Na sequência do SUSECON 26 aconteceram dois dias bem
movimentados, nos quais temas importantes foram compartilhados. Percebo que são
passos estratégicos sendo dados pele empresa visando fortalecer sua presença entre
as grandes empresas, tendo como mote a frase que vem sendo divulgada desde o
ano passado na edição 2025 do evento, que é
“Choice Happens”. Começo essa jornada hoje com a converso do CTO da SUSE
com os jornalistas do mundo todo.
Conversa com Thomas Di Giacomi, CTO da SUSE
A conversa girou em torno de como soberania digital,
resiliência e padrões abertos se conectam em ambientes híbridos e de edge. A
ideia é que, quanto mais você controla seus dados e sua stack (com open
source/containers/Kubernetes), mais consegue reagir rápido e reduzir
dependências/lock-in, mas sem eliminar parceiros, e sim escolhendo melhor onde
depender. Também entrou em temas como “bundle” de soluções (ex.: com NVIDIA),
blueprints prontos pra IA/RAG, interoperabilidade via padrões (tipo MCP) e o
cuidado com segurança. Abertura é diferente de abrir todos os dados. Precisa
governança e confirmação humana para algumas ações.
Eu tive a oportunidade de fazer um pergunta para ele que foi a seguinte:
Eu quero ouvir nas suas palavras, com mais detalhes, especificamente, como nós podemos
relacionar soberania digital com resiliência?
Segue a resposta dele:
Na minha cabeça, se você pega esse aspecto de controle, se você controla seu
destino, seus dados, sua TI, quando você controla as coisas, você consegue
reagir ou agir, dá pra fazer algo a respeito da sua TI. Se você não controla,
aí você só vai seguindo o que outra pessoa decide, e isso pode até ser bom, mas
poderia ser melhor também. Então, quando nós controlamos, conseguimos escolher
o nível de dependência. E isso te dá esse lado de resiliência, porque você tem
acesso a tudo e consegue decidir.
O balanço (trade-off) é: quanto mais “opções” você tem,
mais capacidade você ganha. Então, reduzir dependências é bom, mas você sempre
vai ter alguma dependência. Você precisa confiar em parceiros, precisa confiar
que você não consegue quebrar todas as dependências em tudo. Mas precisa
garantir que, pelo menos, você não fique preso a uma única dependência, que
você tenha margem de escolha, certo?
Inovação em Switch e SUSE
Advance Digital Twin com NVIDIA
SUSE e Switch (operador de mega data center nos EUA) avançaram
na parceria para acelerar a iniciativa de Digital Twin (gêmeo digital) e
deixar as chamadas “AI Factories” mais prontas para o dia a dia. A ideia é usar
uma base aberta e robusta (SUSE) junto com a infraestrutura e tecnologia da
NVIDIA para rodar, no mesmo ambiente, simulações em tempo real e cargas de IA.
O gêmeo digital é basicamente uma simulação que recebe dados
operacionais o tempo todo para modelar o data center “de verdade”. Dá para
prever o que vai acontecer e otimizar antes de mexer em nada no físico. No caso
da Switch, isso ajuda a simular consumo de energia, calor (dinâmica térmica) e
desempenho da infraestrutura em escala, buscando mais eficiência, resiliência e
previsibilidade.
Eles combinam o SUSE AI (sobre o Rancher Prime e o SLES) com
as bibliotecas do NVIDIA Omniverse e a plataforma DGX, usando também o
Omniverse DSX Blueprint para rodar IA/ML e simulação juntos na mesma
infraestrutura, sem separar tudo em silos.
O resultado prometido é um data center mais “esperto” e mais
fácil de operar, mais segurança (inclusive em ambientes isolados da internet),
mais confiabilidade com atualizações e gestão automatizadas, e uma base mais
“corporativa” para rodar modelos de linguagem com controle e governança. A
Switch também usa essa plataforma para rodar modelos internos e automatizar
tarefas, melhorando a operação e o serviço aos clientes.
SUSE anuncia a Plataforma Industrial Edge
A SUSE lançou o Industrial Edge, uma plataforma de IoT
industrial feita pra juntar dados do chão de fábrica com a “inteligência” do
mundo corporativo e dar uma visão mais completa das operações.
O anúncio vem logo depois da compra da Losant (fev/2026). Na
prática, essa aquisição vira o motor da solução e ajuda a SUSE a fechar uma
lacuna no tal “espectro de edge”. O Tiny Edge, onde vivem sensores e
dispositivos mais limitados, ou seja, onde os dados nascem.
A proposta é atacar o “último quilômetro” do IoT industrial
e acabar com o cenário comum de implantações separadas por site (fábricas,
lojas, navios, escritórios), que viram silos e dificultam comparar desempenho e
enxergar problemas em tempo real.
O diferencial principal é ser neutra de fornecedor e
independente de protocolo. Conecta em fontes bem diferentes (Siemens, Beckhoff,
HVAC, quiosques, motores, OPC UA etc.), normaliza os dados e mostra tudo num
painel único. Entre os recursos, há compatibilidade ampla, fluxos visuais
no/low-code pra criar lógica operacional, dashboards em vários níveis,
templates prontos e integração mais direta com sistemas de TI.
Pra fechar, a SUSE diz que vai reforçar a iniciativa Margo
(Linux Foundation) pra impulsionar interoperabilidade e padronização no edge
industrial — e que pretende abrir o código da tecnologia da Losant pra
fortalecer o ecossistema e a inovação em comunidade.
SUSE e líderes do setor entregam IA agente segura para
gestão de infraestrutura
A SUSE anunciou parcerias com players do mercado (como AWS,
Fsas Technologies, n8n, Revenium e Stacklok) pra levar IA “agêntica” de um
jeito mais seguro para dia a dia da operação de data center e nuvem. A ideia é
deixar agentes de IA monitorarem, investigarem problemas e otimizarem ambientes
de TI com mais autonomia, sem virar uma bagunça difícil de governar.
O ponto central é o uso do Model Context Protocol (MCP), que
funciona como uma “ponte padrão” entre os agentes e a infraestrutura
(servidores, clusters e afins). Com isso, ferramentas de agentes (tipo n8n e
Revenium) conseguem se conectar de forma controlada ao SUSE Rancher Prime e ao
SUSE Multi-Linux Manager, rodando em diferentes distribuições Linux e
Kubernetes.
Na prática, esses agentes podem detectar falhas, cruzar
dados com logs e até disparar ações de correção — como propor um patch via pull
request, reiniciar serviços ou aplicar updates — tudo dentro de um ambiente com
regras e segurança. A SUSE posiciona isso como uma forma de tirar a automação
do “silo” e reduzir risco quando a IA precisa mexer nas camadas mais sensíveis
da TI.
Os clientes atuais já podem automatizar workflows usando
servidores com MCP no portfólio da SUSE. Quem é novo pode adotar o Rancher
Prime e/ou o Multi-Linux Manager como base da estratégia de IA agêntica em
qualquer data center ou cloud. Segundo a SUSE e parceiros, o diferencial aqui é
combinar padrão aberto, escolha de LLM por caso de uso e “trilhos” de
governança (inclusive financeiros) pra rodar agentes em produção com mais
confiança.
Por hoje é isso. Farei ainda uma última publicação com o PapoFácil gravado com Marcos
Lacerda, Presidente da SUSE América Latina e também outra conversa com um cliente
da SUSE, a Unimed BH. Até a próxima publicação!
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