terça-feira, 21 de abril de 2026

SUSECON 2026 – Soberania Digital, AI Factory , Virtualização e Parcerias

Introdução  

Pelo segundo ano consecutivo tenho a oportunidade de acompanhar a SUSECON, evento que reúne o ecossistema da empresa SUSE. Você pode conferir a cobertura do ano passado neste link. Incrível como em um ano o cenário teve muitas modificações. O foco de IA passou a contemplar também de independência e soberania e não apenas resolver tecnicamente essa funcionalidade. Virtualização é outro tema que devido à mudança da política comercial de um dos principais fornecedores, está causando grande movimento no mercado. 

A SUSE também amplia sua participação no mercado com uma parceria notável com a NVIDIA. Sobre tudo isso e mais um pouco falarei neste texto que foi produzido após o primeiro dia do evento aqui na cidade de Praga na República Tcheca, aliás um lugar extremamente encantador. O segmento de tecnologia e infraestrutura crítica para as grandes empresas é um mercado com fortes concorrentes. Mas percebo que a SUSE por meio da ampliação de portfólio, seja por aquisições ou pesquisa e desenvolvimento, vem reforçando sua importância neste mercado oferecendo soluções open source, algo que está em seu DNA, visando atender às necessidades sempre crescentes do mercado. 

SUSE lança AI Factory em parceria com NVIDIA

A SUSE lançou a SUSE AI Factory com NVIDIA, uma solução “pronta pra empresa” para tirar projetos de IA do papel e colocar para rodar com mais rapidez, sem improviso. A ideia é simples: em vez de cada time montar um quebra-cabeça diferente (e depois sofrer pra manter), a plataforma já vem com um caminho mais guiado, com modelos de implementação e um jeito mais automático de implantar as mudanças do teste para o ambiente de produção, tudo com gestão centralizada. O foco é especialmente bom para quem trabalha com dados sensíveis e precisa de segurança, rastreabilidade e conformidade.

Você consegue usar recursos e software da NVIDIA, mas mantendo dados, regras e partes críticas sob controle dentro da própria infraestrutura (seja no datacenter, em sites remotos ou na nuvem). No fim, a promessa é reduzir a miríade de ferramentas, encurtar o caminho de ideia sair do piloto para produção e deixar mais claro “quem mudou o quê” e “quando”, algo essencial em auditorias e para atender exigências regulatórias (como as da Europa). Outro ponto forte é o suporte unificado: em vez de ter vários fornecedores diferentes pra cada pedaço da solução, a SUSE se coloca como um ponto único de suporte para tudo, facilitando operação e resolução de problemas no dia a dia.

Um ponto-chave aqui é soberania digital: para organizações reguladas, não basta usar IA, precisa ter controle real sobre onde os dados ficam, quem acessa, como o modelo é usado e como tudo pode ser auditado. Nesse contexto, a SUSE diz que dá pra aproveitar a tecnologia da NVIDIA mantendo dados, regras e partes sensíveis protegidos dentro da infraestrutura da própria empresa (no datacenter, em locais remotos/edge ou na nuvem), o que ajuda com governança e exigências como o EU AI Act. E, pra não virar um “telefone sem fio” entre fornecedores quando dá problema, eles também reforçam a ideia de suporte unificado para o stack todo.

Soberania Digital é o foco do momento

Vem se tornando prioridade quase unânime nas empresas (98%), mas só pouco mais da metade (52%) está realmente colocando isso em prática. O recado é claro: todo mundo quer mais controle e segurança, mas ainda existe um espaço grande entre a intenção e a execução.

O estudo aponta que a corrida por IA está acelerando essa discussão. De um lado, a IA promete ganhar produtividade, melhorar decisões e criar novas experiências para clientes. Do outro, ela aumenta a complexidade e o risc. Onde ficam os dados? Quem controla os modelos? Dá pra explicar de onde veio o resultado? Não por acaso, 64% dizem que transparência em IA (saber como o modelo foi treinado e rastrear a “origem” do que ele entrega) será um dos principais motores de resiliência digital nos próximos anos.

Na prática, soberania entra cada vez mais em compras e projetos. 45% já incluem o tema em RFPs e 42% dizem ter escolhido fornecedores por isso. Mesmo assim, 41% só agem quando cliente ou regulador exige, ou seja, muitas empresas ainda estão no modo “apagar incêndio”.

Para o negócio, avançar nessa agenda significa reduzir dependência de fornecedor (menos lock-in), acelerar inovação com mais confiança, diminuir riscos de compliance e melhorar continuidade operacional. Resiliência digital, aqui, é manter o controle mesmo em ambientes multi-cloud/híbridos e com IA, apoiado por segurança, monitoramento e boas estratégias de backup e recuperação.

Mesa Redonda sobre Soberania Digital

Participei de uma rica conversa com vários executivos da SUSE e parceiros, na qual muito se falou que soberania digital virou prioridade real (principalmente na Europa) por causa de privacidade/regulação, mas também por um motivo bem “pé no chão”, a continuidade do negócio. Ninguém quer acordar um dia e descobrir que, por decisão externa, sanção, ordem executiva ou dependência de um único fornecedor, pode ficar sem acesso a sistemas críticos. Nos EUA o tema aparece mais como “evitar lock-in”. Já em outros lugares entra forte o lado social/regulatório e o medo de instabilidade geopolítica. Em IA isso fica ainda mais sensível: quando você começa a alimentar modelos com seus dados e propriedade intelectual (a “3ª onda” da adoção), o CIO quer controle, rastreabilidade e opção de rodar híbrido/on prem. Open source surge como peça-chave porque é transparente, “não tem fronteiras” e ninguém consegue simplesmente desligar o acesso. Mas para o mundo corporativo isso só fecha a conta com suporte, SLA e um ecossistema de parceiros que acompanhe a velocidade da inovação.

A soberania digital deixou de ser papo de política e virou prioridade de operação Com tensões geopolíticas, corrida por IA e novas regras (como NIS2, DORA e EU AI Act), as empresas precisam saber onde os dados ficam, quem manda neles e como provar conformidade, sem abrir mão de inovação e escala. A SUSE responde a isso lançando uma especialização de soberania dentro do programa SUSE One Partners, criando um ecossistema regional “pronto para uso” que ajuda clientes a trocar soluções proprietárias por uma base open source resiliente, combinada com serviços soberanos de parceiros locais confiáveis.

Na prática, a proposta junta: uma solução 100% open source e auditável; MSPs oferecendo infraestrutura soberana validada  e integradores apoiando a transformação operacional. Entram ainda um “blueprint” validado (Sovereign Reference Implementation) para reduzir complexidade e acelerar a entrega, certificações e suporte localizado na UE, medição de uso para serviços gerenciados e um suporte premium com um ponto único de responsabilidade. Para o negócio, isso significa menos risco regulatório e jurídico, menos dependência e lock-in, mais previsibilidade para operar em setores altamente regulados, e uma forma mais rápida e segura de escalar cloud e IA mantendo controle de governança, acesso e residência dos dados.


Virtualização volta a ser tema de destaque, migração e gestão

A mudança das regras comerciais da gigante VMware deixou muitos clientes pequenos e médios sem opção, ou porque o produto foi descontinuado ou porque precisa contratar uma versão com muito mais do que precisa e muito mais cara. A SUSE anunciou uma parceria com a Cloudbase Solutions para facilitar a migração de máquinas virtuais (VMs) de ambientes como VMware e nuvens públicas para o SUSE Virtualization, sem parar sistemas (migração “a quente”). Na prática, entra em cena a ferramenta Coriolis, que faz a migração “com o carro andando” e dessa forma evitando janelas longas de manutenção e aquele risco de derrubar aplicações críticas. Para a empresa, isso significa modernizar a infraestrutura com muito menos dor. Dá para reduzir dependência de fornecedores caros (e o famoso lock-in), ganhar mais previsibilidade de custos e acelerar mudanças sem travar o negócio. 

Outro ponto é que, depois da mudança, as VMs e os containers podem ser gerenciados na mesma plataforma, o que simplifica a operação e evita criar novos silos. E tem um recado forte para quem roda SAP. A SUSE validou um processo específico para migrar servidores de aplicação e bancos SAP HANA mantendo requisitos de performance e certificações, o que ajuda a proteger continuidade, suporte e compliance. Em resumo, menos risco, menos interrupção, mais controle e uma rota mais rápida para uma infraestrutura aberta e resiliente.

Portfólio da SUSE presente agora no Marketplace do Oracle Cloud Infraestructure

A SUSE anunciou que todo o seu portfólio agora está disponível no Oracle Marketplace e pode ser implantado direto na Oracle Cloud Infrastructure (OCI). Na prática, isso abre um caminho mais simples para empresas comprarem e colocarem em produção soluções de Linux empresarial e stack cloud native (como Kubernetes e containers) sem burocracia extra. O ganho para o negócio é bem direto. O processo de contratação é mais rápido, menos atrito na compra, e aceleração do time-to-value, especialmente para iniciativas de IA, aplicações modernizadas e cenários de nuvem híbrida/multicloud.

Ao rodar na OCI, os clientes conseguem escalar workloads modernos com mais previsibilidade, mantendo flexibilidade para escolher onde cada carga faz mais sentido (data center, nuvem pública, edge ou combinações). Isso ajuda a reduzir dependência de um único fornecedor (menos lock-in), aumentar controle sobre a infraestrutura e apoiar demandas que estão ficando cada vez mais comuns, como soberania digital, privacidade de dados e baixa latência.

Assim a parceria SUSE + Oracle facilita a vida na hora de comprar, acelera a entrega de projetos e dá mais liberdade para a TI inovar — com impacto positivo em custo, velocidade e governança.

Conversa com Deke-Peter van Leeuwen, CEO da SUSE

Tive a oportunidade de participar de uma conversa com o CEO da SUSE na qual, em resumo, ele destacou vários focos estratégicos da empresa. Dirk Peter disse que a SUSE está bem-posicionada não só pra IA, mas principalmente pra “soberania digital”. Empresas querem reduzir lock-in e, de quebra, blindar a continuidade do negócio contra risco geopolítico (tipo um decreto que “desliga” serviço). Por isso pesa o fato de a SUSE ser europeia e, mais ainda, ser 100% open source. Na visão dele, open source é um lugar mais “seguro” porque é transparente. Se uma falha aparece, o mundo vê e corrige rápido. Em soluções fechadas ou proprietárias dá pra esconder problema por mais tempo. Em IA, ele descreveu três ondas e disse que a mais sensível é quando a empresa coloca seus próprios dados e propriedade intelectual no modelo. Aí todo CIO pede solução soberana, muitas vezes híbrida/on prem. A estratégia da SUSE é crescer com suporte forte e um ecossistema de parcerias (conectar players), e não só crescer apenas por meios de aquisições.



Isso tudo e até mais foi objeto do primeiro dia do evento! Em breve mais destaques do SUSECON 2026, incluindo duas conversas para o PapoFácil! Até lá!!


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