terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Moto Z 2 Play, premiado, mas e a polêmica da bateria?

FELIZ 2018 PARA TODOS!!
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Pode parecer estranho eu retomar um texto sobre um smartphone lançado muitos meses atrás, mas motivos surgiram que me motivaram bastante retornar ao assunto. E não são pequenos. Motivos pessoais e profissionais me impediram de escrever sobre o forte Moto Z 2 Play na época que terminei sua avaliação, mas agora tenho a oportunidade de me redimir com meus leitores, ainda mais com as conexões que pretendo fazer.

Este texto NÃO CONTÉM uma análise completa do Moto Z 2 Play já que inúmeras avaliações extremamente competentes já foram publicadas, mas proponho uma análise da bateria, pois este tema tornou-se um ponto bem polêmico.

Em 2017 passei a acompanhar mais de perto vários canais de tecnologia. Não é porque sou “veterano“ que não faço isso. Pelo contrário, há gente brilhante, ótimos mesmo que despontaram nos últimos anos. Cito estes canais porque vários deles escolheram o Moto Z 2 Play como um dos melhores produtos lançados em 2017. Mas muitos deles fizeram uma crítica de forma unânime em relação ao Moto Z 2 Play, crítica esta com a qual concordo e discordo parcialmente.





Na minha visão o Z 2 Play teve um grande problema e uma grande qualidade na sua concepção. O problema é, teve sua generosa capacidade de bateria reduzida (quando comparada ao Z Play original), mas teve uma grande sacada em seu projeto que foi, reduzir um pouco a capacidade da bateria. Isso mesmo, foi uma decisão que dividiu opiniões e por isso mesmo quero poder agora, na virada do ano me manifestar em relação ao Z 2 Play, que continua sendo uma excelente opção no mercado, ainda mais depois da estabilização do preço em um patamar abaixo do que foi praticado em seu lançamento.

Ficou claro pela introdução deste meu texto que o assunto bateria divide opiniões. Por isso mesmo vou atacar neste texto daqui para a frente exatamente este ponto, a autonomia de bateria do Moto Z 2 Play e assim procurar responder à pergunta “reduzir a capacidade nominal da carga do Moto Z 2 Play foi bom ou ruim?”.

Os dados que vou apresentar abaixo foram coletados e 4 semanas de uso contínuo do Z2 Play.

Analisando a fundo a Autonomia e Tempo de Carga da Bateria

Venho testando autonomia de bateria de notebooks e smartphones há muito tempo e por isso desenvolvi uma metodologia, que acredito ser eficaz. Como uso sempre os mesmos princípios (sejam bons ou maus), isso me permite comparar com precisão diferentes dispositivos. Incluí alguns testes de situações isoladas mais recentemente para dar visão de cenários específicos.

Desde que testei o Moto Z Play (de 2016),o Asus Zenfone 3 e Zenfone 3 Zoom (5000 mAh), minha expectativa ao avaliar duração de bateria de smartphone mudou completamente! Duração da bateria de 8 a 10 horas é hoje para mim totalmente inaceitável. Ninguém merece ficar escravo de cargas ao longo do dia ou no carro. Meus testes com smartphones são longos exatamente para que possa levar ao limite o estudo da autonomia da bateria. No mínimo 3 semanas de uso contínuo e em regime de uso normal, com todos meus aplicativos do dia a dia instalados (mais de 120).

O Moto Z 2 Play apresentou ótima autonomia de bateria e está entre os mais eficientes que testei!! Em média praticamente 19 horas!!!! Se alguém sair de casa às 06:00 só esgotará sua carga perto de 01:00 do dia seguinte!! Aproximadamente porque dependendo do tipo de uso, ao longo do dia a energia poderá acabar antes (veja mais abaixo o gráfico com os resultados dos 21 dias).

Durante todo o período de teste NUNCA precisei de cargas adicionais. Mas se seu perfil é muito mais intenso que o meu, poderá exaurir a carga mais rapidamente. Ou se esqueceu de recarregar durante a noite, o ótimo sistema de carga rápida vai ajudá-lo a ter horas a mais com pouco tempo conectado à energia, quase 4h45min de autonomia com 18 minutos de carga (25% do total).

Veja no quadro abaixo o resumo de todos os testes. Este quadro encerra todas as informações sintéticas. Você poderia parar esta leitura por aqui. Mas eu o convido a tomar parte nas discussões analíticas de cada ponto estudado, critérios e conhecer alguns dos “porquês”.
   
Resumo dos dados aferidos com a bateria
  


Figura 01 - Resumo dos dados aferidos com a bateria

Acompanhando outros veículos, sites, publicações e Youtubers falando sobre autonomia do Moto Z 2 Play os valores diferem um pouco (mas nem tanto). Claro, cada um usa o smartphone de formas diferentes. Mas essencialmente minha é que ele tem uma excelente autonomia, está entre os mais eficientes.

Fundamento meu teste em algumas situações distintas. Utilizo também para referência e comparação com outros smartphones.

Standby com tela apagada: aparelho ligado, mas sem usá-lo de forma alguma, porém recebendo mensagens, e-mails, conectado à rede 3G/4G ou WiFI. Nesta situação o Moto Z 2 Play permaneceu 133 horas até esgotar sua bateria, quase 6 dias!! Um dos maiores números que já obtive neste tipo de teste!

Standby com tela sempre ligada: aparelho ligado, tela ligada com 60% de brilho, mas sem usá-lo de forma alguma, porém recebendo mensagens, e-mails, conectado à rede 3G/4G ou WiFI. Nesta situação permaneceu 16 horas e 22 minutos até esgotar sua bateria, um longo tempo de permanência.

Sobre o teste de standby, vejam a figura abaixo que mostra como é a curva de consumo nesta condição:
  

 figura 02 – tabela com dados de descarga de bateria em standby e tela ligada

Há certa irregularidade no perfil do gráfico, que se explica pelas ações que se realizaram em standby, recebimento de email, mensagens, vídeos, áudios de WhatsApp (teste feito sob WiFi), etc. , ações fora de meu controle. Mas o que impressiona são os 982 minutos, mais de 16 horas em espera e com a  tela sempre ligada.

Youtube: o terceiro cenário é de uso contínuo de Youtube. Um mesmo vídeo (HD – a resolução mais comum no site) sendo reproduzido ininterruptamente, tela sempre ligada, nível de brilho em de 60%. Nesta função o Moto Z 2 Play permaneceu ativo por 12 horas e 57 minutos até esgotar sua bateria. Convém notar que em relação ao tempo de standby a diferença é de  3 horas aproximadamente que se deve ao processamento  da GPU Adreno 506 do Qualcomm Snapdragon 626, que para renderizar/processar os vídeos gastaram esta energia adicional (estas 3 horas).

Gravação de vídeo: O quarto cenário é da função de filmagem na resolução 1980x1080 (full HD 60 fps), tela sempre ligada, imagem sendo continuamente capturada e gravada. Descobri ser esta a situação que mais estressa a bateria do Moto Z 2 Play, na qual ele foi capaz de segurar a gravação de vídeo por 4 horas e 10 minutos. É importante o usuário saber que se gravar um vídeo de 1 hora, isso levará consigo quase de 25% de sua bateria. Não é um desempenho muito bom já que alguns smartphones conseguem manter gravação de vídeo por 5 horas. Posso dizer ser este o “calcanhar de Aquiles” deste dispositivo.

Waze: O quinto cenário é do uso contínuo do aplicativo de navegação por GPS e identificação das melhores rotas. Era até então o maior triturador de baterias que havia para qualquer smartphone. O Moto Z 2 Play consegue manter o Waze funcionando de forma ininterrupta em média por 8 horas e 6 minutos, consumindo cada 1% da carga em 4m52seg. “Em média” porque o ritmo de consumo da bateria nesta situação depende do trajeto, da temperatura, se há incidência de sol no smartphone, etc. Capturei os dados de 13 viagens que mostro no gráfico abaixo. Poucos são os smartphones que chegam a 5 horas de autonomia neste rigoroso teste!! Desempenho Excelente com o Waze!!

figura 03 – autonomia da bateria usando o aplicativo Waze

Carga da bateria: ao carregá-la o Moto Z 2 Play ganha aproximadamente 1% a cada 1m04seg. Levou 1h e 47 minutos (107 minutos) para a carga total, com ele desligado. Vendo de outra forma, uma carga de 18 minutos confere autonomia extra de quase 5 horas (25%) no regime “misto” que eu o submeti (quase 19 horas de autonomia total). Com o smartphone desligado o tempo de carga foi 4 minutos mais rápido (1h43m). **IMPORTANTE**, deve ser usado o carregador nativo do Z 2 Play para este resultado.
Como muitos smartphones o tempo de carga é variável, mais rápido quando está vazio e mais lentamente no final. Veja o gráfico de carregamento abaixo:
   
figura 04 – carregamento da bateria

Uso real
: o teste mais preciso é mesmo o “uso natural” do smartphone, no qual por 21 dias adotei o aparelho como meu único dispositivo, todos meus aplicativos, redes sociais, 4 contas de Email, WhatsApp, fotos, vídeos, Waze, etc. Há uma boa variabilidade na autonomia. Nestes dias testados, obtive uma vez quase 23 horas de uso contínuo e no pior caso pouco menos de 15 horas, média de 18.9 horas. Eu faço testes de smartphones há um bom tempo e meu padrão de uso não tem mudado e por isso é para mim referencial para comparações.
  
figura 05 – Autonomia da bateria dia a dia

A tabela abaixo contém o “diário de bordo” do meu teste. Podemos identificar de forma aproximada porque certos dias o consumo foi maior ou menor.

figura 06 – diário de bordo do teste - regime “natural” (clique para ampliar)

É importante destacar que estas 18.9 horas de autonomia média reflete o MEU PADRÃO de uso que com certeza não é igual ao do leitor. Posso ser mais comedido ou posso ter um modelo de uso mais intenso. Por isso mostro a tabela acima. Ela ilustra o que eu fiz a cada dia com o smartphone. Não por acaso os dias com maiores consumos são aqueles com maior percentual de uso de TELA, GPS/Waze. Há dias sem Waze, com fotos, chamadas de voz, etc.

A forma de coleta de dados que utilizo é um pouco trabalhosa, mas simples. A cada dia registrava a hora que começava o uso, a partir de 100% de carga. No final do dia aferia o percentual usado e pelo tempo decorrido podia inferir o tempo total que teria durado a bateria naquele dia, mesmo sem ter acabado com a bateria ainda.

Apresento agora um gráfico comparativo da autonomia da bateria correlacionando com o tempo de uso de tela (em percentagem) e com o tempo de uso de Waze (também em percentagem). Claro que há outros fatores importantes. Vimos que gravar vídeo consome muita bateria, mas usar a tela acesa (email, whataspp, facebook, navegação web, etc.) e Waze (GPS) são muito frequentes no dia a dia.

Veja o dia 16 no gráfico abaixo. Foi o segundo pior dia, uma das menores autonomias, 14 horas e 48 minutos. Não à toa foi o segundo dia de maior use de TELA (30% - 3 horas) e também 10% (1 hora) de Waze. Também ficou evidente que no dia 15 eu usei pouca tela (24% - pouco mais de 2h) e nada de Waze (0%), foi o dia de maior autonomia (mais quase 23 horas).

figura 07 – análise comparativa autonomia x waze x tela (clique para ampliar)

Tirando as operações intrinsicamente muito gastadoras como gravação de vídeo e Waze, podemos ver que o tempo de TELA é fator decisivo. Por isso eu fiz um estudo, extrapolando quanto de uso de tela eu conseguiria em cada um dos 21 dias do teste, se permanecesse usando o dispositivo até que ele esgotasse a bateria, bem como este valor médio. Isso pode ser visto no gráfico abaixo. Essencialmente o tempo de TELA é o tempo que o smartphone fica com a painel aceso, seja usando email, web, WhatsApp, foto, vídeo, etc. 
  


figura 08 – análise do tempo de tela máximo a cada dia

E o Moto Snap de bateria??

O Moto Z 2 Play que testei veio com um snap que trazia capacidade extra de bateria de 2200 mAh, que se somam aos 3000 mAh nativos do smartphone. Como o Z 2 nunca me deixou na mão sem carga, eu me forcei a usar o snap de baterias durante alguns dias (após os 21 dias mostrados acima). Configurado para primeiro gastar o snap para só depois usar a carga interna do smartphone, em testes de “standby”, obtive na média 09h50 minutos de duração (frente aos 16h22 da bateria interna). Extrapolando os números, imaginando que toda a bateria está disponível, isso levaria o Moto Z 2 Play a inacreditáveis 30 horas e 16 minutos de autonomia total!! Ou seja, muito mais que um dia!!



A grande utilidade do snap de bateria é mesmo prover carga extra instantânea em dias que houver uma demanda extraordinariamente alta, como uma viagem usando Waze, muita gravação de vídeo, assistir filmes por muitas horas... E só usar o snap quando a bateria interna estiver praticamente acabada (1% ou 2%), pois na minha opinião uma das maiores virtudes do Moto Z 2 Play é seu estilo e grande leveza. Não me parece boa ideia usar sempre o snap.

E comparando com o Moto Z Play original de 2016??

A Motorola sofreu inúmeras críticas por ter reduzido a capacidade da bateria para a versão 2 Play. A capacidade caiu de 3510 mAh para 3000 mAh (cerca de 15%). Mas qual foi de fato o impacto? Os valores abaixo estão expressos em horas.
  • Regime de uso normal: 18,9 (Z2) ante 21,9 (Z)
  • Usando Waze: 8,1 (Z2) ante 10,0 (Z)
  • Usando Youtube: 13,0 (Z2) ante 13,2 (Z)
  • Gravando vídeo: 4,2 (Z2) ante 6,9 (Z)
Em termos objetivos são 3 horas a menos em regime de uso diário normal, um pouco menos de 2 horas no Waze, praticamente a mesma coisa usando o Youtube e um pouco menos de 2 horas na tarefa de gravar vídeo.

Houve diminuição de autonomia, isso não tem dúvida, mas 19 horas no uso regular, 8 horas de Waze, 13 horas de Youtube do Z2 ainda são números muito bons quando comparados com a geração de smartphones de 2017.

Sobre a Metodologia do teste de bateria
  

Faço estes testes há muito tempo e sendo meu perfil de uso o mesmo, posso comparar com outros smartphones já testados. Há quem faça estes testes usando softwares de benchmark para estressar o smartphone e assim depreender uma “duração de bateria”. Considero importante este tipo de teste e vejo também utilidade nessa abordagem. Porém não existe nada como usar de fato o aparelho no dia a dia, com toda a variação natural de demanda, aplicativos diferentes, por tempos diferentes, etc.

Também apresento os testes “isolados” (Youtube, standby, Waze, gravação de vídeo) para que dessa forma o leitor possa com estas informações todas de uma certa forma inferir como o Moto Z 2 Play seria adequado ou não para sua própria utilização.

Também quero comparar o desempenho de bateria alguns dos smartphones da MOTOROLA que eu testei. Todos com a MESMA metodologia. Eu os reuni apenas como indicativo de evolução, pois não faz sentido confrontar smartphones de épocas diferentes, com tecnologias e processadores diferentes.
  


figura 09 – Duração de bateria de smartphones da Motorola

Da mesma forma vou apresentar o desempenho de bateria de uma “cesta de smartphones” (várias marcas e modelos) que já testei, escolhidos apenas para dar uma referência. Todos com a MESMA metodologia. Eu os reuni apenas como indicativo de evolução, pois não faz sentido rivalizar smartphones de épocas diferentes, bem como de tecnologias diferentes.
  
figura 10 – Duração de bateria de um conjunto de smartphones que já testei (clique para ampliar).



Conclusão sobre a bateria do Moto Z 2 Play

A bateria é bastante adequada para uso no dia a dia, dura o dia todo, na média 19 horas. O  comportamento do smartphone é muito equilibrado frente ao nível de desempenho que ele apresenta, é excelente para usuários com perfil de uso semelhante ao meu!! O tempo de carga é muito bom, 1h48m com o aparelho desligado (ou 1h56m com ele ligado) e 50% da carga em apenas 38 minutos!!

Importante lembrar que tarefas pontuais como gravação de vídeo e Waze usados de forma ininterrupta podem exaurir a bateria muito mais rapidamente. Nestas situações que brilha a estrela do Moto Snap de bateria que acrescenta mais de 11 horas de autonomia no regime “diário”, permitindo mais de 30 horas de uso (segundo o meu resultado).


Conclusão sobre o Moto Z 2 Play e a polêmica da redução da bateria

Ele é elegante, bonito, leve, câmeras evoluídas em relação ao Z Play, ótima duração de bateria a despeito da redução nominal de sua capacidade. O Moto Z Play 2 ficou tão esguio, leve e estiloso como era o Moto Z original, mas com muito mais autonomia. Não que o Moto Z Play original fosse feio, mas perto do primeiro Moto Z ele perdia em leveza e estética.

Eu acho que entendi o que a Motorola quis fazer. O Moto Z Play tinha um desempenho de bateria incrivelmente bom, mas talvez até mesmo além da necessidade. Ao reduzir 510 mAh da sua bateria para o modelo 2, a Motorola pode fazer do Z Play 2 um modelo com a elegância do Moto Z, mas com bateria muito, mas muito melhor que o Moto Z (vide os gráficos que mostrei acima), mesmo que menor que o Moto Z Play. Penso ter sido um “ajuste fino” do projeto que pode nortear (espero que seja assim) produtos futuros da empresa. Com os processadores (SoC) cada vez mais eficientes, melhor um smartphone mais leve e elegante e ainda assim com ótima duração de bateria! Este equilíbrio foi ótimo no Z Play 2.

Portanto eu discordo dos críticos que rapidamente se opuseram a esta mudança (redução). Talvez se tivessem feito uma análise semelhante a esta poderiam ter outra opinião. Fazendo uma analogia, levar para casa um carro com 600 cavalos de potência parece ótimo, mas um com 450 cavalos ainda vai dar muito frio na barriga ao acelerar e será um carro muuuuito rápido. É isso!! Bom senso. Espero ver em futuros produtos da Motorola produtos tão afinados assim, dosando potência, capacidade de bateria, design e leveza. Espero que o Moto Z 2 Play tenha sido uma escola para esta categoria de dispositivo!! Que venha o Moto Z Play 3 em 2018!


Um comentário:

  1. Tenho um moto z play que comprei em junho desse ano e notei que o desempenho da bateria caiu drasticamente depois de 6 meses, passo o dia vendo vídeos no YouTube e antes chegava em casa com 20 ~ 15% da bateria, hoje em dia tem vezes que a bateria não dura o dia todo e tenho que carregar no trabalho

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