segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Samsung S6 Edge – avaliação completa focada na autonomia da bateria

Já faz alguns meses que o Samsung S6 e S6 Edge foram lançados (começo de maio deste ano). Muito já se falou sobre este smartphone, inúmeros artigos, avaliações, etc. Mas dessa vez, ao contrário de outros testes que já fiz, procurei concentrar minha análise em apenas dois pontos, aliás muito importantes: bateria e câmera.

Usei o S6 Edge de forma intensa por mais de 35 dias com dois perfis de uso muito diferentes. Parte dos dias foi uso “comercial”, ou seja, em dias de trabalho, e-mail, whatsapp, Waze, navegação web, etc. Outra parte dos dias foi viagem de férias no qual usei de forma muito forte os recursos de câmera, GPS (mas não Waze) e obviamente redes sociais.

Apesar do perfil de uso ter sido bastante diferente nestes dois períodos, isso enriqueceu muito o estudo da autonomia de bateria que é o tema deste texto. A análise da câmera será objeto da segunda parte deste texto a ser publicada em futuro próximo.

Desvendando a autonomia da bateria do S6

Anteriormente, quando eu testava bateria destes dispositivos eu me concentrava em avaliar três cenários:
  • Uso intenso - aplicativo Waze, maior consumidor de bateria conhecido por mim (estressa de processamento, tela, rede de dados e GPS). Um campeão de consumo!
  • Standby – aparelho ligado, funcionando, recebendo e-mails e notificações, mas sem usá-lo, sem acionar sua tela, menor consumo possível.
  • Média -  média de duração de alguns dias de uso regular.


Dessa forma obtive os dados da tabela abaixo:


Figura 1 – cenários distintos e autonomia de bateria

Estes dados mostram que podemos esperar no pior caso uma duração de bateria de 5 horas e 20 minutos e no melhor caso 4 dias e 2 horas. Acho muito vago quando o fabricante informa uma quantidade de horas de duração de bateria sem detalhar como foi feito o teste. Claro que entre 5 horas e 4 dias o intervalo é grande demais. Por isso que agrego a este estudo o número intermediário que se trata da duração média. Mas neste caso não de um, dois ou três dias, mas de 34 dias de uso!

Nesse caso a autonomia média que obtive foi de 14 horas e 30 minutos. Isso me parece um valor bastante interessante. É suficiente para quem sai de casa 8 horas da manhã e chega 22 horas, ou seja, provê capacidade de carga para todo o dia de trabalho.

Mas ainda não acho esta informação suficiente. E é fácil explicar porque. Para começar 14.5 horas é uma MÉDIA! Isso significa que em alguns dias a bateria durou mais e outros dias durou menos! Em segundo lugar esta média é fruto do MEU perfil de uso pessoal, que pode ser um pouco ou até MUITO diferente do perfil de uso do fulano, sicrano ou beltrano!

Para ampliar a informação e detalhar mais como foram estes 34 dias de estudo da bateria convido os leitores a observarem o gráfico abaixo:


Figura 2 – dia a dia a autonomia da bateria do Samsung S6 Edge
  
A linha azul mostra dia a dia a autonomia obtida e a linha laranja a média (14.5). De imediato podemos ver que valores extremos foram observados! Em determinado dia a bateria durou pouco mais de 7 horas e em outro dia mais de 23 horas. Qual o motivo para isso? A resposta “curta” é, de novo, remete ao perfil de uso daquele específico dia. Ou seja, uma mesma pessoa não usa o smartphone do mesmo jeito todos os dias. Isso foi ainda mais verdadeiro durante este teste, pois parte dos dias foram “úteis” e outra parte em férias.

Antes de destrinchar um pouco mais o gráfico acima gostaria de explicar como estes valores foram obtidos para cada dia. Na verdade eu não usava o S6 até sua bateria acabar completamente. Eu usava na média até ter consumido 85% da energia (algumas vezes mais e outras vezes menos), ou seja, restando perto de 15% de bateria. Sabendo o tempo desde que o telefone fora ligado e o quanto gastou até aquele momento, é fácil fazer a extrapolação (uma regra de três simples) e descobrir quanto tempo ele teria funcionado até exaurir a bateria.

Os dados foram sistematicamente capturados da mesma forma todos os dias. Cada dia eu tinha um conjunto de telas semelhantes às telas abaixo.
   

Figura 3 – coleta de dados do comportamento da bateria
 

Figura 4 – coleta de dados do comportamento da bateria

Estas 4 telas mostram fatos MUITO importantes que descobri ao longo do teste. Além dos números que me permitem inferir autonomia total, há um destaque para os processos que mais consumiram nos respectivos dias.

Sei que vai chamar sua atenção algo que GRITOU para mim logo no começo do teste. O processo ”Sincronização de e-mail” era (no começo) o que mais consumia energia. Pesquisando em fóruns de usuário do Samsung S6 descobri que o Android 5.0 do S6 vem com uma configuração padrão muito “ agressiva” no que diz respeito à periodicidade da verificação de e-mails e mensagens. Eu tenho muitas contas: Exchange, duas contas de Gmail, Osite (POP), Outlook.com, etc.

É um absurdo, por exemplo na 4a tela, 15% de consumo para esta tarefa. Mas bastou reconfigurar as contas para um intervalo de verificação mais comedido (a cada 15 minutos) para que este consumo “gigante” ficasse desprezível. Não estou certo se isso é relativo à customização do Android feita pela Samsung ou do próprio Android 5.0, mas fica a dica. Observem se a tarefa de procurar por e-mails (principalmente quem tem muitas contas) está consumindo recursos demais e façam uma configuração mais “leve”. Depois que fiz este ajuste nunca mais o processo ”Sincronização de e-mail” apareceu em destaque.

Da observação destas telas acima ainda vale a pena comentar que alguns dias o processo “Tela” era o que mais gastava energia. Em dias de muita leitura de textos na Web ou mesmo dias de uso intenso de câmera, isso acontecia. Há dias que aplicativos que usam o GPS como Waze ou OSMAND aparecem entre os que mais consumiram energia. Não é novidade, mas vale destacar que usar 45 minutos de Waze já o coloca como campeão de consumo naquele dia.

Também vale chamar sua atenção para o perfil dos gráficos. Podemos ver claramente que em alguns momentos a linha de decréscimo da autonomia é suave e em outros momentos há maior inclinação que denota uso mais intenso. É muito interessante.


Figura 5 – detalhe do consumo, mais intendo e mais leve ao longo do tempo (inclinação do gráfico)

Também ativei o recurso de economia de energia, mas o modo mais “leve”. Não o modo mais agressivo. Neste modo a única diferença que percebi foi o visor um pouquinho menos brilhante (ajustado pela luminosidade externa) e sem a retro iluminação das teclas de controle na base do aparelho. Adotei ESTE padrão ao longo do teste inteiro. Em teoria neste modo o processamento tem velocidade um pouco diminuída, mas não senti diferença alguma nem qualquer aplicativo se ressentiu deste modo de economia de energia.

Vou repetir o gráfico do dia a dia para fazer outras observações importantes:



Figura 2 – dia a dia a autonomia da bateria do Samsung S6 Edge

É importante analisar novamente este gráfico, pois ele mostra bem como aquela frase engraçada sobre estatística é verdadeira: “fulano morreu afogado em um lago cuja profundidade média é de 50 cm”!! As variações são muito grandes! Só a título de curiosidade mostro para vocês na imagem abaixo que mantive um “diário de bordo” do teste da bateria. Não só registrava os dados numéricos, mas também os dados qualitativos como tipo de aplicativo usado, tempo de cada um deles (principalmente os que usam GPS), se muitas fotos ou vídeos foram feitos, etc...


Figura 6 – “diário de bordo” do teste do Samsung S6 Edge – clique para ampliar

Meu objetivo ao mostrar isso para o leitor é compartilhar os porquês de tanta variação de um dia para o outro. Foram 34 dias da captura de dados. O dia que a bateria mais durou (24 horas) foi quando usei modo avião por 3 horas (estava de fato em um avião), uso bem moderado e quase nada de fotos ou vídeos.

Por outro lado, o dia de menor duração da bateria (menos de 8 horas) foi quando usei o software de GPS OSMAND por mais de 3 horas e capturei uma quantidade bem grande de fotos e vídeos. CLARO!! Estava de férias, precisei usar bastante o mapa das cidades em que estava no aplicativo OSMAND (software de mapas e navegação que funciona off-line com mapas pré-carregados) e muitos momentos registrados pela câmera.

O carregador que acompanha o S6 é realmente rápido. Em apenas 30 minutos ele agregou 47% de carga ao aparelho, com o aparelho ligado (ou seja, gastando energia). Para obter carga máxima (com o S6 totalmente sem carga e desligado) demorou perto de 1h20 minutos. Isso é bem importante, pois alguém que queira usar o aparelho como despertador, por exemplo, basta carregá-lo por menos de hora e meia ao chegar em casa e ele está pronto para mais um dia!

Conclusão

Quando um fabricante de smartphone divulga a autonomia da bateria de seu produto ele está correndo um risco imenso! Já sofri com isso. Já recebi críticas bastante ácidas e pesadas quando eu divulgava os resultados dos meus próprios testes. Por isso resolvi adotar este novo procedimento, bem mais trabalhoso, mas mais abrangente e preciso. Não só existe variação do modo de uso de uma pessoa para outra, como existem diferentes formas de uso ao longo dos dias para uma mesma pessoa!!!

Sendo direto e preciso, o Samsung S6 (Edge no meu caso) foi o smartphone com maior autonomia de bateria desta categoria de todos que já testei!! A média que eu obtive, 14.5 horas foi obtida em um regime muito variado (já explicado) e com vários dias muito rigorosos.

O meu smartphone de uso no dia a dia (de outro fabricante - também Android), tem capacidade de funcionar apenas por 2 horas e 15 minutos com o Waze. O Samsung S6 (após otimizado – ajuste da sincronização de e-mails) consegue executar o rigoroso Waze por bem mais do dobro do tempo (5 horas e 20 minutos). Diariamente preciso usar o carregador veicular no smartphone (o meu pessoal) para conseguir ter as funcionalidades de que preciso ao longo do dia todo. Com o Samsug S6 Edge eu apenas precisei carregá-lo antes do final do dia em 4 oportunidades ao longo dos 35 dias do teste!!!

Em meados de abril eu falei sobre o Samsung S6 sem tê-lo testado e o apresentei no texto “SensacionaisSAMSUNG Galaxy S6 e S6 Edge quebram barreiras, mas valem a pena?” . Como disse, muitas pessoas, sites e publicações já falaram do S6. Quis trazer uma opinião bem fundamentada em um dos aspectos (bateria) que provou ser um ponto fortíssimo do smartphone.

Em publicação futura vou fazer algo parecido com o sistema de câmera do S6. Aliás, já antecipo que foi extremamente positiva a experiência. É um dispositivo de preço elevado, não tem slot para cartão de memória adicional, mas na sua versão de 64 GB (a que testei), pela duração da bateria e por sua qualidade, tem o custo benefício surpreendentemente interessante! Para os abastados consumidores... Mas vale a pena!! 


Figura 7 – Samsung S6 Edge

Nenhum comentário:

Postar um comentário