quinta-feira, 23 de junho de 2016

Aprendendo como cuidar do seu carro na fábrica da Ford

Cuidar do próprio carro é algo que todo mundo sabe, ou pelo menos pensa que sabe. Temos uma boa ideia, fruto da experiência acumulada ao longo dos anos com nossos veículos. Mas isso não é bem verdade. Ao longo dos anos os automóveis têm se modificado, têm evoluído e por isso alguns cuidados e atenções não são totalmente conhecidos. Por causa disso, a Ford realizou na sua sede no mês de junho um seminário cujo objetivo era compartilhar com um grupo de jornalistas essas informações. E no final ainda tivemos o privilégio de conhecer algumas das áreas de produção da fábrica em São Bernardo, local onde se fabrica o New Fiesta Hatch e caminhões.


Dicas de Manutenção


figura 01 – veículo sendo avaliado

Algumas informações podem parecer óbvias, mas precisam ser destacadas. A começar pela observância da manutenção preventiva e periódica. Isso é organizado pelo fabricante por meio das famosas revisões programadas e periódicas, presentes nos manuais de todos os veículos. Ninguém melhor que o fabricante sabe, por conta das condições de projeto, a durabilidade dos componentes essenciais ao veículo e por isso a indicação de verificação ou troca (se necessário) em determinados prazo.

O fabricante não quer “empurrar” peças novas para o cliente e sim garantir que ele tenha a melhor experiência possível com seu produto, usado nas condições ideais. Além disso, se obedecidas as orientações, será muito improvável que seu veículo pare na rua e precise de socorro emergencial. Nada pior para a imagem do fabricante do que seu carro ser visto nocauteado pelas esquinas... Por isso, para o bem do próprio consumidor e também da imagem da marca, as manutenções devem ser realizadas nos prazos indicados.

Há consumidores que não realizam a manutenção periódica e por isso andam com o carro até que algum componente que deveria ter sido trocado falhe e obrigue a manutenção, com parada não programada, que é o pior caso. Pega a pessoa de surpresa e possivelmente o reparo custará mais caro.
   

figura 02 – tipos de manutenção e suas características

Parte elétrica

A bateria é o elemento principal e deve ser muito bem cuidada. Deixar dispositivos ligados é um erro relativamente comum que acaba por drenar toda a carga. Por exemplo, o farol alto consome toda a carga em 2h46m, o desembaçador em 3h20m, o ventilador (na posição máxima) em 2h30m. Mas outros elementos como rádio, luz interna, carregador USB, etc. também se esquecidos em uso têm o mesmo efeito.

Além disso há algumas medidas preventivas para melhor cuidar da bateria:
  • Manter a chave de ignição na posição “desligada”
    Não consumir energia sem necessidade
  • Manter desligados todos os acessórios como lâmpadas, rádio e ventiladores quando o veículo não estiver funcionando
    Não correr o risco de sobrecarregar a bateria
  • Dar partida no motor somente após 30 segundos da primeira tentativa
    O motor de arranque é elétrico e consome grande energia, assim se evita sobrecarga
  • Utilizar acessórios elétricos aprovados pela montadora
    Assessórios não homologados podem ter demanda muito acima do que foi previsto
  • Movimentar o veículo no tranco
    Muito comum para os veículos mais antigos, não é recomendado
  • Utilizar baterias fora das especificações de fábrica
    Uma bateria com menor capacidade pode ser levada ao colapso ao alimentar todos os dispositivos do carro.
  • Fazer partida auxiliar
    A conhecida “chupeta” não é recomendada, porque os terminais que devem ser conectados não são óbvios em todos os carros e se ligados de forma incorreta podem gerar um curto circuito sério.
  • Utilizar baterias danificadas ou com vazamento
    Baterias com vazamentos já estão com vida útil exaurida e sem capacidade de carga   

 
Painel e luzes de advertência


     
figura 03 – painel típico com suas luzes de advertência


Os painéis dos veículos modernos apresentam diversas luzes que servem para avisar sobre situações mais ou menos críticas e que requerem atenção do usuário, exigindo eventualmente uma intervenção de manutenção (programada ou não). A grande maioria delas é bastante conhecida, mas algumas nem tanto. Vou destacar abaixo:


figura 04 – luzes de advertência menos comuns
   
 
A Ford utiliza um padrão, luz amarela é apenas advertência e vermelha é algo mais sério (não deve usar o carro). Por exemplo, a luz da injeção, do ABS e do sistema de aquecimento de combustível (para partida a frio), acendem-se ao ligar o carro, mas devem se apagar na sequência. Se permanecerem acesas devem ser vistas em uma manutenção imediata do veículo. As luzes vermelhas são sérias. Ninguém pode dirigir o carro se o freio tiver um problema de freio ou com o mecanismo do air bag com possibilidade de inflar as bolsas sem motivo. A seguir mais algumas luzes menos comuns (alertas).
  

figura 05 – luzes de advertência menos comuns


Sistemas Mecânicos, sistemas problemas e possíveis causas

São os sistemas que fazem essencialmente aquilo para qual o carro foi concebido, movimentar-se e levar seus ocupantes de lá para cá. A manutenção cuidadosa e nos prazos corretos garante que reparos fora de hora precisem acontecer. Vejam quais são os principais problemas e possíveis causas:
  • Sistemas de Ignição: dificuldade de partida, falhas em acelerações e retomadas, aumento de consumo de combustível, baixo rendimento e perda de potência.  Podem estar associados a problemas de velas, cabo de velas ou distribuidor eletrônico.
  • Sistemas de alimentação: consumo de combustível bem elevado (10% a 15%), desgaste interno no motor, falhas em acelerações e retomadas, aumento na emissão de gases. Podem estar associados a filtro de ar, filtro de combustível, filtro de óleo.
  • Arrefecimento: superaquecimento do sistema, consumo elevado de combustível, dificuldade de partida e desgaste internos do motor. Podem estar ligados à bomba d’água, radiador, válvula termostática.
  • Motor - lubrificante: desgaste interno do motor e formação de borras (resíduos), aumento de emissões, aumento da temperatura e dificuldade de partida do motor. Podem estar ligados ao nível do óleo ou seu desgaste (falta de troca no tempo certo).
  • Motor -  correia de assessórios: barulho do tipo chiado, descarga da bateria, aquecimento do motor. Podem estar ligados à correia do motor.
  • Motor – correia de sincronismo: barulho do tipo chiado, dificuldade de partida, falhas em acelerações e retomadas, consumo elevado de combustível. Podem estar ligados a correia ou corrente do motor.
  • Freios -  ineficiência de frenagem, barulho do tipo chiado, vazamentos de fluido, pedal duro e travando. Podem estar ligados ao tambor e disco de freio ou módulo eletrônico (no caso do ABS).

Ar condicionado

É um sistema não relacionado ao movimento do carro que boa parte dos modelos têm ou podem ter um sistema de ar condicionado. Requer algumas atenções e cuidados. Um dos pontos críticos é o filtro, que se não trocado na hora certa pode acarretar em sobrecarga no sistema, deixar de funcionar ou operar com ineficiência. Auxilia na contenção do crescimento de fungos que causam odor e evita a proliferação de bactérias.

Existem algumas dicas muito importantes no trato do sistema do ar condicionado, nem todas largamente conhecidas:
    

figura 06 – dicas na manutenção e uso do ar condicionado

Pneus

Todos sabem que pneu tem vida útil e deve ser trocado. Mas qual a hora certa? Além disso cada carro tem pneus com dimensões certas definidas pelo fabricante que se não obedecidas podem causar desde um erro constante no velocímetro/odômetro como sobre esforço na suspensão podendo até danificá-la seriamente. Por motivos análogos tanto a calibragem (pressão dos pneus) deve ser verificada a cada abastecimento como o balanceamento feito a cada troca de pneus.

Mas voltando ao assunto, qual a hora certa para a troca? Na figura abaixo podemos ver uma banda transversal dentro das ranhuras do pneu. Este é chamado de TWI (indicador de desgaste de pneu – sigla em inglês). Quando esta parte começar a desgastar, o pneu deve ser trocado.
   

figura 07 – indicador de desgaste de pneu – momento certo para a troca


Tecnologia Flex e economia de combustível

A grande maioria dos motores hoje em dia é bicombustível (etanol e gasolina). Nesta apresentação da Ford alguns mitos foram derrubados e procedimentos importantes explicados. Não existe uma mistura “ideal” definida pelo fabricante para que o próprio motorista misture etanol e gasolina. Segundo a Ford, o etanol é mais “agressivo” ao motor no que diz respeito ao desgaste, mas igualmente eficaz para ser usado. Há uma regra geral propalada que diz que o álcool rende 70% do que rende a gasolina, isso é um valor aproximado e pode variar um pouco em função de cada motor.

A maneira certa de dar a partida no carro é ligar sua parte elétrica e esperar alguns segundos (mais que 10). Neste tempo o sistema elétrico que mistura a gasolina com o álcool ou o aquecimento do álcool (para carros mais moderno sem o “tanquinho”) é suficiente para que a partida tenha sucesso logo na primeira tentativa.

Trocar a marcha na rotação certa, sem esticar demais a marcha (alguns carros têm indicador de melhor momento para troca com economia), ter os pneus na calibragem correta (pneus murchos elevam bastante o consumo) são medidas conhecidas. Mas eu desconhecia a dica de não ter o hábito de andar com o tanque quase vazio. Mais espaço vazio no tanque acelera muito a evaporação do combustível e o efeito prático final é maior consumo!

Finalizo com a dica do “ponto morto”. Há um hábito antigo de usar o carro desengatado para que ele no embalo ande sem consumir combustível. De fato, isso tem alguma eficácia embora não seja muito seguro pois não há o “freio motor” em ação. Mas desde que os carros começaram a usar ignição eletrônica, o sistema ao perceber que não há esforço no motor, corta completamente a alimentação de combustível enquanto no ponto morto há a rotação da marcha lenta. Assim é mais econômico ter o carro no embalo engatado do que em ponto morto.  

Visita à fábrica

Foi o segundo ponto alto da visita!! Vimos três das etapas principais (não todas) do processo de fabricação do carro (linha do New Fiesta HATCH). São as etapas:

  • Body shop - estampa das chapas e solda no formato da base do carro
  • Pintura – ambiente super criterioso e cuidadoso no qual o carro ganha base e cor
  • Montagem final – onde todas as outras partes são agregadas para compor o carro



Meus(minhas) colegas jornalistas e blogueiros(as) fizeram registros fantásticos sobre a visita. Não vou repetir o que já foi feito tão bem por eles. Mas eu quero destacar algumas ótimas fotos registradas durante a visita e um pequeno filme que eu fiz que resume em menos de um minuto o que foi essa super interessante visita. O pequeno filme termina com o nascimento do New Fiesta na linha de produção, com sua primeira movimentação (quando é ligado a primeira vez).

Minha amiga Andrea do blog Atitude Quarenta fez uma matéria bem legal e explicativa sobre a visita à fábrica o qual pode ser visitado por este link "Como nascem os automóveis" . E meu amigo Richard Max do famoso blog RMAX também fez uma matéria muito legal que pode ser vista aqui (breve).


vídeo 01 – clip com momentos da visita



figura 08 – detalhe da linha de montagem (clique para ampliar)




figura 09 – verificando as chapas antes da pintura (clique para ampliar)


figura 10 – controle de qualidade da pintura (clique para ampliar)


figura 11 – robôs fazendo a solda das chapas (clique para ampliar)


figura 12 – etapa de montagem final (clique para ampliar)


figura 13 – visitantes na entrada da fábrica (clique para ampliar)

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