que nunca pensamos em atingir. Pra você ter uma ideia nos EUA alguém fez uma aplicação para gerenciamento de cemitérios usando AUTOCAD! Você nunca iria pensar nisso.

Comentário : as tais APIs permitem que o desenvolvedor inclua dentro do ambiente do AUTOCAD (ou outros produtos) funcionalidades não existentes. Assim a base de recursos comum é utilizada, são agregadas funções, dados e interfaces novas com os usuários transformando aquela plataforma em uma série de outras aplicações.

Xandó
: tempo atrás eu vi duas aplicações bem interessantes, mas menos exóticas quando comparadas com seu último exemplo. Era o uso do Autocad para desenvolver projetos de escritórios, incluindo divisórias e mobiliário e outra para fazer projetos de iluminação no qual no final ele sumariza a lista de materiais necessários, potência elétrica necessária, etc.


Silvio : Essa funcionalidade de gestão de “facilities” nós já temos hoje embutida no Autocad com interfaces para bancos de dados, SAP, etc. E as aplicações são diversas.

Xandó : E como tem sido o envolvimento de empresas brasileiras com estas plataformas de desenvolvimento.

Silvio : Quando eu vim para a empresa há quatro anos havia 17 empresas fazendo este tipo de desenvolvimento. Hoje já temos 55 no Brasil. Na América Latina temos cerca de 83 (incluindo Brasil). Depois de Brasil vem México com maior relevância e depois Chile, Argentina e os outros países com menor participação.

Xandó
: E este conceito de “loja de aplicativos”? Achei curioso isto aplicado neste contexto.


Silvio : Há dois anos aproximadamente nós lançamos a loja de aplicativos. Afinal boas ideias do mercado nós também podemos aproveitar. Mas nossa loja tem uma característica diferente das outras. Ela é “B2B” (Business to Business – orientada a negócios entre empresas e não consumidor final). E tivemos dúvidas no começo, pois quem compra é o usuário da empresa que deve submeter a aquisição a uma aprovação interna, uma área de compras, etc. A despeito disso se revelou um sucesso tremendo!! Lançamos timidamente apenas a loja para aplicativos da plataforma Autocad e fomos expandindo criando várias outras lojas para as outros programas além do Autocad. Hoje temos cerca de 16 lojas. E o público brasileiro está sempre entre segundo e terceiro lugar na frequência das lojas (mundo todo).


figura 02 – Exemplo da loja de aplicativos para Autocad


Xandó : Mas como os desenvolvedores fazem para ter seus produtos nas lojas?

Silvio : Nós percebemos a mudança deste mundo. A empresa mudou. Por isso pensamos que deveríamos também levar nosso parceiros para esta nova forma de interação e de realizar negócios. Temos dado alguns “empurrãozinhos” visando a ajudar. E para isso vamos realizar em meados de setembro um evento direcionado para este público de desenvolvimento.

Xandó
: Quando vai ser e como será o formato do evento??

Silvio : Será dia 13 e 14 de setembro. Durante este período nós vamos estimular os desenvolvedores e dar o apoio necessário para ele migrar suas aplicações para a loja da Autodesk. Boa parte dos desenvolvedores não sabe como pegar seu programa e levar para a loja. Dá para colocar? Normalmente dá, mas existem algumas premissas que para serem cumpridas exigirão algumas pequenas adaptações ou ajustes.

Xandó : Que tipo de adaptações seriam estas?

Silvio : Por exemplo, o comprador tem que ser capaz de fazer o download do programa e poder sair usando na mesma hora. Nós não queremos que ele baixe o aplicativo, instale e tenha que pegar um telefone, ligar para alguém e esperar 3 dias para obter uma licença definitiva. Não pode ser assim. A experiência da loja fica ruim. Este evento ajudará os desenvolvedores a fazerem esta portabilidade.

Comentário : por isso que o evento foi batizado de “Autodesk Exchange Apps Portathon”, ou seja uma maratona para portar os aplicativos (Portability Marathon – Portathon). 

Xandó
: E como vai funcionar?

Silvio : Ele começa na verdade dia 00:00 (horário do Pacífico – fuso da Califórnia) no dia 13/09 e vai até 23:59 (horário do Pacífico) do dia 14/09. E a Autodesk dará um incentivo aos participantes. Cada aplicativo portado corretamente e colocado na loja seu desenvolvedor receberá US$ 100. Este estímulo financeiro já está valendo há mais de mês e meio

Xandó : E a dinâmica do evento, como acontecerá, como idealizaram?

Silvio : Vamos usar uma plataforma de conferência, no caso o WEBEX para controlar tudo e as pessoas do suporte participarem ao redor do mundo. Temos cerca de 40 técnicos que dão suporte para o desenvolvimento de aplicações e estes técnicos estarão posicionados ao longo dos diversos fusos horários para agilizar o suporte. Por exemplo, nós teremos 2 técnicos especializados em Civil 3D, um deles no Brasil e outro na Índia, assim melhor distribuindo o suporte para o mundo todo e para manter funcionando por 48 horas, para que ninguém tivesse que trabalhar por este tempo todo (48 horas). Afinal o evento é de abrangência mundial.

Xandó
: E como andam as adesões globais dos desenvolvedores ? E das 55 empresas brasileiras?

Silvio : Neste começo de setembro (esta entrevista aconteceu dia 03/09) já temos 157 empresas desenvolvedoras inscritas. As empresas brasileiras ainda estão com pequena participação, temos que ajudá-las a entrar. Destas 55 existem diversas categorias de desenvolvedores. Alguns são universidades, empresas de desenvolvimento (softwares comerciais), consultores, empresa que desenvolvem internamente (consumo próprio), etc.

Silvio : Explicando melhor estes tipos de empresas, por exemplo, uma usina de cana de açúcar comprou o Autocad para seu uso próprio e tem sua equipe de desenvolvimento para gerar funcionalidades para si mesma. Este é um caso. Por outro lado a usina poderia contratar uma outra empresa para fazer o desenvolvimento para ela (como se fosse uma consultoria). Mas esta pode retirar do software o que é específico daquela usina, ampliar o escopo deste trabalho e oferecer este aplicativo para várias outras usinas. Até mesmo uma empresa à parte pode ser criada para isso e aí se configura um desenvolvedor comercial, que é o público alvo desta iniciativa. Respondendo, destes 55 há no Brasil entre 10 e 15 que estão nesta categoria e são potenciais participantes.

Xandó : E como as empresas se tornam desenvolvedoras para produtos Autodesk?

Silvio : Como eu te falei no começo da conversa nós queremos criar uma plataforma. Não cobramos nada dos desenvolvedores para isso. Os SDKs (Software Development Kit) e todas as APIs são públicas e estão largamente divulgadas e publicadas na Internet. Qualquer pessoa pode desenvolver qualquer software sem falar nada conosco, não tem royalty, não tem nada.

Xandó
: Eu entendo que esta é uma situação ganha-ganha porque na medida em que surgem pessoas interessadas neste desenvolvimento você automaticamente amplia a plataforma. Mesmo que não se cobre pelo uso do SDK e nada disso, você estará garantindo que a base instalada dos produtos Autodesk tende a evoluir.

Silvio : Isso mesmo. Uma empresa fazer parte do programa de relacionamento com os desenvolvedores faz com que nós a tragamos mais para a frente. Nós damos suporte, damos acesso ao software e o mais importante de tudo, ele passa a fazer contato com a Autodesk. Pelo menos uma vez por ano eu os reúno. E temos como ajudar, orientar e direcionar. Olha “vai pela direita, não vai pela esquerda senão você vai trombar com a gente mais para a frente”. Este grupo está na Autodesk liderando o caminho para a nuvem porque estamos falando nisso há pelo menos 3 anos. Já faz um tempo que os alertamos “se você pensa que vai vender seu produto com licença perpétua, melhor repensar sua estratégia, nuvem implica em software como serviço”. Muitas vezes uma empresas dessas começa com a junção de duas ou três pessoas com uma ótima ideia, geralmente são bem técnicos, e que nem sempre têm este tipo de visão. Nossa missão no grupo de desenvolvedores também é chamá-los para o caminho correto e orientá-los a olhar para o mundo e ver que está acontecendo em volta para que ele não perca seu ganha-pão ali para a frente. O evento nessa hora ajudará as empresas que estão no programa de desenvolvedores e as que ainda não estão e que têm boas ideias.

*** fim da entrevista***

A conversa com o Silvio anda se estendeu por um tempo e falamos sobre outros vértices da Autodesk, outros assuntos interessantes. Mas como minha atenção fora capturada pelo tema do Autodesk Exchange Apps Portathon encerro aqui esta transcrição informal de nossa conversa. Quem quiser saber mais sobre esta iniciativa e evento que acontecerá a partir do dia 13/09, pode visitar a página em http://apps.exchange.autodesk.com/pt (em português). Também existe um blog (em inglês) com mais detalhes que pode ser acessado por este link.

Eu não sou desenvolvedor Autodesk, embora já tenha até desenvolvido no passado um tanto distante uma interface de um sistema ERP com uma aplicação em Autocad para fazer projetos de iluminação, mas vou acompanhar a iniciativa. Este tipo de acontecimento costuma gerar uma integração e um grande ganho na qualidade do relacionamento da comunidade de desenvolvedores e o realizador (no caso Autodesk). Assim se faz crescer a plataforma. Porém só é possível crescer se há mérito real. Só empurrar não funciona se não tem qualidade. Fazendo uma comparação, não adianta empurrar alguém em uma bicicleta com o freio parcialmente preso na roda. Ao parar o empurrão a bicicleta vai andar mais alguns metros e ficar estagnada. Mas se o empurrão for dado em uma bicicleta bem ajustada e acontecer até bem próximo de uma descida ou mesmo de um local plano, esta bicicleta percorrerá quilômetros e quilômetros. Para mim é isso que a Autodesk está tentando fazer!! 

sábado, 24 de agosto de 2013

Do Pong até os dias de hoje. Evitando malwares

A primeira vez na minha vida que vi um vírus... Faz muito tempo. Não eram chamados ainda de malware. Esta denominação apareceu anos depois quando surgiram as versões maldosas destes programas que causavam algum dano nos dados ou no computador e mais tarde roubavam dados e dinheiro das pessoas. Tentem imaginar o susto que eu levei quando ao usar um computador apareceu um ponto se movendo na tela e ricocheteando nas laterais ou onde havia alguma frase escrita!! Era o PONG, um dos primeiros vírus conhecidos!!! Uma amostra do PONG em ação pode ser vista neste vídeo.



figura 01 – vírus Pong em ação - clique aqui para ver o vídeo

Convém lembrar que estávamos na segunda metade os anos 80 e que Windows ainda não era usado (ele apenas se popularizou no Brasil a partir de 90/91). Usava-se MS-DOS versão 4 ou 5 nesta época. Alguns PCs nem tinha disco rígido, mas todos tinham leitor de disquete, meio essencial para transportar arquivos entre computadores. Vale também ressaltar que o MS-DOS (sistema operacional) era monotarefa, ou seja, executava apenas uma atividade por vez.


figura 02 – ambiente “sadio” do MS-DOS


Mas então como o vírus se disseminava??!! Muito simples, vale a pena contar o processo, pois é bem engenhoso. E isso vale para boa parte dos vírus desta época. Imagine que alguém lhe deu algum disquete com arquivos que eram necessários. Ao usar este disquete é extremamente comum esquecê-lo no drive (leitor de disquete). Assim quando a máquina fosse desligada e depois ligada de novo o PC por padrão tentava carregar o sistema operacional MS-DOS a partir do disquete. Para fazer isso ele lia o “setor de boot” do disquete. Só que em vez de ter apenas a mensagem “disco sem sistema” (normal nos discos apenas de dados) estava ali o vírus. Ele procurava o disco rígido, se implantava no começo do setor de boot do HD e se carregava em memória. Assim todo disquete que era inserido neste PC ao ser lido a primeira vez recebia uma cópia do próprio vírus no setor de boot. Este disquete ia para outra pessoas e o processo se repetia.

Não adiantava desligar o PC e ligar de novo sem o disquete virulento, pois nesta altura o vírus já se implantara na memória, no HD e estaria sempre de prontidão para infectar novos disquetes. O poder de propagação era imenso. Hoje em dia se fala que as ameaças são disseminadas pela tática de “engenharia social”, ou seja, usar subterfúgios para convencer as pessoas a fazerem o que não querem (se infectarem). O Pong e seus sucessores usavam a característica humana de “esquecer o disquete no drive” para obter seu intento.

Mas como se defender deste tipo de ameaça?? Difícil. No começo apenas havia os programas que faziam a varredura dos disquetes e HDs para encontrar vírus e removê-los. Não havia proteção “online”, residente em memória para impedir infecções. Se bem me lembro o primeiro antivírus que usei na vida foi o McAfee Virusscan, possivelmente versão 1.0. Para reparar um computador que estivesse com vírus era necessário iniciar o PC com um disquete de sistema MS-DOS reconhecidamente “limpo” (sem vírus), que contivesse o programa McAffe Virusscan. Lembro PERFEITAMENTE que o programa era capaz de reconhecer cerca de 29 ou 30 vírus conhecido à época. Eu achava espantoso haver tantos vírus assim.

Lembrem-se, não havia Internet. Obter atualizações das vacinas era complicado. Só quando surgiram os BBSs (predecessoras da Internet) que ficou “fácil” conseguir as novas vacinas, como era conhecida (hoje arquivo de definição de vírus). Também me lembro que quando este número de vírus conhecidos começou a crescer eu me espantava!! De29 passou para 38, 50, 98, 120... Pensava eu ONDE IREMOS CHEGAR. Estas dezenas de vírus eram variações do Pong, e tantos outros novos como Stoned, Michelangelo, Sexta Feira 13, Cascade, Flame, etc. Uma curiosidade, o STONED era um vírus de igual forma de disseminação (setor de boot), mas “inofensivo” (salvo seu poder de propagação), pois apenas fazia aparecer no começo do boot do computador a mensagem “Your PC is stoned“ e às vezes “Legalize Marijuana” (seu PC está chapado, legalizem a maconha).


figura 03 – Tela de um PC infectado pelo Stoned  (clique para ampliar)


Já o Sexta Feira 13 ficava dormente e apagava todos os dados do usuário na primeira 6ª feira 13 que acontecesse. Finalizando estes exemplos falo do interessante CASCADE dava sustos nos usuários fazendo despencar uma a uma as letras da tela como se fosse uma cascata. Isso pode ser visto neste vídeo (o fenômeno acontece em 1:10).



A novidade que surgiu na sequência foram os vírus de EXE, ou vírus que infectavam programas. Mais engenhosos ainda eram vírus que se anexavam em programas válidos. Por exemplo, se você recebesse de alguém um programa bonitinho que exibia um desenho na tela, um joguinho, etc., este tinha o DNA virulento em no começo de seu arquivo. Ao ser executado copiava parte de si mesmo para a memória e seguia a execução do programa original. Uma vez na memória TODOS os programas que eram executados tinham o DNA do vírus anexado ao seu começo e se tornavam também portadores do vírus. Até mesmo um antivírus legítimo poderia ser infectado. Um horror!! Por isso os antivírus passaram a contar com uma proteção de seu próprio arquivo (um dígito de controle era gerado e se o vírus se anexasse ao programa ele conseguia perceber a sua intrusão).

Vírus de Boot e vírus de EXE eram sofisticados e de difícil programação. Tinham que ser pequenos, de carga rápida, desenvolvidos em linguagem assembler (a mais difícil de todas também conhecida como linguagem de máquina), exigia programadores de talento ímpar. Mesmo assim houve a proliferação das pragas. Com a chegada do Windows você acha que tudo ficaria melhor, certo?? Nada disso!!!

O Windows trouxe como grande apelo a capacidade de executar vários programas ao mesmo tempo, recurso proporcionado pelo sistema operacional. As pessoas se distraiam com os ícones, ampulheta, etc. e ter mais um programa sendo executado em segundo plano nem era percebido pelo usuário. Os vírus podiam ser feitos usando uma linguagem mais fácil, podiam ser maiores que mesmo assim não seriam notados. Ser entrar em grandes tecnicismos, mas vale a explicação. Os programadores de vírus na época do MS-DOS tinham que “fazer chover” para simular ações multitarefa usando programação em nível de máquina usando as interrupções de hardware (como a 1C – clock tick do PC) ou interrupções do próprio DOS para interpor suas nefastas ações. Com o Windows (bem como qualquer sistema operacional multitarefa como MAC OS, Linux ou mesmo Android) proporcionando a capacidade de realizar várias coisas ao mesmo tempo, os desenvolvedores de vírus esfregaram suas mãos e sorriram de orelha a orelha, pois tinham o ambiente perfeito para as novas gerações de pragas virtuais.


Mas vamos avançar a história!!!!!!


Hoje dia 23 de agosto de 2013 fiz uma pequena pesquisa. Descobri que o arquivo de definições de vírus, as tais “vacinas” do produto Symantec Norton Antivírus está preparado para reconhecer mais de 23 milhões de ameaças!!


figura 04 – quase 24 milhões de ameaças conhecidas em agosto de 2013

Eu comentei que me impressionei MUITO quando o McAfee Virusscan (versão MS-DOS) do final dos anos 80 e começo dos anos 90 chegou a impressionantes 100 vírus conhecidos e hoje estamos nos aproximando de 24 milhões de ameaças!! Mas porque são tantas assim hoje em dia!!?? Como pode haver tantos vírus, malwares, trojans, etc. diferentes?? Existe resposta para isso.

No começo os vírus eram apenas e tão somente formas de programadores geniais, com talento e inteligências excepcionais se mostrarem por aí, algo do tipo “vejam o que sou capaz de fazer”. Fazer estes programas era difícil, para poucos e as pessoas não ganhavam nada como isso, salvo um pouco mais de fama e respeito dentro de suas tribos.

Faço uma analogia com os “hackers” (ou crackers) do início da era da Internet. Como os sistemas (servidores Web) eram mais frágeis, menos protegidos alguns elementos conseguiam ganhar acesso aos sites e realizavam o que ficou conhecido como “defeacement”, ou seja, desfigurar um site trocando seu conteúdo por palavras de protesto, ameaças, provocações, etc. Para mim era a expressão de uma pichação virtual.


figura 05 – exemplo de ataque do tipo “defeacement” em um site (clique para ampliar)

Eu contei para meus leitores no formato de uma “novela policial” o que aconteceu comigo vários anos atrás. Foi exatamente sobre um caso de “defeacement” seguido por uma tentativa de extorsão no texto “Invasão, destruição e extorsão – parte 1” (contada em 5 capítulos – interessante leitura – qual terá sido o final da história?).

Mas voltando aos malwares e vírus, hoje em dia praticamente este tipo de ataque não acontece mais. Embora os criminosos cibernéticos já davam mostra de que seus atos futuros iriam visar ganhos econômicos (na minha história fui extorquido pelo elemento).

O resto da história vocês já conhecem. Uma enxurrada de spam em nossa caixa postal contendo conteúdos estranhos, criativos, bizarros, tudo visando explorar alguma fragilidade psicológica da pessoa para forçá-la a clicar em determinado link ou instalar o programa “essencial”. Acho tão maravilhosos estes e-mails que até os coleciono! Desde que escrevi um artigo em 2011 comparando 10 antivírus do mercado no texto “Qual o melhor antivírus para você?” venho guardando estes e-mails (que usei para comparar as soluções). Ainda vou escrever um texto apenas dissecando estes e-mails de “phishing”. Aguarde.




figura 06 – exemplo de spam de phising recebido – nem pense em clicar em links assim (clique para ampliar)!


Mas na figura 06 mostro um dos muitos exemplos, uma “mensagem de voz vinda do Facebook” para mim. O que é estranho é que este recurso (ainda) não existe no Facebook e mesmo assim tem gente que clica para conferir. E cá entre nós, se existisse o Facebook iria mandar e-mail para avisar ou exiibiria uma notificação dentro do próprio site? Muitas pessoas não pensam. Mensagens assim visam instalar um programa espião ou um “bot” (bot é uma corruptela de robot – um robô – escravo em seu computador). Dessa forma coletam dados da pessoa para fins diversos, desde venda de identidade (dados pessoais) como os bancários para “limpar” a conta corrente da pessoa ou número de cartão de crédito para ser usado por outros.

Ataques de outros tipos surgiram. Sites comprometidos são aqueles que invadidos não são pichados, mas recebem um programa malicioso que infecta seus visitantes. Há ataques em redes sociais ou programas de mensagens instantâneas. Estes mandam mensagens em nome da pessoa infectada para sua lista de contatos os convidando a entrar em sites que contém ameaças. Existe também o envenenamento de DNS, responsável por direcionar as pessoas para sites falsos a partir de URLs (endereços de internet) legítimos, ataque “servidor proxy” que também direciona sites legítimos para cópias mal intencionadas. Só para citar alguns tipos!!

Agora dá para começar a entender porque no começo havia 29 ameaças e hoje em dia quase 24 milhões!! A ganância e a vontade de enganar e roubar as pessoas incautas é o grande motivador, não mais se mostrar para a “galera”. Mas existe um agravante. Tornou-se muito mais simples construir vírus. Há uma verdadeira indústria montada para isso. A começar pelo grau intelectual para criar malwares. Um adolescente mal intencionado com um “Kit para desenvolvimento de vírus” consegue rapidamente criar o seu bot, trojan espião, vírus, etc. em poucos minutos. Não precisa mais ser gênio talentoso para isso, apenas comprar o kit e dar uma dúzia de cliques para construir o malware. Chocante!!


figura 07 – existem kits para qualquer um construir um malware

A tal indústria que eu falei é extremamente organizada e hierarquizada. Vejam os diferentes elos da cadeia:

  1. Desenvolvedores criam os kits para construção de malwares
  2. Pessoas usam estes kits e criam milhares de malwares diferentes
  3. Spammers profissionais fazem o envio de phishing com a chamada para o vírus
  4. Outro grupo se incumbe da espionagem e roubos dos dados pessoais e bancários
  5. Há o grupo das pessoas que atuam nos bancos e cartões de crédito realizando o roubo
  6. “Laranjas” são recebem o dinheiro em contas que ficam abertas apenas alguns dias
  7. Cada elo da cadeia é remunerado de acordo com seu serviço e produtividade

Se isso não é Crime Organizado, nada mais é! E mais organizado que muita empresa séria, é terrível!

Espelhando-se no passado para disseminar mais malwares

A ideia para a produção deste texto veio da nota que repliquei dias atrás. Esta me foi enviada pela Kaspersy e tratava de “30% das infecções são disseminadas através de USB e cartões SD segundo Kaspesky Lab”. Não é fato novo o uso de pendrive e cartões de memória para disseminação de malware, mas o que me causou espanto foi saber que quase um terço da disseminação se dá por este caminho.



figura 08 – ameaças chegam agora via pendrive, DVDs e cartões e memória

E de certa forma usar estes meios de armazenamento modernos para isso é uma volta aos tempos do PONG, CASCADE e do STONED (e todos de sua época). Resumindo, o que você deve saber é que todo dispositivo de armazenamento externo como pendrives, cartão de memória (SD, microSD, CompactFlash, etc.) e CDs ou DVDs ao serem inseridos no computador podem disparar um processo de auto execução de algum programa que ali reside. Isso está ativo principalmente em computadores que não estão com todas as atualizações de segurança instaladas. Se há um programa de segurança instalado no computador este pode ter uma ação pró ativa e sugerir uma verificação do cartão, CD ou pendrive. Faça isso sempre que inserir um destes que não seja seu ou mesmo sendo o seu se ele esteve em uso por outra pessoa.

vide figura 09– sistema de segurança para checar mídias externas

Certa vez auxiliei uma professora de universidade que por usar seu pendrive em diferentes computadores havia “colecionado” 27 malwares em seu pendrive apenas por inseri-lo em vários PCs da escola. Se o PC está infectado basta inserir o pendrive que este ganha o “brinde” maligno. Cuidado!!


Como resolver, como se proteger!!?

A resposta é fácil e única. INFORMAÇÃO!! Acredite, há pessoas que não acreditam no perigo que estão expostas sem uma forma de proteção eficaz. Prova de que a informação é o ponto chave, meu amigo e também articulista André Gurgel costuma defender outra tese. Ele fala que para ele o melhor antivírus é não ter antivírus!!! Como assim?? É que ciente do perigo que  está correndo ele é extremamente cuidadoso e nada ousado no uso do computador e da Internet. Esta solução funciona muito bem para ele que é alguém muito sistemático e disciplinado. Mas não funciona para 99.999% das pessoas, incluindo os filhos e filhas adolescentes, bem como funcionários de empresas que têm uma rotina frenética, leem centenas de e-mails por dia e acessam quase outra centenas de sites para desempenhar seus trabalhos.

Não sou capaz de indicar uma solução de segurança específica neste momento. O teste que fiz dois anos atrás não é mais expressão da verdade uma vez que todos os produtos tiveram duas ou três atualizações neste período. Quem sabe viabilizo fazer um novo teste como aquele...

Não quero ferir o orgulho das empresas que fazem solução de segurança, mas atesto com total segurança que há 6 ou 7 fornecedores que têm produtos equivalentes. Qualquer pessoa estará extremamente bem servida e segura com quaisquer destas soluções. Claro que o produto A tem um recurso que o produto B não tem e estas diferenças podem nortear a escolha de cada um. Mas a mensagem é clara. NÃO HÁ COMO deixar de ter uma ferramenta de segurança moderna e atualizada em seu computador de casa, do trabalho (PC ou MAC) e mais atualmente nos smartphones.


vide figura 10 – cada um com sua proteção , isso que importa (clique para ampliar)!!



figura 11 – todo cuidado é pouco, ameaças estão à espreita