sábado, 16 de janeiro de 2016

Lenovo VIBE A7010 – que ótima surpresa!!

Sabíamos que a Lenovo havia adquirido a Motorola tempos atrás e que em seu país de origem (China) já fabricava smartphones. Era uma questão de tempo chegar em terras brasileiras um exemplar. Ele chegou, personificado no modelo VIBE A7010. A ideia da empresa é trabalhar a marca VIBE para aparelhos de nível de entrada e intermediários, direcionados ao público jovem, descolado e que tenham muitos recursos que satisfaçam este público. A marca MOTO (originada da Motorola) será direcionada para um segmento de intermediário ou topo.

A propósito, muito se falou em dias recentes sobre a descontinuidade da marca Motorola por parte da Lenovo. Minha opinião é que foi muito barulho para nada, uma vez que a marca MOTO continuará sendo usada. Mas afinal qual o motivo de minha surpresa com o novo VIBE? Vamos entender...



figura 01 – Lenovo VIBE – visão frontal e lateral


Para você que quer ter uma visão rápida do VIBE, logo abaixo está um resumo da minha avaliação (que é na verdade a própria conclusão do teste). Quem quiser ver o teste em profundidade, eu o convido a seguir na leitura do texto que contém muita informação e detalhes ou mesmo pular a avaliação resumida uma vez que ela se encontra replicada no final do texto (conclusão).
 

Avaliação Resumida (conclusão)


O Lenovo VIBE A7010 é um smartphone bastante sintonizado com o segmento de mercado para o qual ele é destinado. Tem visual moderno e bonito acabamento. Tela de 5.5 Full HD confere ótima legibilidade e exibição de imagens. Tem som diferenciado (Dolby). O armazenamento interno de 32 GB não vai fazer ninguém passar aperto e ainda permite expandir com cartão MicroSD até 128 GB. Seu tamanho é até um pouco menor que outros smartphones de 5.5 polegadas e pesa apenas 160 gramas.

O desempenho do VIBE é consistente, fluido, robusto e sem engasgos proporcionado pelo processador de 8 núcleos e 2 GB de memória RAM. Seu Android 5.1 vem sem programas sem utilidade. Mas a Lenovo trabalhou a interface de uma forma muito bem-feita e agradável. Embora eu quase sempre me confundia com algum atalho, ligando sem querer a lanterna muitas vezes, mas este é um problema meu, já que não achei mais relatos sobre isso.

A câmera fotográfica de 13 MP (traseira) ou 5 MP (frontal) é muito boa, registra os momentos, fotos e vídeos com competência. Tem espaço para melhoria ao capturar imagens com menor luminosidade, fotos internas ou noturnas, que aliás, muito poucos smartphones conseguem fazer com alta qualidade. Destaco o comando gestual (letra “V”) para disparar o selfie e o bom recurso de embelezamento facial, bem como boas fotos panorâmicas.

Mas se tiver que destacar a maior virtude do VIBE, foi no meu teste a duração de sua bateria. Seja em regime de stress com o WAZE ou uso normal, após testá-lo por muitos dias obtive autonomia de 7 horas a 17 horas respectivamente. Isso posiciona o VIBE como o segundo melhor desempenho de bateria de todos smartphones que já testei (sempre lembrando que faço o teste segundo o meu padrão de uso). Seu preço é de R$ 1.399,00 na venda direta da Lenovo, mas em algumas lojas virtuais pode ser encontrado a partir de R$ 1.259,00. Considero uma ótima alternativa de compra para este segmento de mercado e faixa de preço. Por isso que foi para mim uma ótima surpresa, conhecer o primeiro modelo Lenovo a chegar no Brasil.


Avaliação Completa (todos aqueles detalhes que prometi)

  

Características gerais


Destaco inicialmente o tamanho do VIBE. Sua tela é de 5.5 polegadas. Eu já estou totalmente adaptado e capturado por este formato. É o que prefiro e a sua manipulação é bem fácil (vide fotos abaixo). O nível de brilho e contraste são ótimos! Eu atribuo parte do ótimo desempenho de sua bateria à possibilidade de usar a tela com brilho reduzido, menos de 30% e ainda assim ter ótima legibilidade.

Ainda sobre suas dimensões, pesa apenas 160 gramas e de forma surpreendente, ele é menor que outros smartphones de mesmo tamanho de tela. A foto abaixo mostra o VIBE ao lado de um competente Asus Zenfone 2, aparelho do mesmo nicho de mercado. A tela tem rigorosamente a mesma área útil, mas o VIBE é um pouco menor.


figura 02 – Lenovo VIBE e Asus Zenfone 2


figura 03 – Lenovo VIBE sendo manipulado – tamanho real

Seu sistema operacional é o Android 5.1 com algumas pequenas modificações feitas pela Lenovo que tornam a interface bem interessante e fácil de usar. Em todo teste que faço eu instalo via Play StoreTODOS os aplicativos do meu dia a dia e adoto o aparelho por 3 ou 4 semanas no mínimo. Configura minhas principais 4 contas de e-mail, redes sociais, etc. A propósito, ele tem alguns aplicativos da Lenovo, mas não é enxovalhado de outros programas desnecessários. Ainda bem! Dessa forma iniciei o teste. Usando desta forma acabo por dar minha opinião mais relacionada à experiência de uso e não em testes de recursos específicos e benchmarks (que também considero importantes).


figura 04 – Lenovo VIBE


A interface prática, funcional e bonita, mas eu fiquei o tempo todo brigando com a lanterna do VIBE. A Lenovo inseriu algum atalho gestual no VIBE para ligá-la. Por isso muitas das vezes que eu desbloqueava o aparelho ele de imediato ligava a lanterna. Isso não é problema algum, mas chegou uma hora que isso começou a me irritar. Depois passou, eu me acostumei.


figura 05 – Lenovo VIBE – visão lateral


Vou detalhar adiante estes pontos, mas já quero antecipar que sua câmera é bastante competente (com espaço para melhorias) e a duração da bateria, sua autonomia de uso, para o meu padrão de uso foi FANTÁSTICA!

Dispõe do sofisticado recurso de sensor de impressão digital, muito prático para agilizar a autenticação (privacidade) que também pode ser configurado para outras funções como tirar selfie, botão de voltar, etc. Sua tela Full HD confere definição e clareza nas imagens visualização das fotos. Traz 32 GB de espaço interno, mais que suficiente para não ser pego de surpresa sem pode instalar aplicativos ou tirar fotos (isso aconteceu comigo em teste de outros smartphone recentemente). Além disso, aceita cartão microSD de até 128 GB, uma tranquilidade, ao contrário de algumas marcas super badaladas (mais que uma) que escravizam o consumidor ao espaço existente na compra do aparelho.


figura 06 – Lenovo VIBE visão frontal e traseira – preto


O nome VIBE não é à toa e alguns recursos remetem a este conceito. Tem som diferenciado. Além de ter dois alto falantes, um em cada lateral do aparelho (na verdade em cima e em baixo), dispõe do recurso DOLBY ATMOS® que traz um som mais intenso, limpo e de ótima qualidade. Ninguém vai dar uma festa com o som do Lenovo VIBE, mas sua qualidade é melhor que a grande maioria de smartphones que testei.


figura 07 – Lenovo VIBE visão detalhada da base do aparelho e alto-falante


A Conectividade é garantida. Funciona com redes 2G, 3G e 4G. Dispõe de Bluetooth e seu WiFi é multi padrão. Explicando melhor, funciona em 2.4 Ghz e 5.0 Ghz. Isso confere compatibilidade com os padrões 802.11 b, g, n e o mais novo “ac” (5 Ghz) de alta velocidade.

Seu “coração”, ou seja, chipset, processador e GPU não são os mais rápidos do mercado, mas o conjunto é bastante equilibrado e harmonioso. O processador funciona a 1.3 Ghz, mas são 8 núcleos!! Essa característica de projeto o torna muito econômico e ao mesmo tempo dá conta totalmente do recado. Em momento algum eu tive lentidão, engasgos, travamentos... nada disso!! Lembro que foram muitas semanas de teste.

o VIBE permite que seja configurado ambiente com contas e aplicações separadas da área normal, protegido por senha, permitindo o uso de duas contas de Whatsapp, e outras redes sociais, por exemplo. Está disponível nas cores branca e preta.


figura 08 – Lenovo VIBE visão traseira nas cores preto e branco


A tabela abaixo resume as características principais do Lenovo VIBE A7010.



figura 09 – Lenovo VIBE – características gerais




Duração da bateria


Quando avalio autonomia de smartphones faço um teste extenso, por pelo menos 20 dias. Utilizo o aparelho segundo o MEU PADRÃO de uso, que se não é o mais pesado possível (não jogo no smartphone), por outro lado uso muitos aplicativos no dia a dia.

O WAZE é fundamental para mim. Este aplicativo é o maior triturador de carga de baterias que existe. É o meu teste extremo. O VIBE se usado 100% do tempo com o Waze teria autonomia média de 7 horas. Falando de outra forma, cada 1% da carga da bateria é drenada em 4 minutos e 12 segundos. Em termos de comparação, Asus Zenfone 2 esgota sua bateria com WAZE em 4 horas e 6 minutos. Já o competente SamsungS6 Edge durou no meu teste com o Waze 5 horas e 20 minutos. O Lenovo VIBE teve o melhor desempenho de todos os aparelhos que já testei (foram muitos) em termos de autonomia usando WAZE!!
    
O outro extremo do teste da bateria é a análise de “stand-by”, smartphone ligado todo o tempo, mas sem uso. Nesta situação o VIBE ficou quase 136 horas em funcionamento (5 dias e 16 horas). Isso pode não significar muita coisa, pois não é prático ter um smartphone ligado e não usá-lo. Mas analisando estes extremos fica muito bem estabelecido o limite máximo e mínimo de a autonomia entre praticamente 7 horas e 136 horas do VIBE, apenas dependendo da forma de uso.


figura 10 – autonomia de bateria no Lenovo VIBE em diversos cenários

Esta análise é feita dia a dia, por pelo menos 20 dias (22 dias no caso do VIBE) e apuro diversos dados como tempo de uso dos principais aplicativos, tempo de tela ligada, GPS, redes sociais, chamadas de voz, percentual de uso no dia, tempo de uso, etc.



figura 11 – “diário de bordo” da avaliação da bateria(clique para ampliar)


Isso tudo me permite calcular a autonomia no caso de usar 100% da carga. Tenho a pretensão de um dia relacionar os tempos com aplicativos e duração para cada smartphone. Ainda não cheguei lá, mas posso mostrar com detalhes como o Lenovo VIBE lidou com sua bateria nestes 22 dias. E não é nada surpreendente que existam variações bem grandes no dia a dia. Não somente cada pessoa tem seu próprio perfil de uso, como a mesma pessoa usa o smartphone de forma diferente cada dia. No pior caso, obtive 11 horas de autonomia (uso muito intenso bem acima do meu uso padrão) e no melhor caso, quase 23 horas (uso bem mais leve). Na média, a bateria do Lenovo VIBE me atendeu diariamente por 17 horas. Isso fica bem claro no gráfico abaixo.



figura 12 – duração da bateria em regime de uso normal

O mesmo fenômeno acontece quando avalio o uso do WAZE de forma exclusiva (apenas usando o WAZE continuamente). Obtive autonomia entre 6.5 e 7.5 horas. A mesma pessoa, o mesmo smartphone, o mesmo WAZE, há variações de um dia para o outro. Seja por causa do percurso, uso em segundo plano, etc.


figura 13 – duração da bateria usando apenas o Waze

Portanto, quero fique muito claro, estes números dizem respeito ao MEU padrão de uso, que pode ser mais intenso ou mais leve do que o padrão do leitor ou leitora. Tenha sempre isso em mente ao ler este tipo de informação em avaliações de smartphones.

O Lenovo VIBE ainda tem, como vários smartphones, modos para reduzir o consumo, desde o modo “econômico” simples (reduz vibrações, sincroniza dados com menos frequência, etc.) como no outro extremo o modo chamado “Economia de Energia Definitiva”. Dessa forma ele muda totalmente a interface, limita a funcionalidade a chamadas de voz e SMS, de tal forma que com muito pouca carga, por exemplo 18%, ainda consegue operar por mais de 13 horas. Também permite gerenciar os aplicativos que ficam ativos em segundo plano (muitos smartphones não têm este recurso) para limitar o consumo somente àqueles que nos são mais importantes. Resumindo, o VIBE foi fantástico no gerenciamento da energia, está entre os 2 melhores que já testei.


Câmera fotográfica

    
Especificações técnicas à parte, o que interessa para o consumidor é a praticidade e a qualidade das fotos. A LENOVO fez um bom trabalho com a câmera do VIBE e há alguns pontos a serem realçados. Merecem destaque tanto as ótimas fotos, como também percebo que melhorias podem ser feitas. Costumo citar nas avaliações de smartphones que tenho publicado, que a melhor câmera que vi em minha vida foi a do Samsung S6 Edge que testei em julho passado. Virou referência para mim. É “o time a ser batido”, e não é fácil.

O VIBE é um modelo de menor custo, mas não fez feio ao capturar fotos, muito pelo contrário. Registra rapidamente a foto e tem ótima sensibilidade. Conta com um recurso mais sofisticado, como HDR (High Dynamic Range) que ajusta  a iluminação em cenas com fundo muito claro). Ao mesmo tempo a interface é bem simplificada, visando tornar fácil para o usuário. Há uma galeria com alguns efeitos (sépia, negativo, preto e branco, etc.) e também permite tirar fotos panorâmicas. Não há opção para ajustes manuais, mais apropriados para usuários com maior conhecimento de fotografia.

Não gostei de uma coisa. Ao rever a foto, imediatamente após ser capturada, gosto de fazer um zoom para olhar um detalhe da foto. Nessa hora o nível de ampliação da foto é restrito. Se quiser ver as fotos com maior detalhamento (zoom), precisa abri-la na galeria de imagens e lá sim pode ser feito o tradicional movimento de pinça e obter o zoom máximo possível. É uma limitação que para mim não faz sentido.

Vídeos podem ser capturados em FullHD (1920x1080), HD (1260x720) e Normal (640x480) a 30 quadros por segundo. A qualidade dos vídeos obtidos foi ótima! Totalmente compatível com a expectativa, embora em situações de pouca luz haja uma pequena perda de detalhes.

Pensando no perfil do consumidor deste aparelho o modo nativo, automático faz um trabalho notável. Fiz alguns registros neste modo automático (o mais comum), em 13 MP. Veja os resultados e julgue por si mesmo.


figura 14 – paisagem externa, ampla iluminação (clique para ampliar)

A foto acima é supostamente “fácil”, pois o foco é no infinito, há bastante iluminação e assim os detalhes são capturados com muita riqueza e cores bastante fiéis. Perfeito o registro!

As próximas duas fotos são de uma situação mais difícil. Ambiente interno, pouca luz e por conta da distância que tirei a foto, não deu para usar o flash (não faria diferença). O resultado é bom, a despeito de pouca iluminação, bom registro. Mas ao ver em detalhe, aplicar um grande zoom (segunda foto abaixo) percebe-se que a pouca luz implicou em pequena perda de nitidez e algum nível de ruído nos pixels. Lição básica na fotografia, luz é tudo!!


figura 15 – Lenovo VIBE – foto interna (clique para ampliar)


figura 16 – Lenovo VIBE – detalhe da foto interna com pouca luz

A próxima foto ilustra outra boa característica do VIBE. O recurso HDR permite que se tire fotos de cenas com luz de fundo intensa e ainda assim o que está no primeiro plano seja bem visível. Caso contrário (sem o HDR) ficaria muito escura a parte mais próxima da foto. Veja que há luz forte do sol no prédio e uma boa área sob a sombra que mesmo assim está bem visível.



figura 17 – foto de panorama externo usando HDR (clique para ampliar)

A próxima foto de novo ilustra o uso do VIBE em fotos em ambiente interno, mas dessa vez tirada com flash. Considero um registro competente da cena, mas poderia ter um pouco mais definição. Meu papel ser crítico e só por isso chamo a atenção para este detalhe. Um usuário comum vai ficar satisfeito com esta foto. Mas há espaço para melhorias.



figura 18 – foto interna com flash tirada em média distância (clique para ampliar)

As próximas duas fotos foram feitas com a câmera frontal do VIBE, que tem recurso de embelezamento facial. Uma suavização das cores é aplicada na pele, de forma a tornar mais homogênea a superfície. O resultado é ótimo e pode ser graduado de 1 a 7 (uso do recurso com maior ou menor intensidade).



figura 19 – selfie em ambiente externo (clique para ampliar)

Mas um dos destaques do VIBE é sua capacidade de acionar o disparo da foto pelo comando de gestos. Basta fazer com os dedos o “V” de VIBE que a foto é tirada, após uma contagem regressiva de 3 segundos, que dá tempo para tirar a mão da frente. Testei com alguns amigos e todos quiseram fazer o “V”, de todo jeito e em todo lugar, até sobre minha cabeça!!



figura 20 – selfie com amigos testando o gesto “V” para acionar o VIBE (clique para ampliar)

As próximas quatro fotos ilustram bem o comportamento do VIBE em diferentes situações. O mesmo objeto foi fotografado em diferentes condições de luz, cerca de 45 centímetros de distância.

São dois porta lápis com vários objetos coloridos. Na primeira delas o ambiente foi tornado escuro propositalmente. A janela foi fechada quase que totalmente. A foto faz parecer que havia mais luz do que havia de fato. A despeito das cores estarem “lavadas” e um pouco pálidas, existe algum ruído nos pixels. Mas ter conseguido esta foto com tão pouca luz é algo a se destacar.


figura 21 – pouca iluminação e sem flash (clique para ampliar)

A segunda foto foi feita com a mesma iluminação (quarto quase escuro), mas com flash. Todas as pequenas imperfeições da foto acima causadas pela pouca luz desapareceram. Todos os objetos estão ricamente iluminados. Mas como qualquer câmera, as cores aparecem sob flash de uma forma um pouco artificial. Grandes fotógrafos sempre orientam no sentido a evitar flash sempre que possível para obter fotos mais naturais.



figura 22 – ambiente escuro com flash (clique para ampliar)

A terceira foto é da mesma cena, mas tirada com a janela aberta, sujeita apenas à iluminação natural. Ressalto que o dia estava bem nublado e por isso o nível de luz externa não era tão intensa como seria em um lindo dia ensolarado. Mas mesmo assim há o registro de riqueza de detalhes, cores bem naturais e bastante fiéis. Isso se evidencia na foto seguinte, um recorte  que mostra um detalhe do porta lápis.

figura 23 – ambiente bem iluminado (clique para ampliar)



figura 24 – ambiente bem iluminado – detalhe dos objetos (clique para ampliar)


Conclusão


O Lenovo VIBE A7010 é um smartphone bastante sintonizado com o segmento de mercado para o qual ele é destinado. Tem visual moderno e bonito acabamento. Tela de 5.5 Full HD confere ótima legibilidade e exibição de imagens. Tem som diferenciado (Dolby). O armazenamento interno de 32 GB não vai fazer ninguém passar aperto e ainda permite expandir com cartão MicroSD até 128 GB. Seu tamanho é até um pouco menor que outros smartphones de 5.5 polegadas e pesa apenas 160 gramas.

O desempenho do VIBE é consistente, fluido, robusto e sem engasgos proporcionado pelo processador de 8 núcleos e 2 GB de memória RAM. Seu Android 5.1 vem sem programas sem utilidade. Mas a Lenovo trabalhou a interface de uma forma muito bem-feita e agradável. Embora eu quase sempre me confundia com algum atalho, ligando sem querer a lanterna muitas vezes, mas este é um problema meu, já que não achei mais relatos sobre isso.

A câmera fotográfica de 13 MP (traseira) ou 5 MP (frontal) é muito boa, registra os momentos, fotos e vídeos com competência. Tem espaço para melhoria ao capturar imagens com menor luminosidade, fotos internas ou noturnas, que aliás, muito poucos smartphones conseguem fazer com alta qualidade. Destaco o comando gestual (letra “V”) para disparar o selfie e o bom recurso de embelezamento facial, bem como boas fotos panorâmicas.

Mas se tiver que destacar a maior virtude do VIBE, foi no meu teste a duração de sua bateria. Seja em regime de stress com o WAZE ou uso normal, após testá-lo por muitos dias obtive autonomia de 7 horas a 17 horas respectivamente. Isso posiciona o VIBE como o segundo melhor desempenho de bateria de todos smartphones que já testei (sempre lembrando que o texto segundo o meu padrão de uso). Seu preço é de R$ 1.399,00 na venda direta da Lenovo, mas em algumas lojas virtuais pode ser encontrado a partir de R$ 1.259,00. Considero uma ótima alternativa de compra para este segmento de mercado e faixa de preço. Por isso que foi para mim uma ótima surpresa, conhecer o primeiro modelo Lenovo a chegar no Brasil.



figura 25 – Lenovo VIBE visão

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Samsung On7 – excelente em quase tudo! Show de bateria e câmera!

O segmento do mercado de smartphones de aparelhos de entrada é muito importante, pois concentra o grande volume de vendas de nosso mercado, tão competitivo e cheio de alternativas. A Samsung tem uma velocidade e dinamismo para desenvolver soluções e novos produtos de forma surpreendente. Tanto em produtos de entrada como também no segmento premium como Galaxy S6, S6 plus, Note 5, etc. Isso permite que que ela traga algumas tecnologias e crie aparelhos no segmento de entrada com características muito interessantes. É o caso do On7. 


figura 01 – visão frontal e lateral do On7

Características e usabilidade

A saber, o nome On7 indica ser uma linha que é vendida exclusivamente online pela Samsung em sua loja virtual e vários parceiros com venda online. Eu pude usá-lo por um longo período de tempo e apesar de ser um smartphone de entrada percebi grandes virtudes, algumas até geralmente presentes em dispositivos mais sofisticados. Comecemos com um resumo de suas características:
  • Processador Quad Core de 1.2 Ghz
  • Memória RAM de 1.5 GB
  • Armazenamento interno de 8 GB (aceita cartão micros para expansão até 128 GB)
  • Tela de 5.5 polegadas resolução 1280x720 (HD) TFT
  • Câmera principal de 13 MP e frontal de 5 MP com foco automático e
  • Flash na câmera principal
  • Gravação de vídeo em 1920x1080 (FullHD) e 30 frames por segundo
  • Conexão 3G/4G
  • WiFi padrão 802.11 b/g/n 2.4GHz
  • Sistema operacional Android 5.1
  • Dimensões (mm) 151.8 x 77.5 x 8.2
  • Peso 171 g
  • Bateria de 3000 mAh (4G até 12 horas e WiFi até 14 horas)
  • Disponível nas cores prata e preto



figura 02 – visão frontal e traseira do On7

À primeira vista ele lembra muito seus irmãos mais velhos (e mais caros) fabricados pela Samsung, tanto no design do aparelho em si como pelas cores. Mas esta impressão é atenuada ao manipular o aparelho com as próprias mãos ao percebermos que ele é feito de plástico e não metal. Mas o plástico tem uma textura que se assemelha ao metal e o resultado prático disso é bem interessante. Ser de plástico não é problema algum. Não tem como o fabricante direcionar um aparelho para um segmento de custo menor sem que algum compromisso seja feito. Aparelhos metalizados têm um toque agradável, têm brilho, mas custam mais caro.


figura 03 – Samsung On7

O On7 suporta 2 chips que podem ser direcionados, por exemplo, para uso pessoal e profissional. De forma similar o On7 conta com o software MyNox que permite ter um sistema dual de contas no aparelho de forma a permitir uso de redes sociais, whatsapp, etc. usando identidades diferentes. Na imagem abaixo podem ser vistos os espaços para os chips, slot do cartão MicroSD e algo que julgo muito importante, a bateria removível. Dessa forma, se um dia a bateria tiver sua vida útil prejudicada pode ser trocada por uma nova. Com a tecnologia atual de baterias isso vai demorar bastante e o usuário possivelmente poderá preferir trocar de aparelho. Mas se quiser trocar a bateria, isso poderá ser feito.


figura 04 – Samsung On7 compartimento interno

Eu destaco a usabilidade do aparelho. Confesso que pelo fato de ter 1.5 GB de RAM, não tinha certeza de sua agilidade em situações de vários aplicativos abertos. Tenho testado smartphones com 2, 3 e até 4 GB de memória. Mas o On7 não apresentou problema algum na fluência de operação com os programas, sendo bastante ágil.

Senti falta do recurso de ajuste de luminosidade de tela de forma automática, recurso este presente em muitos smartphones. O usuário pode fazer este controle de forma manual ou se estiver em um lugar com muita luz, pode acionar o recurso “modo externo” que ativa imediatamente o brilho máximo.

Problemas com memória – 8 GB é impraticável

Tive problema com o On7, relacionado ao espaço de armazenamento interno padrão de 8 GB. Na verdade, sobra para o usuário pouco mais de 4 GB, pois o próprio Android e aplicações nativas ocupam espaço. Ao configurar minha conta Google eu pedi para que todos os aplicativos que costumo usar fossem instalados. Afinal o teste que faço é sempre em regime de uso REAL! Foram instalados os aplicativos da figura abaixo, mais as minhas 4 contas de e-mail, Waze, Facebook, Linkedin, Twitter, etc.


figura 05 –aplicativos instalados no Samsung On7

Mas após este longo processo de download fui instalar um aplicativo a mais. Apenas UM!! Vvejam na figura abaixo o que aconteceu:


figura 06 –falta de memória ao tentar instalar mais um aplicativo

Fiz uma limpeza de aplicativos menos necessários e consegui instalar o programa acima. Mas uns dias depois o sistema me avisou para que eu atualizasse vários aplicativos. Ao disparar o processo de atualização não havia espaço como mostra a tela abaixo:


figura 07 – falta de memória ao tentar atualizar aplicativos

Alguns foram atualizados e outros não. Nessa hora eu instalei um MicroSD de 16 GB que tinha sobrando, movi fotos para o cartão e precisei entrar nas configurações dos aplicativos e um a um pedir para movê-los para o cartão de memória (os que permitem que isso seja feito – não são todos). Depois disso fiz as pazes com o On7 e nunca mais tive problemas com espaço.

O que posso concluir sobre isso? A SAMSUNG e qualquer outro fabricante de smartphone não deveria JAMAIS oferecer ao mercado um aparelho com exíguos 8 GB de memória!! Não em 2016 (talvez isso fosse possível em 2012 ou 2013)!! Na prática são apenas 4 GB de espaço livre. Um usuário que não seja aquele que apenas fala no telefone e troca mensagens por whatsapp, vai ter problemas de espaço muito rapidamente. E nem todos têm o conhecimento para após instalar o cartão de memória, mover os aplicativos com seus dados para o cartão. Acham que basta inserir o MicroSD que tudo se resolve, que não é verdade.

Um cartão MicroSD de 16 GB custa no varejo R$ 30 (exemplo). A Samsung fabrica memórias flash e o custo de 16 GB para ela deve ser algo marginal, menos de R$ 5 (estimativa minha). Mas mesmo que fosse R$ 30, a experiência de uso para o cliente será infinitamente melhor se o smartphone não tiver essa “bomba relógio” pronta para explodir assim que o espaço acabar.

Por fim, ao inserir o cartão de 16 GB o espaço foi multiplicado por 5!!! Eu explico. Com 8 GB, 4 GB livres, some 4 os 16 adicionais temos 20 GB de espaço, cinco vezes mais que os 4 GB livres “originais de fábrica”. Sinto muito ter que detalhar tudo isso neste texto, mas a experiência de uso foi péssima quando no primeiro dia esgotou o espaço de aparelho sem ao menos ter capturado fotos, adicionado músicas, etc.

Com a memória adicional (que eu recomendo a todos que adquirirem este aparelho) e as devidas “manobras”, o On7 brilhou e pode mostrar todas as suas outras grandes virtudes!! Não são poucas. Duração de bateria e câmera são atributos que valorizo muito e o On7 se deu muito bem!!

Duração da bateria

Faço um teste minucioso, extenso, pelo menos 20 dias. Faço uso normal segundo o MEU PADRÃO de uso, que se não é o mais pesado possível (não jogo no smartphone), por outro lado uso muitos aplicativos no dia a dia.

O WAZE é fundamental para mim. Ao mesmo tempo este aplicativo é o maior triturador de carga de baterias que existe. É o meu teste extremo. O On7 se usado 100% do tempo com o Waze teria autonomia média de 5 horas e 54 minutos. Falando de outra forma, cada 1% da carga da bateria é drenada em 3 minutos e 31 segundos. Em termos de comparação,  Asus Zenfone 2 esgota sua bateria com WAZE em 4 horas e 6 minutos. Já o competente S6 Edge durou no meu teste com o Waze 5 horas e 20 minutos. Ou seja, o On7 usando Waze tem mais autonomia que o S6 Edge (que tem tela de maior resolução e por isso pode gastar um pouco mais).
     
O outro extremo do teste da bateria é a análise de “stand-by”, smartphone ligado todo o tempo, mas sem uso. Nesta situação o On7 ficou quase 140 horas em funcionamento (5 dias e 20 horas). Isso pode não significar muita coisa, pois não é prático ter um smartphone ligado e não usá-lo. Mas adicionando o cenário do WAZE fica muito bem estabelecido o limite máximo e mínimo entre praticamente 6 horas e 143 horas a autonomia do On7, apenas dependendo da forma de uso.


figura 08 – autonomia de bateria no Samsung On7 em diversos cenários


Veja na imagem abaixo o exemplo de um dos 21 dias de análise do On7. Percebe-se no gráfico como o tipo de uso a cada momento é importante (gráfico mais inclinado – maior consumo naquele momento). Importante também nessa figura a informação de que a tela consumiu quase 25% da energia, que indica um uso relativamente intenso. E mesmo assim neste dia já tinham sido usados quase 15 horas e restavam ainda 19% da bateria.
     

figura 09 – perfil de uso da bateria em um dos dias do teste

Outra informação importante a destacar é que o padrão de uso de uma pessoa, o meu padrão de uso, varia dia a dia. A figura abaixo mostra a autonomia aferida por 21 dias seguidos. Nos primeiros dias usei menos o carro e portanto menos tempo de WAZE. E nos dias subsequentes variações importantes entre 11 horas e 20 horas de autonomia. Da mesma forma usando o próprio WAZE, em função de trajeto, luminosidade do ambiente, etc. o WAZE também apresenta variação no consumo de bateria (autonomia prevista entre 5 e 7 horas).


figura 10 –autonomia da bateria ao longo dos 21 dias analisados no Samsung On7


figura 11 – autonomia da bateria analisados no Samsung On7 – aplicativo WAZE

Ainda existem recursos de “super economia” que podem ser acionados de forma a obter ampliação da autonomia em caso de necessidade, podendo até dobrar o tempo restante em função da administração da interface, comunicação ativa/inativa, etc.

   
Câmera fotográfica
     
Especificações à parte, o que interessa para o consumidor é a praticidade e a qualidade das fotos. A SAMSUNG tem tradição de qualidade na câmera de seus smartphones. Costumo citar nas avaliações que tenho publicado, de qualquer marca de smartphone, que a melhor câmera que vi em minha vida foi a do Samsung S6 Edge que testei em julho passado. Virou referência para mim. É “o time a ser batido”, e será difícil...

O On7 é um modelo de menor custo, mas não fez feio ao capturar fotos, muito pelo contrário. Registra rapidamente a foto e tem ótima sensibilidade. O que se percebe é que alguns recursos mais sofisticados, como por exemplo HDR (High Dynamic Range – ajuste de iluminação em cenas com fundo muito claro), não existe no On7, assim com ajustes manuais mais elaborados.

Mas pensando no perfil do consumidor deste aparelho o modo nativo e automático faz um trabalho notável. Fiz alguns registros em modo automático (o mais comum), em 13 MP. Vejam os resultados e julgue por si mesmo.


figura 12 – foto externa -  Samsung On7 (clique para ampliar)

A foto acima é supostamente “fácil”, pois o foco é no infinito, há bastante iluminação e assim os detalhes são capturados com muita riqueza. Perfeito o registro!

As próximas duas fotos são da situação de pôr do sol, que nem sempre a câmera regista o que o olho humano está observando. Achei que ficaram lindíssimas estas fotos, como sempre analisando detalhes, contrastes e as cores


figura 13 – foto externa -  Samsung On7 – pôr do sol (clique para ampliar)


figura 14 – foto externa -  Samsung On7 – pôr do sol (clique para ampliar)

As fotos internas, com flash, gostei muito da riqueza de detalhes e da definição das cores.
     

figura 15 – foto interna tirada com flash (clique para ampliar)

Mas o que separa as câmeras boas das excelentes são as fotos com pouca iluminação e sem flash. Considero que o On7 tem competência para tirar este tipo de foto, desde que tomados alguns cuidados. Em fotos internas, sem flash, obtive várias fotos desfocadas. Mas mantendo o On7 firme, bem apoiado obtive bons resultados. Nessa hora que a câmera do S6 dá um show em registrar fotos com baixa luminosidade. Mas a comparação é cruel, pois estamos falando de um smartphone que custa entre 3 e 4 vezes mais.

De toda forma observem a foto abaixo, capturada de noite. Há apenas a luz de um poste de iluminação que traz para a foto uma diversidade de graus de iluminação. A foto ficou muito boa, acima de minhas expectativas. Na segunda imagem há um detalhe da primeira foto que mostra (no zoom) algum nível de ruído na imagem, mas perfeitamente aceitável pela baixa iluminação.



figura 16 – foto externa -  Samsung On7 – sem flash (clique para ampliar)
   
    


figura 17 – foto externa -  Samsung On7 – sem flash – detalhe da foto anterior
 
   

A última foto que vou mostrar foi uma tentativa desesperada para capturar o que foi um nascer da lua mais bonito que vi em toda a minha vida. A lua apareceu imensa entre duas montanhas, cheia, super brilhante!! Mas o resultado foi insatisfatório, não capturando nem 1% da beleza daquele momento.




figura 18 – tentativa de foto externa do nascer da lua
  



Talvez o S6 pudesse ter feito uma boa foto... não tenho certeza, pois a situação era bem sofisticada em termos de luminosidade. Ou talvez apenas uma câmera reflex conseguisse eternizar aquele momento. Ficaria muito feliz de um dia poder tirar uma foto desse cenário com um smartphone!

Mas ficou a excelente impressão da câmera do On7, que nas situações do dia a dia e até em cenários mais elaborados produz fotos e vídeos (em 1080p) com excelente qualidade.

Sua câmera frontal (de 5 MP) também tem excelente qualidade, permite inclusive selfies panorâmicos e com recurso de embelezamento facial e ativação por gestos.


Conclusão

O SAMSUNG On7 é um aparelho de entrada, mas com grandes qualidades. Seu preço oscila entre R$ 1.049 nas loja da Samsung e R$ 949 em alguns varejistas online. Na minha opinião jamais ele deveria ter chegado ao varejo com exíguos 8 GB de memória por conta do problema relatado (falta de espaço no primeiro dia de uso). Mas R$ 30 ao gastar por um cartão de memória de 16 GB o problema é resolvido. Não tem alguns “mimos” como luminosidade automática do visor, nem HDR para as foto, recursos presentes em modelos mais sofisticados, mas não fizeram falta para mim.

Ele é ágil, responde rapidamente às trocas de aplicativos, algo que fazemos tantas e tantas vezes durante o dia e tem na capacidade de sua bateria e correspondente autonomia de uso como grande qualidade (entre os melhores que já testei – segundo o meu padrão de uso). Sua câmera fotográfica e filmadora são muito competentes e capazes de registrar os momentos do seu usuário com brilho, precisão, fidelidade de cor com grande qualidade. Fotos internas com flash e sem têm ótima qualidade (maior firmeza na manipulação necessária sem o flash). E fotos com baixa luminosidade podem ser feitas desde que respeitados os limites de qualquer câmera  de smartphone. É uma excelente opção para quem estiver em busca de um smartphone nesta faixa de preço.
 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O versátil e poderoso Snapdragon 820 - o novo motor do seu smartphone

Sempre desconsiderei comparações entre o universo dos computadores (MACs ou PCs) e smartphones. São mundos distintos, mas, verdade seja dita, há uma zona de uso comum e até substituição para algumas funções. Mas jamais um pode ser totalmente usado no lugar do outro. Isso acontece também na engenharia de cada um deles. Por motivos óbvios o grau de integração e miniaturização das plataformas para smartphones é muito mais intensa.

Está para chegar ao mercado uma leva de dispositivos que usam o Snapdragon 820, uma solução muito elaborada e sofisticada feita pela tradicional empresa Qualcomm. Sendo breve, se você não sabe quem é Qualcomm, eu te digo apenas uma coisa. É a empresa que detém as patentes da tecnologia 3G e 4G entre centenas de outras. Fantástico.


No universo da computação móvel a busca desenfreada é sempre fazer muito mais por muito menos, ou seja, mais funcionalidades e velocidade consumindo cada vez menos energia. Essa é para mim a grande beleza de toda a indústria de tecnologia. Neste contexto e com essa ideia em mente a Qualcomm desenvolveu sua plataforma Smartdragon 820, evolução de uma já competente família.

Smartdragon 820

O caminho para trazer melhor desempenho e eficiência energética para o mundo da mobilidade passa obrigatoriamente por concentrar muitas funcionalidade em um único elemento, muito bem arquitetado. Este é o conceito do SoC, ou seja, “system on a chip”. A Qualcomm vem aprimorando sua família de soluções para dispositivos móveis e com a chegada do Snapdragon 820 pretende surpreender o mercado com destacados resultados.

DSP, ISP, GPU, X12, LTE, 802.11ad são apenas algumas siglas que os iniciados no assunto de SoC entendem, mas que resumem apenas algumas das tecnologias embarcadas no 820. A ideia de aproximar todos os subsistemas que compõem uma plataforma para dispositivos móveis, construindo todos eles dentro do mesmo chip, tem como grande vantagem a proximidade. Não falo de algumas frações de milímetros. Soluções mais antigas tinham cada um destes sistemas residindo em diferentes chips, cada um deles com uma interface, conexões, etc. Quando está tudo integrado de imediato há grande economia de energia e cada um dos elementos podem cooperar com o sistema final de maneira mais intensa (e mais rápida).


figura 01 – modelo da arquitetura do Snapdragon 820


Isso é análogo a uma equipe de trabalho em uma empresa que cada grupo fica em uma sala diferente, sendo necessário se deslocar para outros ambientes para interagir e solicitar execução de tarefas. Se todos estão na mesma sala a comunicação é direta e imediata. Desde que não falem todos ao mesmo tempo (função essa que um coordenador ou bom gerenciador resolve). De uma forma simples, isso é o SoC Snapdragon 820, a evolução de uma família que vem sendo aprimorada ao longo do tempo, geração a geração.

Os processadores (SoC) da Qualcomm ganharam importante espaço entre os dispositivos móveis. Dados indicam que sua participação no mercado é acima de 40%, um número muito expressivo. Mas o mercado é dinâmico e um grande fabricante, Samsung, recentemente optou por usar um processador próprio em seu lançamento da família S6. A Qualcomm com o 820 mostra para o mercado que trouxe um salto substancial de tecnologia e que dispositivos que visam o mercado high end poderão com sua adoção o conquistar excelência em qualidade que se espera destes produtos.

Segundo a Qualcomm há cerca de 60 modelos de dispositivos já em fase final de projeto que usarão a plataforma 820. Muito possivelmente estes produtos serão apresentados em primeira mão na CES 2016 em Las Vegas e chegarão às prateleiras para o consumidores ao longo do primeiro quadrimestre de 2016.

Não quero ser detalhista ou técnico demais, mas algumas das características dessa família merecem destaque. A começar pela arquitetura escolhida. O processador tem 4 núcleos. Muitos processadores do mercado têm 8 e isso pode causar alguma confusão. Em princípio quanto mais “motores” tem o smartphone mais rápido ele pode ser. Desde que a frequência de operação seja compatível e que o gerenciamento destes núcleos todos seja primoroso. A Qualcomm optou por 4 núcleos nesse projeto que rodam em alta frequência, 2.2 Ghz e a “orquestração” de tarefas entre os núcleos é muito otimizada. Dessa forma se obtém o dobro do desempenho quando comparado com a geração anterior (810) e ao mesmo tempo consumindo 30% menos de energia. São dados ambiciosos que precisam ser confirmados na prática, mas é fantástico.

Há evolução em várias outras áreas. Por exemplo, além do WiFi padrão “ac” (que é retro compatível com todos os outros padrões b, g, n e a), operando em 2.4 Ghz e 5.0 Ghz, o 820 traz o novíssimo padrão “ad”, que opera a 60 Mhz, prometendo velocidades nominais maiores que 3 Gbps e mais que suficiente para receber transmissão de vídeo 4K (3840 x 2160 pixels – 8 megapixel) com sobra de capacidade.

Enquanto 2020 não chega, e com ele o novo padrão de comunicação 5G, o LTE (4G) segue sendo aperfeiçoado e o Snapdragon tem a capacidade de trabalhar com agregação de sinal e assim chegar a teóricos 600 Mbps de velocidade de download (33% mais que Snapdragon 810) e 150 Mbps de upload (200% mais que Snapdragon 810). Para isso usa o 4G em mais de uma frequência, que não é ainda o caso do Brasil (teremos mais frequências disponíveis em 2017 com o final das transmissões de TV analógica). De toda forma notável evolução.

O Snapdragon 820 integra no seu hardware um subsistema de segurança, que auxiliado por uma simples camada de software tem a capacidade de realizar análises comportamentais de aplicativos ou módulos de software de forma a identificar ações consideradas suspeitas e assim proteger o dispositivo principalmente das ameaças “0 day”, ou seja, aquelas que acabaram de ganhar as ruas e não têm ainda “rastro genético” (assinatura da ameaça no software de segurança). Há sistemas que podem fazer isso usando recursos na nuvem, mas são mais demoradas e exigem conexão de dados para uma análise.


figura 02 – visão conceitual do sistema de proteção do Snapdragon 820


Confesso que eu não sabia que seria possível embutir funcionalidades usadas por câmeras, tratamento de imagens, captura em situação de baixa luminosidade, alta resolução, etc. dentro do processador. É o que o módulo ISP (Image Signal Processing) faz. E o ISP do 820 traz evolução grande neste sentido visando melhor captura de fotos e vídeos em todas as situações. Estou muito curioso em relação a isso, pois tirar fotos com smartphone em ambiente externo e bem iluminado, quase todos são bem competentes, mas em situação de baixa luminosidade, é tarefa que muito poucos fazem bem feito! Vou precisar esperar chegar em minhas mãos um dispositivo que use o Snapdragon 820 (e que tenha também tenha uma boa lente) para dar esta resposta. Mas há grande potencial segundo a evolução da plataforma.

Exemplificando o meu ponto de vista, o módulo DSP (Digital Signal Processor) é responsável pelo processamento avançado das imagens. Segundo a Qualcomm “em situações de baixa luminosidade, o Snapdragon 820 usará o ISP e DSP de forma a adaptar o brilho das áreas da imagem que normalmente ficariam escuras demais. Isso foi projetado para acontecer 3 vezes mais rápido e gastando apenas 10% da energia quando comparado com a geração anterior”. Um exemplo disso pode ser visto na imagem abaixo.


figura 03 – exemplo de tratamento de imagens – ajuste dinâmico de iluminação

Avaliando o desempenho do Snapdragon 820 - benchmarks

Tive a grata oportunidade de testar por duas horas um dispositivo construído usando o Snapdragon 820. Era um modelo de referência da Qualcomm, não um produto final de mercado. Mas isso já foi suficientemente bom  para realizar uma sessão de benchmarks e poder emitir minhas primeiras impressões.

Mas preciso primeiro tecer algumas considerações sobre softwares de benchmark. Por mais que tentem, nunca são capazes de simular perfeitamente um padrão de uso natural do dia a dia. Também porque cada pessoa tem o seu próprio perfil de uso. Sempre chamo a atenção disso quando testo durabilidade e bateria de smartphones. Um benchmark consiste em uma sucessão de medidas de ações isoladas que irão ser compostas por algum critério de ponderação e resultarão em um índice. Isso é bom? É uma boa referência. Mas não é perfeito.

Imagine que um atleta fosse submetido a testes e se descobrisse qual sua capacidade muscular, sua força da perna fosse capaz de levantar 50 quilos de peso. Consegue mover a perna para cima em 0.7 segundos. Consegue voltar a perna para a posição original em 0.5 segundos. Seu passo tem 116 centímetros... Estes dados biomecânicos podem indicar se são comparáveis aos dados de um atleta vencedor. Mas se todas as ações serão executadas com harmonia e precisão, se este atleta poderá desafiar o Usain Bolt, isso nunca poderemos saber com certeza, mesmo que este supere individualmente os valores do jamaicano voador! O teste de conjunto, o uso real, é no fundo o que mais importa. Os testes individuais, mesmo que inteligentemente associados e ponderados podem não nos dar esta certeza. Por isso eu vejo os benchmarks com ressalvas. Mas a despeito disso têm grande valia no sentido de indicar características potencialmente muito desejáveis. Ressalva feita, vamos conhecer alguns dos dados do Snapdragon 820.
  

figura 04 – testes feitos com o modelo referência do Snapdragon
  
O dispositivo que usamos para os testes era um phablet de 7 polegadas no qual havia alguns softwares populares de benchmark instalados como AnTuTu, Geekbench 3, GFXBench, Octane 2.0 e Kraken. Por minha própria conta instalei mais alguns como o CF-Bench, o Vellamo e o 3DMark.

Não existe motivo algum para a Qualcomm divulgar resultados positivos que não sejam a pura expressão da verdade. Mas quis usar outros benchmarks para fazer a contra prova, certificar-me de que o impacto positivo é mesmo do tamanho que vem sendo anunciado.

Comparo os resultados do Snapdragon 820 com outras duas plataformas. Um MediaTek MT6735 (1.30 Ghz 8 núcleos ARM Cortex A53 fabricado em 28 nm) presente em um Lenovo Vibe A7010 e um Snapdragon 615 (até 1.7 GHz 8 núcleos ARM® Cortex A53 fabricado em 28 nm) presente em um Asus Zenfone Selfie. Estas bases de comparação foram estrategicamente escolhidas? Não, apenas eram os smartphones que eu tinha disponíveis no momento do teste. Smartphones com o Snapdragon 615 chegaram ao varejo em meados de 2014 e com o MediaTek MT6735 no começo de 2015. O Snapdragon 820 chegará ao varejo no começo de 2016. Compararei diretamente com o MediaTek, que é mais recente e no final apresentarei os dados completos com as 3 plataformas.

No teste GeekBench 3 obtive o índice 2261 para o teste de apenas UM núcleo e 4975 para todos os núcleos (neste caso 4). No Mediatek MT6735 obtive nos mesmos testes, 610 e 2635. O Snapdragon 820 é respectivamente 270% e 90% mais rápido. Os resultados mostram o 820 intensamente mais veloz.
    

figura 05 – resultados dos testes com o GeekBench 3

Convém citar que estou bastante satisfeito com o desempenho do Lenovo Vibe no dia a dia. E se um smartphone com o 820 pode ser entre 90% e 270% mais veloz, é garantia de sossego no uso de uma ou muitas aplicações ao mesmo tempo. Baixe o GeekBench 3 em seu Android e compare, possivelmente vai obter resultado semelhantes ao meu.

No GFXBench, um teste mais voltado em aferir o desempenho do sistema gráfico (GPU), os dados falam por si. Dividem-se em testes de alto nível e baixo nível. São muitos números, nem vale a pena entrar em detalhes, mas vou me concentrar nos seguintes resultados “Manhattan” e “Texturing”. Comparando os mesmos índices obtidos no Lenovo Vibe temos diferenças gigantescas a favor do 820 de 599% e 799% (127 x 887 e 856 x 7702)!!!!!
    

figura 06 – resultados dos testes com o GFXbench no 820
   
O software AnTuTu é uma das referências do mercado. Mas os índices nele obtidos não podem ser comparados diretamente, pois a versão usada é nova, ainda não disponível (beta) e como as bases de análise foram alteradas, não adianta confrontar com teste feito em outro smartphone com a versão atual.

Já no teste com o Vellamo percebi fatos bem interessantes. Ele afere 3 índices e áreas distintas, eficiência Multicore, Metal (teste de apenas um núcleo) e Browser (no caso Chrome) que indica eficiência no uso de navegação e renderização de páginas. O 820 foi respectivamente 127%, 230% e 115% mais rápido.


figura 07 – resultados dos testes com o Vellamo comparados com Lenovo Vibe (direita)
      
 
O Vellamo dá uma informação a mais muito interessante, uma visão comparativa com outros smartphones de mercado, em cada uma das áreas. Vejam as telas abaixo.


figura 08 – resultados dos testes com o Vellamo comparados com o  820 (clique para ampliar)

Apenas me fixando em um modelo, o ótimo Samsung Galaxy S6 está presente nos 3 testes entre os mais rápidos (mais rápido em duas categorias). O nosso modelo de referência contendo o Snapdragon 820 foi nas categorias Multicore, Metal e Browser respectivamente 22%, 39% e 67% mais rápido!!! O S6 é um dos smartphones de referência do mercado por sua agilidade, performance e também qualidade da sua câmera. Vale ressaltar que cada fabricante ainda poderá fazer as suas próprias otimizações e obter ainda melhores resultados.

Por fim, a Qualcomm nos disse que um browser ainda mais aperfeiçoado que o Chrome foi desenvolvido para ser usado nos smartphones com o 820. Fui conferir este outro browser no teste do Vellamo, vejam na imagem abaixo.


figura 09 – comparação de vários browsers rodando no dispositivo com o 820
    
Podemos ver que o browser com otimizações (índice 6676) é quase 13% mais rápido que o Chrome (5952) e 27% mais rápido que o browser nativo do Android. Todos rodando no mesmo dispositivo com o Smartdragon 820. Isso mostra como algumas otimizações podem fazer diferença no dia a dia.

Segue abaixo a visão comparativa dos testes realizados. Na segunda coluna da tabela existe o valor observado no teste e na última coluna um comparativo “base 100” sendo que o valor 100 foi atribuído ao Snapdragon 615.


figura 10 – testes feitos com o 820 comparados com outras plataformas


Conclusão

Embora relativamente injusta a comparação direta entre estas 3 plataformas, devido às idades de cada uma delas, o 820 está nascendo e as outras têm presença no varejo há 8 e 16 meses, faz sentido para mim. Estes meses de diferença são responsáveis por um incremento entre 3 e quase 6 vezes em alguns testes. Esta evolução é fantástica.

Ressalvas que já fiz ao uso de benchmarks, explicado alguns parágrafos acima, estou confiante em afirmar que o salto de eficiência e desempenho do 820 é mesmo de grande intensidade. Retomando a minha metáfora do “atleta”, as medidas de força e tempo dos “movimentos das pernas” me fazem pensar que Usain Bolt que se cuide! Quando chegarem às ruas os dispositivos com o Snapdragon 820 a “corrida de 100 metros” poderá ser de fato realizada e todas as virtudes pontuais do 820 poderão ser confirmadas!

Convém relembrar que as inovações não são apenas quantitativas (desempenho puro), mas também qualitativas. Estão também presentes recursos novos, suporte a padrões de comunicação mais avançados, maior eficiência energética (economia de energia), etc.

Citei no começo da sessão de benchmark deste texto que o smartphone que estou testando neste momento, um Lenovo Vibe A7010, que usa o Mediateck MT6753 está 100% adequado, bom desempenho, tarefas executadas com fluência, etc. Mas destaco que um carro com motor 1.0 também me leva por toda a cidade, posso viajar para o Rio de Janeiro com ele. Vou chegar lá sem o menor problema. Mas se eu transportar 5 pessoas, estiver em uma íngreme subida ou se precisar acelerar vigorosamente para realizar uma ultrapassagem, vou ficar sem resposta!! Por isso a sensação de “satisfação momentânea” é perigosa.  Vai acontecer um dia de você precisar de uma boa dose de potência extra (aplicativos mais pesados, jogos, muitos apps abertos ao mesmo tempo, etc.) que apenas uma plataforma robusta e evoluída como, por exemplo, o Snapdragon 820, poderá atender. Estou ansioso para correr os 100 metros (e quem sabe até uma maratona) com um smartphone contendo o 820!!