quarta-feira, 1 de julho de 2026

O Império da IA: as reflexões que deveríamos estar fazendo

 Algumas perguntas sobre inteligência artificial passaram a exigir respostas mais urgentes

Nem sempre saímos de um evento com respostas. Às vezes saímos com perguntas melhores. Há livros que explicam uma tecnologia. Outros contam sua história. E há aqueles que conseguem algo mais difícil. Fazem o leitor sair da zona de conforto. Foi exatamente essa sensação que tive ao participar de um encontro com Karen Hao, jornalista especializada em tecnologia e autora de O Império da IA em um pré evento do 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo na USP. O livro que foi lançado nesta ocasião em português vem dividindo opiniões em diversos países, mas talvez por um motivo diferente do que muita gente imagina. Não porque haja crítica contra a Inteligência Artificial, mas porque desloca completamente o centro da conversa. Em vez de perguntar até onde a IA poderá chegar, Karen nos provoca a refletir sobre quem está conduzindo essa transformação, quais interesses estão em jogo e quem realmente colherá seus benefícios.

Enquanto ela respondia às perguntas, dei-me conta de que talvez estejamos dedicando tempo demais às respostas e pouco às perguntas. Nos últimos anos, quase todas as conversas sobre Inteligência Artificial passaram a girar em torno de modelos maiores, agentes autônomos, GPUs, recordes de desempenho e bilhões de parâmetros. Tudo isso é fascinante, sem dúvida. Mas Karen nos convida a olhar para a infraestrutura invisível que sustenta essa revolução. A IA não nasce apenas de algoritmos. Ela depende de energia, água para resfriar data centers, minerais estratégicos, cadeias globais de produção, milhões de pessoas preparando dados e investimentos que apenas um número muito pequeno de empresas consegue realizar.

Foi justamente nesse ponto que a conversa mais me chamou a atenção. Karen utiliza a expressão "novo colonialismo tecnológico" para descrever uma dinâmica que, segundo ela, está se consolidando. Se antes a disputa era por petróleo, ouro ou rotas comerciais, hoje ela passa por capacidade computacional, dados, infraestrutura e acesso à tecnologia. A comparação pode soar provocativa, mas sua argumentação é consistente. Afinal, poucos países concentram o desenvolvimento da IA enquanto grande parte dos recursos necessários para sustentá-la está espalhada pelo restante do mundo. Talvez nunca tenhamos falado tanto sobre Inteligência Artificial e, ao mesmo tempo, refletido tão pouco sobre quem controla seus alicerces.

Essa visão naturalmente leva a outro tema delicado, a concentração de poder. Desenvolver modelos de ponta exige investimentos bilionários, centros de processamento gigantescos e acesso privilegiado a recursos computacionais. Não é difícil concluir que cada vez menos empresas conseguem participar dessa corrida. A consequência é que decisões capazes de influenciar mercados, governos e bilhões de usuários passam a ficar concentradas nas mãos de um grupo extremamente reduzido de organizações. Não se trata de condenar o sucesso dessas empresas. A questão é compreender quais são os efeitos de uma concentração dessa magnitude.

Outro aspecto interessante da conversa foi lembrar que existe muito trabalho humano escondido atrás daquilo que costumamos chamar simplesmente de IA. Antes que um modelo consiga conversar conosco, interpretar imagens ou produzir um texto, houve milhares de pessoas classificando informações, revisando respostas, corrigindo inconsistências e preparando bases de dados. É um trabalho quase invisível, distribuído por diversos países e raramente lembrado quando celebramos os avanços da tecnologia. Talvez seja justamente por permanecer fora dos holofotes que esse tema mereça ainda mais atenção.

Confesso que um dos pontos de que mais gostei foi perceber que Karen não faz um discurso catastrofista. Em nenhum momento ela demoniza a Inteligência Artificial. Pelo contrário. Reconhece seu enorme potencial para acelerar pesquisas, melhorar serviços, ampliar acesso ao conhecimento e transformar praticamente todos os setores da economia. Sua preocupação está em outro lugar. Quem define as prioridades? Quem estabelece as regras? Quem controla os dados? Quem decide quais problemas merecem investimento? São perguntas menos sedutoras do que falar sobre novos modelos, mas provavelmente muito mais importantes.

A inevitável disputa tecnológica entre Estados Unidos e China também apareceu na conversa. Costumamos enxergá-la apenas como uma corrida empresarial ou geopolítica. Karen propõe uma leitura mais ampla. Para ela, essa competição representa uma disputa pela capacidade de estabelecer padrões tecnológicos que poderão influenciar a economia mundial durante décadas. A Inteligência Artificial deixa de ser apenas uma tecnologia promissora para assumir um papel estratégico semelhante ao que energia, telecomunicações e internet desempenharam em outros momentos da história.

Saí daquele encontro com uma sensação curiosa. Continuo tão otimista quanto antes em relação ao potencial transformador da Inteligência Artificial. Talvez até mais. Mas também saí convencido de que estamos fazendo perguntas incompletas. Tenho a impressão de que passamos tempo demais discutindo qual será o próximo modelo, qual empresa lançará a próxima inovação ou qual agente será mais inteligente. Talvez a pergunta realmente importante seja outra. Quem está desenhando essa nova infraestrutura digital sobre a qual construiremos boa parte da economia, da educação, da comunicação e até da produção de conhecimento nas próximas décadas?

Foi justamente essa mudança de perspectiva que mais me marcou neste encontro. O maior mérito de Karen Hao talvez não seja oferecer respostas definitivas. É nos obrigar a olhar para uma camada que normalmente permanece invisível. A tecnologia continuará evoluindo em ritmo acelerado. Isso parece inevitável. O verdadeiro debate, porém, talvez não esteja na capacidade que a Inteligência Artificial terá de fazer cada vez mais coisas. Esteja, isso sim, na forma como escolheremos governar esse poder e em benefício de quem ele será exercido.


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segunda-feira, 29 de junho de 2026

PapoFácil #1057 Cisco amplia soluções para escalar IA, Edge, segurança e infraestrutura industrial

Ricardo Mucci, Presidente Brasil, conta como a Cisco vive uma fase de expansão rara, daquelas que redefinem não só o portfólio, mas o papel da empresa no mercado. A antiga gigante das redes continua sólida nesse território, mas hoje opera em uma camada muito mais ampla: segurança unificada, observabilidade profunda, edge computing, IoT, infraestrutura para IA e inteligência aplicada à própria rede. A Cisco transformou seus equipamentos em plataformas capazes de analisar, prever e reagir, conectando telemetria, automação e modelos de IA embarcados. Essa visão integrada na qual a rede deixa de ser apenas transporte e passa a ser cérebro, foi apresentada em detalhes no recente evento Cisco Connect 2026.

Gravado em junho de 2026  



Cisco amplia soluções para escalar IA, Edge, segurança e infraestrutura industrial

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

PapoFácil #1056 Gartner destaca pilares, previsões e tendências que vão redefinir IA e Data & Analytics

Edgar Macari, Analista e Diretor, explica como o Gartner aponta que a IA redefinirá Data & Analytics nos próximos anos, exigindo das empresas ambição clara, bases sólidas de dados, governança e capacitação humana para gerar valor real. Entre as principais previsões estão o avanço de agentes de IA, o aumento dos gastos globais para US$ 2,59 trilhões em 2026, a transformação das ferramentas de produtividade, a adoção de modelos AI-first e a crescente importância de contexto, confiança, soberania digital e infraestrutura para sustentar inovação, eficiência e vantagem competitiva.

Gravado dia 29/05/2026  



Gartner destaca pilares, previsões e tendências que vão
redefinir IA e Data & Analytics

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terça-feira, 16 de junho de 2026

PapoFácil #1055 Kearney combina visão global e execução local para acelerar a transformação de negócios

Fabio Yoshitome, Sócio, Guilherme Silberstein, Diretor Especialista em TI, contam como a Kearney, uma consultoria global de gestão com forte presença no Brasil, é reconhecida por apoiar grandes empresas, governos e organizações em estratégia, transformação digital, operações e redução de custos. Sua atuação combina analytics, automação, modernização de sistemas e otimização de processos para gerar eficiência e resultados concretos, como economia expressiva em TI. No país, destaca-se pelo estudo sobre ERPs, expansão em analytics e atendimento a setores como varejo, energia, finanças, telecom e setor público. A Kearney é reconhecida por estudos e índices anuais de melhores cidades mais atrativas para negócios do mundo, e países mais atraentes para investimento direto estrangeiro.

Gravado dia 29/05/2026  




Kearney combina visão global e execução local para acelerar a transformação de negócios

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quinta-feira, 11 de junho de 2026

PapoFácil #1054 Amazon Quick , agentes de IA trabalhando por você e para você, simples e muito poderoso

Luis Caro, Head de IA Latam, mostra como o Amazon Quick é uma ferramenta da Amazon que permite criar agentes de inteligência artificial de forma extremamente simples, acessível até para usuários finais sem conhecimento técnico. Com uma interface intuitiva e sem necessidade de codificação, qualquer pessoa pode configurar assistentes virtuais que entendem linguagem natural, executam tarefas e se conectam a aplicativos locais e serviços da nuvem. A plataforma combina IA generativa, automação e segurança, tornando o desenvolvimento de agentes inteligentes rápido, prático e escalável.

Gravado  dia 27/05/2026 



Amazon Quick , agentes de IA trabalhando por você e para você, simples e muito poderoso

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